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O presidente boliviano, Evo Morales, estatizou outra empresa em seu país, mantendo a política adotada desde que assumiu o poder, em 2006. Na terça-feira, dia “1o de Maio”, “Dia do Trabalho”, anunciou a estatização da empresa “Transportadora de Eletricidade” (TDE), filial da “Rede Elétrica Internacional” da Espanha, que será administrada pela estatal “Empresa Nacional de Eletrificação” (ENDE).

 

De acordo com dados divulgados na sua página oficial, a TDE possui 73% das linhas de transmissão (1,9 mil quilômetros de linhas de transmissão de energia) e atende a 85% do mercado nacional boliviano, estando 99,94% do capital sob posse da “Rede Elétrica Internacional” e 0,06% nas mãos dos trabalhadores da empresa. Ela foi fundada em 1997 tendo sido comprada pela TDE em 2002.

A justificativa de Morales foi o baixo investimento feito pela TDE (81 milhões de dólares nos últimos 16 anos***) e discursou perante o povo afirmando: “Como justa homenagem aos trabalhadores e ao povo boliviano que tem lutado pela recuperação dos recursos naturais e dos serviços básicos, nacionalizamos a Transportadora de Eletricidade”*, ordenando as “Forças Armadas” (por ordem dada ao general Tito Gandarillas) “que realizem a ocupação das instâncias e administração da Transportadora de Eletricidade”**, pois “É obrigação das Forças Armadas recuperar a eletricidade para o povo boliviano”*.

O processo de estatização se mantém, cumprindo o discurso socialista e nacionalista que o levou ao poder. Desde sua primeira eleição (2006) foram estatizadas 20 empresas (denominando-as nacionalizações). Em 2010 foram quatro empresas de eletricidade.

Analistas apontam que o Presidente está adotando medida que certamente trará recursos em curto prazo para o país, acrescentando-se que o baixo investimento realizado por empresas espanholas tem sido confirmado em vários lugares onde existem “investimentos externos diretos” de corporações da Espanha, algo que traz elementos favoráveis ao discurso do Governo boliviano.

No entanto, acreditam que tornará difícil a entrada de capitais na Bolívia, uma vez que as medidas adotadas e os procedimentos escolhidos tem sido identificados como violentos e inadequados com os procedimentos atuais na sociedade internacional, tanto que as expropriações realizadas em 2010 levaram a Bolívia à “Corte de Haia”.

Apesar de Morales afirmar que o Governo espanhol estava informado da decisão e ter ido se encontrar com o presidente da espanhola Repsol, Antonio Brufau, na inauguração da segunda unidade processadora de gás de “Campo Margarita”, não se acredita que a situação esteja calma por parte dos seus proprietários, uma vez que o Governo boliviano tem declarado explicitamente que deseja estatizar todo os setores estratégicos do país e tem dado mostras de usar taticamente os investimentos estrangeiros para alavancar as empresas até o momento em que lhe é favorável para a nacionalização.

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Fontes:

* Ver:

http://sul21.com.br/jornal/2012/05/na-bolivia-morales-nacionaliza-companhia-de-eletricidade-espanhola/

** Ver:

http://www.infomoney.com.br/noticias/noticia/2420115-dia+trabalho+bolivia+nacionaliza+empresa+eletricidade

*** Ver:

http://br.reuters.com/article/businessNews/idBRSPE84002U20120501

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Ver também:

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/21555/presidente+da+bolivia+reestatiza+divisao+de+companhia+eletrica+espanhola.shtml

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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