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[:pt]Necessidades financeiras não atendidas, migrações forçadas e fome: a crise humanitária na Nigéria[:]

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Sob o ponto de vista econômico, a Nigéria possui um dos três maiores Produto Interno Bruto (PIB) no continente africano, sendo de suma importância a sua estabilidade social e política na África e para o mundo. No entanto, no campo humanitário, as ações do grupo Boko Haram tem forçado a migração de inúmeros habitantes, colocando o país como a terceira maior origem de migrantes a cruzar o Mar Mediterrâneo em 2016. Desde o início do conflito, em 2009, as ações do grupo extremista Boko Haram têm gerado mais de 20 mil mortes, 2 milhões de migrantes e 1,8 milhão de deslocados internos. As ações se concentram principalmente no Norte e Nordeste do país, nos Estados de Borno, Yobe e Adamawa, com foco na cidade de Maiduguri, em Borno.

Em 2014, o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA, em inglês) registrou o primeiro apelo humanitário da Nigéria, para a provisão de assistência. Na ocasião, apenas 19% dos valores solicitados foram, de fato, somando US$ 17,8 milhões (ver Gráfico). O déficit no financiamento da crise humanitária tem sido constante ao longo dos anos, registrando-se apenas 58% e 55% dos fundos arrecadados em 2015 e 2016, respectivamente. Após o acirramento da crise humanitária ao longo de 2016, as Nações Unidas pregaram maior urgência e comprometimento das Nações com a situação naquele país.

Gráfico – Valores arrecadados e necessidades não atendidas na cooperação humanitária para a Nigéria, em US$ dólares (2014-2017)

Fonte: Elaboração própria baseada em dados do Financial Tracking Service (FTS)

A crise alimentar está sendo agravada, pois, pelo terceiro ano seguido, os agricultores estão impossibilitados de voltar para as suas terras durante o período de plantio. Como consequência dos conflitos e da prevalência da insegurança alimentar ao longo dos anos, 4,8 milhões de pessoas precisam urgentemente de assistência humanitária, enquanto que 5,1 milhões de pessoas serão somadas à essa conta, caso a comunidade internacional não suporte o país em 2017.

Em 2016, apenas os recursos voltados para gestão e coordenação de serviços humanitários arrecadaram mais de 90% dos valores. Ações voltadas para nutrição arrecadaram aproximadamente 66% dos recursos. Os maiores doadores em 2016 foram, em ordem decrescente, Alemanha, Reino Unido, Estados Unidos, Comissão Europeia e o Fundo Central de Resposta de Emergência (CERF, em inglês).

Até o mês de maio, apenas 21%, isto é, US$ 221,1 milhões foram arrecadados, destacando-se as áreas de coordenação, suporte a serviços e logística (ver Gráfico). Os itens “Nutrição” e “Segurança Alimentar” arrecadaram menos de 25% dos valores considerados necessários.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Boko Haram” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File%3ABoko_Haram_(7219441626).jpg

Imagem 2 Mapa da insurgência do grupo Boko Haram” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File%3ABoko_Haram_insurgency_map.svg

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João Antônio dos Santos Lima - Colaborador Voluntário

Mestre em Ciência Política na Universidade Federal de Pernambuco e graduado em Relações Internacionais na Universidade Estadual da Paraíba. Tem experiência como Pesquisador no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) no projeto da Cooperação Brasileira para o Desenvolvimento Internacional (Cobradi). Foi representante brasileiro no Capacity-Building Programme on Learning South-South Cooperation oferecido pelo think-tank Research and Information System for Developing Countries (RIS), na Índia; digital advocate no World Humanitarian Summit; e voluntário online do Programa de Voluntariado das Nações Unidas (UNV) no projeto "Desarrollar contenido de opinión en redes sociales sobre los ODS". Atualmente, mestrando em Development Evaluation and Management na Universidade da Antuérpia (Bélgica) e Embaixador Online do UNV na Plataforma socialprotection.org.

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