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Novas negociações internacionais: resultados concretos ou apenas novas postergações de velhos comprometimentos?

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Neste período adjacente à comemoração do “Dia Mundial do Meio Ambiente” (ocorrido ontem, quarta-feira, dia 5 de junho), acontece em Bonn (Alemanha), do dia 3 a 14 de junho, uma rodada de negociações liderada pela “Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas(UNFCCC, sigla em inglês de “United Nations Framework Convention on Climate Change”) que tem como objetivo a elaboração de um acordo internacional até 2015 para combater o aquecimento global, mas que deve entrar em vigor apenas em 2020.

A agenda do Evento, que se estende por 12 dias, almeja esboçar as linhas de um acordo mais abrangente que o Protocolo de Kyoto”, com o comprometimento de países como a China e os “Estados Unidos”, os maiores emissores de carbono.  Importante destacar que os Estados Unidos não são signatários doProtocolo de Kyoto”, com a alegação de que aderir ao Protocolo significaria o comprometimento da economia norte-americana.  Em relação à China, não inclui metas obrigatórias, por ser considerado um país em desenvolvimento, como nos países do BRICS.O comprometimento de todos os Estados participantes pelas “Nações Unidas” para as negociações de Bonn é de limitar o aquecimento global a +2°C com relação à época pré-industrial. Entretanto, relatórios científicos indicam que esta meta não deverá mais ser alcançada, considerando a atual concentração de dióxido de carbono na atmosfera, que alcançou recentemente, pela primeira vez na história da humanidade, a marca de 400 partes por milhão (PPM). 

Em setembro, será publicado o próximo relatório científico do “Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas” (IPCC). Em 2007, quando o IPCC publicou seu último relatório sobre as mudanças climáticas globais, foram descritos cenários futuros da possível concentração de gases de efeito estufa na atmosfera, com a elevação da temperatura a +2°C e concentração de CO2. Os resultados seriam mudanças a níveis seguros do clima global, quando a população seria capaz de se adaptar à nova realidade.  Destacam-se, contudo, o degelo de áreas congeladas e aumento do nível dos oceanos.

A elevação da temperatura acima de +2°C e concentração de CO2 acima dos 400 PPM é preocupante e poderá trazer diversos tipos de alterações no meio ambiente, inclusive mudanças nas épocas de colheitas de alimentos, aumento do nível do mar e migração de regiões costeiras.

A pergunta que permanece é se de fato teremos a implementação de metas claras e objetivas por parte de todos os países, que é fundamental para o efetivo controle das mudanças climáticas, ou se devemos apenas nos adaptar a novas realidades, inclusive a possível alteração de ciclos de chuva, indispensável para o desenvolvimento da agropecuária, manutenção do fluxo de água de hidrelétricas, preservação de florestas e outros.

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Imagem (Fonte):

http://plantebonito.blogspot.com.br/2010/08/negociacoes-de-clima-da-onu-precisam.html

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Fontes consultadas:

Ver:

http://www.gazetadesaojoaodelrei.com.br/site/2013/06/artigo-chegamos-aos-400-ppm-de-co2-na-atmosfera-e-agora/

Ver:

http://unfccc4.meta-fusion.com/kongresse/sb38/templ/ovw_onDemand.php?id_kongressmain=243

Ver:

http://g1.globo.com/globo-news/cidades-e-solucoes/platb/2013/05/22/400-ppm-de-co2-recorde-historico-na-atmosfera/

Ver:

http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/mundo/2013/06/03/interna_mundo,369374/comecam-em-bonn-negociacoes-por-acordo-contra-mudancas-climaticas.shtml

Ver:

http://unfccc.int/files/press/press_releases_advisories/application/pdf/20130602_sb38_open.pdf

Ver:

http://www.iisd.ca/climate/sb38/

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Bernhard Javier Lago Smid - Colaborador Voluntário Sênior

Doutor pela ESC Rennes (França), possui Mestrado em Negócios Internacionais pela Munich Business School (Alemanha) e MBA em Comércio Exterior pela Fundação Getúlio Vargas (Brasil). Atualmente, é Diretor Executivo do Instituto de Capital Natural da Amazônia – ICNA, uma ONG com sede em Manaus (Brasil), que atua em questões relacionadas ao meio ambiente e ao clima (silvicultura, REDD+, pagamento por serviços ecossistêmicos, análise de políticas e assuntos governamentais). Através do ICNA, Bernhard compõe o CCT sobre Salvaguardas de REDD, estabelecido pelo Ministério do Meio Ambiente. Além de seu trabalho no ICNA, é relevante mencionar seu envolvimento com a empresa Matchmaking Brazil, que presta consultoria e apoio em gestão empresarial, gestão da qualidade, comércio exterior e promoção de comércio internacional. Adicionalmente, é associado sênior e membro da comissão de relações de mercado na Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais (ABRIG) e Membro do Conselho Diretor da Climate Markets & Investment Association (CMIA), com sede em Oxford – UK. Adicionalmente, ele participa frequentemente de vários treinamentos e workshops sobre agronegócios e mudanças climáticas, incluindo o treinamento oferecido pela International Carbon Action Partnership – ICAP, Alemanha, para Líderes de Países Emergentes e em Desenvolvimento; a Summer School sobre mudanças climáticas e a adaptação de cidades e áreas metropolitanas (Havencity University de Hamburgo, Alemanha); e o curso técnico em agronegócios (CNA / SENAR).Viajar e aprender novas culturas são a paixão de Bernhard, que já teve a oportunidade de viajar por prazer e trabalhar para um grande número de países. É fluente em português, inglês, espanhol e alemão. Outros detalhes estão disponíveis no Linkedin: http://www.linkedin.com/in/bsmid

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