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“Nós somos um só país”

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Diferente da história da grande maioria dos países africanos, o processo de descolonização da “Costa do Marfim” foi pacífico, lento e gradual. Esse país, localizado no Oeste da costa africana, tornou-se colônia francesa em 1893, recebendo o nome que mantém até hoje. Pouco mais de vinte anos depois, a parte norte da colônia tornou-se independente, contudo o processo total de independência aconteceu em 1960. Dois anos antes, a colônia havia se tornado uma república autônoma dentro da “Comunidade Francesa” (uma associação formada pelos territórios ultramarinos franceses do continente africano).

 

Esse processo não violento, a estabilidade política do país logo após sua independência, ajudada por leis de imigração bastante flexíveis, e as políticas de incentivo à agricultura, incentivaram a ida de inúmeros imigrantes de países vizinhos, vindos especialmente de Mali, Guinea e “Burkina Faso”, para a nova república marfinense. Essa mão de obra que chegou ao país, acabou sendo direcionada para a agricultura, onde exerceu um papel de grande importância, impulsionando, na época, a “Costa do Marfim” à posição de maior produtora de cacau e segunda maior produtora de café do mundo.

Com o passar dos anos, o número de imigrantes e de seus descendente aumentou e, junto com o aumento populacional, cresceu também a consciência política, bem como sua importância para os mesmo, tanto que aos poucos os imigrantes passaram a se inserir na vida política do país.  

Essa inserção dos novos “marfinenses” não foi vista com bons olhos por aqueles que se diziam os verdadeiros habitantes do país. A convivência que era pacífica começou a ter seus pontos de impasse, piorando durante a década de 1990. A morte do então presidente e responsável pela independência, Felix Boigny, foi o estopim para a mudança de comportamento de políticos que incentivavam o “nacionalismo marfinense” e colocavam as pessoas originárias contra os imigrantes e seus descendentes. Com os ânimos acirrados, o país sofreu vários “Golpes de Estado” até a eclosão de uma “Guerra Civil” em 2002. O país se dividiu em dois: ao sul, àqueles a favor do Governo atual e contra os imigrantes; ao norte, os rebeldes. O conflito durou dois anos, contou com intervenção da ONU, mas mesmo após seu fim o país ficou dividido.

Enquanto estava dividido, a seleção de futebol marfinense era um exemplo de união étnica. Era formado por, aproximadamente, ⅔ de jogadores oriundos do norte, ou seja, grande parte do time era composto por descendentes de imigrantes. Yayá Touré, um dos maiores nomes do futebol mundial, na época jogador do “FC Barcelona”, é oriundo do norte; enquanto seu companheiro de equipe e outro grande nome do futebol internacional, Didier Drogba, é da parte sul da “Costa do Marfim”. Dentro de campo, entretanto, ambos vestiam o mesmo uniforme e representavam a mesma bandeira. Esse era o maior exemplo que a seleção marfinense poderia passar para todo o país: no final, são todos um.

Na esperança de conseguir unir sua sociedade, um homem fez toda a diferença. Didier Drogba, após partida disputada contra o Sudão, em outubro de 2005, fez um apelo em rede nacional às facções que ainda lutavam para que cessassem  o conflito armado. Um ano depois, o jogador foi à cidade considerada a mais perigosa do norte do país, Bouaké, logo após ter recebido o prêmio de melhor jogador africano do ano. Lá, Drogba deixou claro mais uma vez que acreditava que todos eram apenas um país e um povo. Mas seu ato principal ainda estava por vir: “Costa do Marfim” e Madagascar iriam jogar por uma vaga na “Copa Africana de Nações”, o jogo seria na “Costa do Marfim” e Drogba pediu que a partida fosse realizada em Bouaké. O pedido não só foi aceito, como o estádio teve sua capacidade esgotada, com o público oriundo de todos as regiões do país. O esquema de segurança montado para a partida era forte, não só a polícia local como integrantes do exercito ficaram responsáveis por garantir a segurança dos 25.000 espectadores. Mas o uso da força não foi preciso. A seleção marfinense e seus cinco gols foram suficientes para garantir a paz e a tranquilidade dentro e fora do estádio. Antes da partida, 14 “Tratados de Paz” foram assinados entre os beligerantes do norte e do sul do país, porém nenhum foi respeitado. Bastou a coragem de um homem, acompanhado de dez companheiros e uma bola de futebol, e foi interrompido o conflito que dividia seu país.

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Fonte:

Ver:

http://www.roadto2010.com/2010/06/the-power-of-football-how-didier-drogba-united-a-divided-country/

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