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Após meses de tentativas para instituir a um Presidente no Parlamento espanhol, o Rei Felipe VI assinou, no passado dia 3 de maio, o Decreto Real convocando novas eleições para o dia 26 de junho. A Espanha sofre um longo processo de desgaste político, após as eleições de dezembro de 2015, quando o ex-presidente Mariano Rajoy, do Partido Popular, venceu a eleição, mas não obteve a maioria necessária para ser instituído no Parlamento.

Após Mariano Rajoy tentar angariar apoio de outros partidos e não conseguir assumir o cargo, o Rei Felipe VI nomeou o líder da Oposição, Pedro Sanchez, do Partido Socialista Obreiro Espanhol, para formar Governo, não havendo êxito em nenhum dos casos.

A crise econômica que enfrentou o país até 2014 e os elevados índices de desemprego minaram a credibilidade da população em relação aos partidos existentes, aumentando a presença de novas forças políticas, tanto de esquerda como de direita. Podemos (esquerda) e Cidadãos (centro-direita) são os principais partidos dessa nova era da política espanhola, substituindo a polarização dos últimos 30 anos entre PP e PSOE.

Mesmo registrando crescimento superior a 3% do PIB, a Espanha ainda enfrenta diversos problemas sociais e econômicos. O país Ibérico registra uma taxa de 21% de desemprego, além da redução dos salários e do poder de compra, que, atualmente, estão no patamar de 10 anos atrás. Muitos espanhóis seguem perdendo seus lares e são despejados de suas casas por não honrarem o financiamento bancário, além de estar ocorrendo um crescimento da desigualdade social.

O desemprego e a redução do poder de compra são as maiores preocupações do eleitorado espanhol, que, segundo o barômetro do Centro de Investigações Sociológicas da Espanha (CIS), não confia no Governo, pois, conforme pesquisa realizada, 3 de cada 4 espanhóis, acreditam que os políticos não se preocupam com a população, indiferente de seu posicionamento político. A falta de confiança na política espanhola se deve também aos numerosos casos de corrupção que envolvem as principais forças e lideranças do país e do Estado.

O panorama eleitoral para a próximas eleições não sofreu muitas alterações desde os últimos comícios realizados em dezembro do ano passado (2015). Os Partidos estão tratando de estabelecer novas alianças para formar duas grandes forças, uma de direita e outra de esquerda, gerando uma lista de votação comum entre os diferentes partidos que compõe o Parlamento espanhol, embora os canais de diálogo com a população pareçam ocupar um segundo plano.

As tensões políticas da Espanha também sofrem o eco da instabilidade da União Europeia. Recentemente, a França foi palco de manifestações diversas devido às mudanças nas leis laborais que tentam frear o desemprego. O Reino Unido segue debatendo uma possível saída do Bloco e, na Alemanha, aumentam as tensões em relação ao Tratado de Comércio e Investimentos (TTIP), negociado entre a União Europeia e os Estados Unidos, que pode impactar negativamente em setores produtivos importantes.

O abismo criado entre a sociedade espanhola e seus representantes voltaram a dar protagonismo à figura do Rei Felipe VI como Chefe de Estado, porém essa maior visibilidade do papel da Monarquia promove um acirramento dos sentimentos nacionalistas em regiões separatistas.

A Espanha enfrenta o dilema que muitos países ainda não superaram, que é alinhar os avanços de sua economia com sua sociedade e harmonizar as diversas forças que atuam sobre o Estado, recuperando a coesão e o pacto social que legitima as ações do Governo. Fazer o país seguir em frente é o objetivo, independente do caminho que pretender seguir, sendo que isto impactará, sem dúvidas, nas nações da América Latina, já que a Espanha é um dos maiores investidores na região.

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Imagem (Fonte):

http://imagenes.lainformacion.com/2016/02/02/agence-france-presse/E_IStx8mPp9XkUfRcfYr7mK7/Rajoy-rueda-prensa-martes-Moncloa_886124162_64287288_667x375.jpg

Wesley S.T Guerra - Colaborador Voluntário Sênior

Atua como consultor internacional na área de Paradiplomacia para o Escritório Exterior de Comércio e Investimentos do Governo da Catalunha. Formado em Negociações e Marketing Internacional pelo Centro de Promoção Econômica de Barcelona, Bacharel em Administração pela Universidade Católica de Brasília, especialista pós-graduado em Ciências Políticas e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP, MBA em Novas Parcerias Globais pelo Instituto Latinoamericano para o Desenvolvimento da Educação, Ciência e Cultura e mestrando em Polítcias Sociais em Migrações na Universidad de La Coruña (España). Fundador do thinktank NEMRI – Núcleo de Estudos Multidisciplinar das Relações Internacionais. Especialista em paradiplomacia, acordos de cooperação e transferência acadêmica e tecnológica, smartcities e desenvolvimento econômico e social. Morou na Espanha, Itália, França e Suíça.

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