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Nikki Haley se destaca no primeiro escalão da diplomacia dos EUA

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Nimrata Nikki Randhawa Haley, filha de imigrantes Sikhs, de Punjab, na Índia, nasceu em Bamberg, Carolina do Sul, em 1972. Por vários anos foi congressista na Câmara dos Representantes da Carolina do Sul, antes de assumir o Governo do Estado pelo período de 2011 a 2017, sendo a primeira mulher americana-indiana a servir como Governadora na história dos EUA.

A escolha feita por Trump para que represente os Estados Unidos na Organização das Nações Unidas colocou a ex-governadora da Carolina do Sul em uma posição destacada frente às demandas em política internacional nas quais Washington se envolve diretamente.

Nesse sentido, temas sensíveis como Direitos Humanos, Israel, Irã, Síria e Coreia do Norte colocam a embaixadora no patamar de “Secretária de Estado alternativa”, termo cunhado pela imprensa diante de um momento em que Tillerson tenta reaver seu papel de importante influenciador das decisões políticas na administração de Donald Trump.

O engajamento de Haley em questões internacionais urgentes sugere que há um movimento na Ala Oeste da Casa Branca que coloca em xeque o futuro político de Tillerson, principalmente após o embate ocorrido entre o Secretário de Estado e o Presidente nas últimas semanas, acerca da insatisfação de Trump frente as opções apresentadas pelo Departamento de Estado quanto ao Programa Nuclear iraniano.

Em contraste, Nikki Haley, durante discurso para a plateia do conservador American Enterprise Institute, em Washington, deu informações importantes de como a administração vê o Acordo Nuclear do Irã, argumentando que havia motivos para o Presidente declarar que o modelo desenhado para restabelecer o Irã na comunidade internacional não era mais do interesse dos Estados Unidos.

Haley faz juramento ao assumir o cargo de Embaixadora na ONU, juntamente com o VP Mike Pence e o Senador pela Flórida, Marco Rubio

Para Michael Fuchs, ex-assessor do Departamento de Estado para assuntos do Leste Asiático e Pacífico na administração de Barack Obama, a reticência pública de Tillerson está reavivando os rumores de sua saída. Segundo funcionários atuais e ex-oficiais do Departamento de Estado, a possibilidade foi explicitada após o Secretário de Defesa, James Mattis, e o general Joseph Dunford, Presidente do Estado-Maior Conjunto, se reunirem com jornalistas em frente a Casa Branca, no último domingo, 3 de setembro, sem a participação do Secretário de Estado. Isso ocorreu após uma reunião da equipe de segurança nacional que tratou dos desdobramentos do último teste nuclear da Coreia do Norte.

Ainda de acordo com o ex-assessor, a ausência de Tillerson na frente pública reforça a percepção entre os principais parceiros estrangeiros e críticos de Trump de que a administração atribui maior prioridade à força militar do que à via diplomática, e demonstra inclinação em aceitar os conselhos dos generais e de outros membros, como Haley, que funcionam como porta-vozes do Governo em fóruns multilaterais.

Diante desse quadro, Stewart Patrick, especialista em Governança Global, do Council on Foreign Relations, acredita que a embaixadora dos EUA nas Nações Unidas surge como uma voz independente na política externa, polindo suas credenciais ao Partido Republicano, e preenchendo o vácuo deixado por Tillerson. Conforme aponta, isto está acontecendo neste momento em que o caos envolve a Casa Branca e o Departamento de Estado desce para a irrelevância, sendo, por sua vez, absorvido pelas decisões do Departamento de Defesa e do Tesouro.

Aliado a tais movimentos, a chefe da diplomacia estadunidense na ONU ainda conta com apoio no Congresso, incluindo o Presidente do Comitê de Relações Exteriores do Senado, Bob Corker (Republicano do Tennessee), e o Presidente do Comitê de Relações Exteriores da Câmara, Ed Royce (Republicano da Califórnia).

Concomitante a movimentação política de bastidores, a embaixadora ainda foi responsável, por garantir a aprovação unânime da Resolução do Conselho de Segurança da ONU 2371, que representa o regime de sanções mais agressivo imposto a Pyongyang, em resposta ao teste de mísseis balísticos.

Com um desempenho sólido, a imprensa especializada, assim como alguns membros do Departamento de Estado*, acreditam primeiro na possibilidade de ela suceder Tillerson como Secretária de Estado, para depois surgir como uma face futura do Partido Republicano, usando a atual posição que ocupa como trampolim para o Salão Oval. Esta, por sinal, foi a estratégia adotada por George H. W. Bush, que serviu como embaixador da ONU, entre 1971 e 1973, e depois se tornou Presidente, de 1989 a 1993.

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* Em condição de anonimato, mas que se pronunciaram para a imprensa.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Haley em discurso na Câmara da Carolina do Sul” (Fonte):

https://www.flickr.com/photos/governornikkihaley/12123941594/in/photolist-jtmnrL-ofpBTw-iygBC9-qwGoef-rsqGE8-f5mrHF-qqk4Qm-jA8hU4-pZQzoh-ijBmsd-ijy6GB-isjykg-k6eBf6-ijzXRf-qnaSWe-jz7UkF-jAapUm-ihkRWB-pqAgsv-ijvFDG-ijC8Nc-ihkRLB-jMBfB4-mx3sNK-jtkJMn-UTEjqe-jz6DUR-qXZWTj-pKSJ7C-ihk4w4-ofoLfd-jMCKMh-ijvQXR-iiniQH-nY83mx-ihkuxY-ovx2X5-jAbpSY-ovxTDE-ofiP72-isjk3Y-ijBGBk-iygSHm-ijxBiq-r97JeB-p68Jp5-pKsVot-k6h743-ovxNVb-rsFRmN

Imagem 2Haley faz juramento ao assumir o cargo de Embaixadora na ONU, juntamente com o VP Mike Pence e o Senador pela Flórida, Marco Rubio” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Nikki_Haley#/media/File:Nikki_Haley_sworn_in_as_UN_Ambassador.jpg

Victor José Portella Checchia - Colaborador Voluntário

Bacharel em Relações Internacionais (2009) pela Faculdades de Campinas (FACAMP), Especialista em Direito Internacional pela Escola Paulista de Direito (EPD) e Especialista em Política Internacional pelo CEIRI (Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais). Atuou em duas grandes multinacionais do setor de tecnologia e na área de Cooperação Internacional na Prefeitura Municipal de Campinas com captação de recursos externos, desenvolvimento de projetos na área econômica e comercial e buscando oportunidades de negócios para o município. Atualmente é Consultor de Novos Negócios na Avanth International em Campinas/SP. Escreve semanalmente sobre América do Norte com foco nos Estados Unidos.

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