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[:pt]A Normalização das relações entre a Turquia e Israel[:]

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As relações entre a Turquia e Israel ficaram abaladas há seis anos, quando uma flotilha com ativistas turcos pró-Palestina tentou romper o bloqueio naval de Israel à Faixa de Gaza para levar ajuda humanitária ao enclave palestino. Na ocasião, fuzileiros israelenses entraram em confronto com os ocupantes das embarcações e 10 turcos foram mortos.

Desde então, os dois países interromperam um período de importantes colaborações, principalmente na área da Defesa. Após esta fase de desacertos no campo da cooperação e da diplomacia, em 28 de junho, o Subsecretário de Relações Exteriores da Turquia, Feridun Sinirlioglu, em Ancara, e o Diretor-Geral do Ministério das Relações Exteriores de Israel, Dori Gold, em Jerusalém, assinaram um Acordo para a retomada e normalização das relações bilaterais.

Israel sinalizou o interesse em descongelar a desavença com a Turquia, cumprindo com duas das três exigências feitas pelo Presidente turco, Recep Tayyip Erdoğan. Em 2013, Benjamin Netanyahu, o Primeiro-Ministro israelense, pediu desculpas pelo episódio envolvendo a flotilha e, em 2015, concordou em indenizar as famílias das vítimas. A terceira condição imposta pelo Governo turco refere-se ao levantamento do bloqueio à Faixa de Gaza. Em contrapartida, Israel exigiu, para o cumprimento desta medida, a expulsão, do território turco, de pessoas ligadas ao Hamas. Ancara, por sua vez, se comprometeu a não permitir que os insurgentes do Hamas pratiquem ações contra Israel a partir da Turquia e, também, a expulsar os chefes do grupo insurgente do território turco.

A retomada do entendimento entre a Turquia e Israel é um ponto fundamental para ambos os lados. No momento em que o Oriente Médio está passando por turbulência e uma reconfiguração geopolítica, estes dois países são, hoje, as duas únicas possibilidades válidas, em termos de cooperação regional, fato que não tem passado despercebido a nenhuma das partes. Para Israel, a reaproximação com a Turquia, que já foi o seu “principal aliado muçulmano”, é o reatar dos laços com um parceiro viável em termos de colaboração e troca de informações mas, sobretudo, naquilo que envolve as tensões com o Irã e a abertura de mercado para o escoamento de gás natural através da conexão com a Turquia e sua rede de gasodutos para a Europa.

Mesmo que as relações entre os dois países não alcancem os níveis anteriores, segundo Arda Mevlutoglu, especialista em indústria da Defesa, “Ancara e Tel Aviv têm percepções semelhantes relativamente às ameaças e posicionamento de forças na região. Isso pode ajudar na formação de uma nova equação geopolítica para o Mediterrâneo Oriental, facilitando o contrabalanço do peso do Irã na região”. Por outro lado, a Turquia está enfrentando problemas tanto internos, quanto externos no plano das ameaças e da Segurança. O país encontra-se isolado, na região, debatendo-se com uma crise política que abarca a Síria e a Rússia, e não tem recebido uma resposta adequada por parte dos EUA e da OTAN. Neste contexto, Israel poderá ser um interveniente importante na preservação das relações entre a Turquia e os EUA e na normalização do relacionamento com a Rússia.

As dificuldades que a Turquia enfrenta, em termos regionais, fizeram, de acordo com informações, com que as Forças Armadas turcas pressionassem os dirigentes políticos para a assinatura do acordo com Israel. Consoante um dirigente turco da área de Segurança, que pediu para não ser identificado, “Ancara, devido ao seu isolamento preocupante na região, e com o apoio inadequado dos EUA e da OTAN, não tinha escolha senão se voltar para Israel para a cooperação militar e de segurança”.

Independentemente da importância da normalização das relações entre a Turquia e Israel, os aspectos norteadores que definiram, de fato, a assinatura do Acordo, revelam um Oriente Médio dividido e a necessidade do estabelecimento de alianças regionais ante um panorama político indefinido e com raras opções para a criação de parcerias credíveis. Deste modo, a Turquia e Israel se estão assumindo como o contrapeso entre os países da região, que se acham perante um futuro marcado pela insegurança e por um cenário geral impreciso.

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ImagemLady Leyla’, navio de bandeira panamenha, chega ao porto de Ashdod, Israel, em 3 de julho de 2016, transportando ajuda humanitária turca para Gaza” (Fonte):

http://wtop.com/wp-content/uploads/2016/07/Mideast-Israel-Turkey-1880×1254.jpeg

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Marli Barros Dias - Colaboradora Voluntária Sênior

Possui graduação em Filosofia (bacharelado e licenciatura) pela Universidade Federal do Paraná (1999), com revalidação pela Universidade de Évora (2007), e mestrado em Sociologia (Poder e Sistemas Políticos) pela Universidade de Évora (2010). É doutoranda em Teoria Jurídico-Política e Relações Internacionais (Universidade de Évora). É professora da Faculdade São Braz (Curitiba), pesquisadora especialista do CEFi – Centro de Estudos de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), e pareceirista do CEIRI Newspaper (São Paulo).

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