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Na Etiópia, novo Primeiro-Ministro inicia articulação política com vozes opositoras

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Ao longo da semana passada, o primeiro-ministro Abiy Ahmed participou de uma série de reuniões e eventos com membros de partidos opositores e da sociedade civil. As conversas fazem parte de um planejado processo de estabilização política e social na Etiópia, em face dos inúmeros protestos e conflitos sociais que assolam o país nos últimos anos.

Na quinta-feira passada (12 de abril de 2018), Ahmed esteve presente na cidade de Ambo, localizada na província de Oromo e centro das manifestações que ocorrem na região desde 2015. Na ocasião, o Primeiro-Ministro conferiu um discurso aos moradores locais, no qual declarou que o país vivencia um gradativo processo de abertura política e de crescente transparência às demandas de grupos étnicos tradicionalmente marginalizados do jogo político.

Ahmed inicia articulação política com vozes opositoras

Nós queremos trabalhar de mãos dadas com vocês. O que nós dizemos e o que nós fazemos devem estar em perfeita combinação”, declarou Ahmed. Desde o início do ano, a Frente Democrática Revolucionária do Povo Etíope (FDRPE) – o partido governista – libertou mais de 6 mil presos políticos, com o intuito de atenuar os conflitos entre manifestantes e as forças policiais.

Já na última sexta-feira (13 de abril), foi a vez de membros de partidos políticos da oposição se encontrarem com o novo Chefe de Governo. De acordo com a rede de televisão estatal FBC, Ahmed se reuniu com autoridades políticas nacionais para “ampliar o espaço político”, com vistas a “convocar os partidos para preparar um diálogo pacífico e futuras negociações”. Participaram também da reunião Merera Gudina e Bekele Gerba: ambos haviam sido presos sob acusações de terem promovido manifestações contra o Governo, porém foram libertados no início deste ano.

Em termos estratégicos, a Etiópia ocupa um papel central para os países ricos. Localizada no chifre da África, o Governo etíope sempre se apresentou como importante aliado no combate a grupos terroristas radicados nas nações adjacentes, como a Somália. No entanto, a instabilidade social instaurada com as manifestações civis pôs em xeque a posição da Etiópia enquanto porto-seguro em uma região conturbada por conflitos.

Ahmed, por ser o primeiro Chefe de Governo advindo da etnia Oromo, é visto com esperança tanto por observadores internacionais quanto pela classe política dominante na Etiópia. A sua aproximação com a população pode devolver a estabilidade e, com isso, a capacidade de o país em atuar no combate a grupos terroristas vizinhos. Além disso, ao atender as reivindicações populares e ampliar em alguma medida o espaço político a vozes opositoras, o FDRPE caminha rumo à estabilização política, fato que auxilia na sua manutenção como partido dominante no médio e longo prazo.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Etiópia à espera de uma solução política com o novo Primeiro-Ministro” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Flag_of_Ethiopia.svg

Imagem 2Ahmed inicia articulação política com vozes opositoras” (Fonte):

https://twitter.com/pm_abiyahmed/media

Pedro Frizo - Colaborador Voluntário

Economista pela ESALQ-USP, é atualmente mestrando em Sociologia pelo Programa de Pós- Graduação do IFCH-UFRGS. Foi pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM). Atualmente desenvolve pesquisas na área de Sociologia Econômica, Economia Política e Sociologia do Desenvolvimento. Escreve no CEIRI Newspaper sobre economia e política africana, como foco em Angola, Etiópia e Moçambique

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