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Os analistas e teóricos de relações internacionais tem apontado que a China será o grande ator do século XXI. Essa percepção decorre de vários fatores. Dentre eles podemos destacar como os mais citados pelos analistas: a grandeza do território, o gigantismo da população, o controle político que barrou a fragmentação do país (ela poderia gerar uma crise no sistema internacional), a abertura do país para o capitalismo, a forma como tem sido conduzida a recepção de capital externo, a coerência do planejamento econômico e os investimentos na infra-estrutura, além dos investimentos na qualificação da mão de obra.

O modelo de parceria entre empresas e a participação do estado em parte significativa dessas parcerias tem sido um fator determinante neste modelo. Deve-se destacar, contudo, que há vários problemas que precisam ser focados para podermos dimensionar o crescimento chinês.

A passagem da economia planificada para a economia de mercado está avançada. Segundo dados correntes na mídia, aproximadamente 70% da economia, já é privada. Contudo, se isso representa um salto significativo, para as dimensões da China esses 30% restantes tem dimensão que vão além do que os números indicam, pois não se pode ignorar a grande massa camponesa.

Segundo dados, aproximadamente, 60% da população está no campo o que mostra que há um longo caminho a seguir para dar conta da inclusão desse montante e não perder o controle, pois representam um volume populacional de indivíduos que depende de um setor da economia extremamente sujeito às flutuações de qualquer natureza.

E não se deve desprezar que isso pode significar também um desbalanceamento entre o desenvolvimento alcançado hoje e o planejamento que foi feito até o momento. O que seria pior.

A alternativa para nem se pensar nessas questões são os subsídios do Estado ao setor. O problema é que, além de ser necessário frear o desenvolvimento do capitalismo no país, pois o Estado vai precisar de recursos gigantesco para dar conta de problema dessa dimensão, a China está cada vez mais se inserindo na cadeia produtiva globalizada e por isso terá de se submeter às regras do jogo, ou sofrerá pressões.Logo, isso será apenas postergar o problema.

Ademais, o modelo adotado até o momento lembra (não é igual) a estratégia japonesa de escolher um setor, ou alguns setores, investir nele, qualificar mão de obra, desenvolver conhecimentos técnicos e científicos, exportar para acumular divisas, aplicar a tecnologia em todos os setores e também no setor primário.

Esse modelo foi frutuoso, tanto que além de tratar da questão campo, que não era a principal, conseguiu garantir recursos e divisas que puderam ser revertidos para criar um mercado interno também dinâmico, ao ponto de suportar impactos como o que o Japão suportou na década de 90 do século XX e ainda ser, hoje, o segundo PIB do mundo, com 4,8 trilhões de dólares.

Mas, o Japão fez a reforma agrária logo após a guerra e teve um apoio significativo dos EUA. Além disso, o processo demorou três décadas para dar conta de uma população com poucas centenas de milhões.

A China precisa percorrer um caminho que vai ter de dar conta de várias centenas de milhões e a economia de hoje está tão atrelada ao mercado mundial que não dá para suportar alternâncias como as que estão ocorrendo nessas últimas duas décadas. O desenvolvimento de seu mercado interno é essencial. Se não o fizer, vai sofrer as conseqüências, mesmo porque os investidores estrangeiros que para lá vão, podem até estar atrelados à produção chinesa para o mercado mundial, mas ninguém consegue dormir e não sonhar com um bilhão de consumidores potenciais.

Esse é o foco e ficar preso ao modelo exportador pode tornar a China um eterno gigantesco país em desenvolvimento, suscetível a quaisquer impactos da conjuntura internacional. Os passos dados na aproximação intensa com os EUA indicam que já se está pensando nestes problemas e os americanos também já vislumbram o cenário, embora, neste momento, a questão para os estadunidenses esteja mais presa ao mercado americano e nos investidores americanos.

O Brasil precisa estar atento a esses passos. O país pode encenar parcerias que aproximem os dois e correr junto com os norte-americanos, usar os modelos de cooperação que já são vitoriosos e se beneficiar no futuro de um planejamento estratégico adequado, pois terá sido feito em tempo hábil para corrigir as falhas que por ventura podem aparecer no processo e não precisam existir quando a realidade cair nos pés da sociedade internacional.

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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