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Na reta final, Chávez acusa Capriles de receber dinheiro do Narcotráfico

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Há poucos dias das “Eleições Presidenciais” venezuelanas, o presidente Hugo Chávez acusou o candidato opositor de receber financiamento de campanha por parte do narcotráfico, bem como de banqueiros foragidos do país. Declarou: “Esses grandes empresários que estão concedendo muito dinheiro para a sua campanha, e do exterior também, banqueiros foragidos, alguns mafiosos, lavagem de dinheiro, narcotráfico”*.

 

Além disso, tem afirmado que Capriles vem construindo uma farsa ao se postar como um cidadão comum, ao dizer que o Opositor deseja “esconder sua própria personalidade, aparecer como camaleão e tentar se apresentar como homem do povo, quando é um filho da grande burguesia”*.

Analistas apontam que a forma como o Mandatário tem realizado sua campanha acaba mostrando a fragilidade institucional do processo eleitoral venezuelano, onde não há debates, mas apenas campanhas com discursos individuais sem contraposição de idéias.

Nele, o direito de resposta é mediado pela interpretação do Órgão Eleitoral que está sob o controle do Executivo, devido a forma como foi constituído e pelos vínculos diretos de seus componentes com Hugo Chávez e o seu Partido, o “Partido Socialista Unido de Venezuela” (PSUV).

Pela estrutura do sistema, os discursos eleitorais se reduzem a raciocínios falaciosos (especialmente por parte do Presidente, já que ele vem adotando constantemente o recurso do “Argumentum Ad Hominem”, pois tenta desqualificar os argumentos do opositor com crítica ao autor sem observar o conteúdo das declarações de Capriles) e violentos, nos quais os projetos ficam a reboque do combate direto entre os adversários, que acabam reduzindo seu comportamento ao uso dos instrumentos de força que cada um tem disponível.

Além disso, acreditam que Chávez tem percebido o crescimento da Oposição e pode estar vendo uma possibilidade de derrota, embora as condições ainda lhes sejam favoráveis. Por isso, o Presidente tem adotado a tática de contraposição violenta em relação ao seu adversário. Acusa-o de preparar um retrocesso, vir a abandonar o povo e, ao se referir ao candidato opositor, evita o debate de ideias, concentrando suas declarações na pessoa de Capriles, tal qual a afirmação de que esconde sua verdadeira personalidade.

Também apontam os observadores que, de forma articulada, o Governo está usando de todos os recursos para constranger e impedir um processo eleitoral que permita a vitória, ou crescimento da Oposição.

Na ONU, o representante permanente do país, Jorge Valero, tem feito declarações alertando sobre uma “provável” manifestação golpista dos opositores no caso de sua derrota, que Chávez e os demais membros no poder consideram como certa, mesmo com os receios que vem crescendo.

Valero vem afirmando oficialmente nas Nações Unidas: “Denunciamos responsavelmente junto à comunidade internacional que setores nacionais antidemocráticos e golpistas, aliados a poderosos interesses externos, tentarão utilizar a violência para ignorar a vontade popular”**.

Observadores acreditam que, apesar de existir uma possibilidade de vitória de Capriles, embora menor que a de Chávez, o temor real do Mandatário e de sua equipe está na provável e cada vez mais aceita expressiva votação para a Oposição, acontecimento que dividirá a Venezuela e levará à medidas de alta repressão para combater o crescimento oposicionista, mesmo porque, em seis anos do próximo mandato, não há garantias de que a saúde do Presidente não sofrerá abalos e, caso ele desapareça, tomam como difícil o aparecimento de outro líder governista que possa substituí-lo, podendo levar a Venezuela à violência explícita e fragmentação social.

Por isso, aceitam que estas declarações estão sendo feitas para preparar a população e a comunidade internacional para o cenário que se construirá com a hipótese cada vez maior de uma vitória do atual Mandatário venezuelano com diferença inexpressiva.

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Fonte:

* Ver:

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2012/10/venezuela-chavez-acusa-capriles-de-obter-recursos-do-narcotrafico.html

** Ver:

http://noticias.terra.com.br/mundo/noticias/0,,OI6195035-EI294,00-Venezuela+alerta+ONU+para+violencia+golpista+apos+vitoria+de+Chavez.html

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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