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No fim de outubro, os noruegueses divulgaram o ingresso no seu território de 330 soldados dos Estados Unidos com o objetivo de treinamento e execução de exercícios militares conjuntos, no âmbito de um Acordo-Quadro, de 2005. O projeto visa alocar os fuzileiros navais em Værnes, na região de Nord-Trøndelag, ao Norte do país, e possui caráter de rotatividade das tropas para melhor desempenho das atividades, as quais poderiam vir a tornarem-se permanentes em solo norueguês.

Em referência ao tema, a Ministra da Defesa da Noruega, Ine Eriksen Søreide, afirmou: “Isto proporcionará uma oportunidade única às forças norueguesas para treinar em conjunto com as forças dos EUA em condições norueguesas. O esquema irá reforçar a capacidade das Forças Armadas para operar conjuntamente com nossos aliados mais próximos”. Todavia, em termos geopolíticos, esta ação poderá provocar um pessimismo entre a diplomacia de Oslo e Moscou, visto que jamais ocorreu tal permissão, mesmo durante a Guerra Fria.

As forças estrangeiras desembarcam em janeiro de 2017 e os noruegueses salientam o desinteresse do Estado na provocação de dissuasão unilateral, no tocante à segurança regional. No tangente a situação, sobretudo no que diz respeito à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a própria Ministra Søreide declarou: “Em uma crise, a Noruega é dependente de reforço aliado, e os nossos aliados devem, portanto, vir a nós para adquirir conhecimento de operar tanto para nós como conosco. Como membro da NATO, baseamos nossa segurança sobre os aliados a apoiar-nos, se for necessário”.

Observa-se a existência de duplo sentido no destaque dos soldados dos Estados Unidos no território da Noruega, especialmente pelo fato de a iniciativa partir de Washington, pois a OTAN teme um avanço militar russo na Europa Nórdico-Báltica e soma-se a isto o intenso debate partidário em Oslo sobre os rumos da política de defesa. A Noruega fez um cálculo político e decidiu aproveitar do momento para aplacar o ânimo de seus militares e, possivelmente, buscar meios de reequipar sua estrutura militar, a qual está defasada.

Consoante os analistas sobre a questão, observam-se dois cenários: o primeiro de cunho nacional, cujo conteúdo aponta uma perspicácia norueguesa no aproveitamento da experiência e conhecimento dos militares dos Estados Unidos, diante da parceria bilateral em tempos de paz; e o segundo, de caráter internacional, cuja configuração negativa nas relações OTAN-Rússia poderia vir a acarretar em desconforto diplomático entre Oslo e Moscou, dada a inclusão de um ator não europeu na questão, em meio a inúmeras declarações norueguesas de que a Rússia não configura uma ameaça.  

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ImagemBrasão de Armas do Reino da Noruega” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/f/f9/Arms_of_the_Kingdom_of_Norway.svg/2000px-Arms_of_the_Kingdom_of_Norway.svg.png

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Bruno Veillard - Colaborador Voluntário Júnior

Mestrando pelo Programa de Pós-graduação em Sociologia e Política (PPG-SP), e Bacharel em Relações Internacionais pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro vinculado a Universidade Cândido Mendes (IUPERJ/UCAM). Atua na produção de notas analíticas e análises conjunturais na área de política internacional com ênfase nos países Nórdico-Bálticos e Rússia.

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