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No dia 1º de março, Vladimir Putin, Presidente da Federação Russa, realizou seu discurso anual diante da Assembleia Federal da Rússia. É tradição que esse pronunciamento seja realizado para destacar as principais diretrizes de políticas internas e externas que estão sendo seguidas pelo país. Dessa forma, ao realizá-lo no início desse mês (março 2018), não se sabia qual o foco Putin seguiria, visto que as eleições presidenciais estão marcadas para ocorrer no dia 18 de março.

Como de costume, o discurso do atual Mandatário iniciou com a apresentação da situação socioeconômica da Federação Russa. Destacou um direcionamento mais concreto e preciso para a retomada do crescimento do PIB per capita do país, assim como medidas para a diminuição da pobreza e o crescimento da expectativa de vida da população.

O atual presidente da Federação Russa, Vladimir Putin, em entrevista ao canal de TV norte-americano, NBC

No entanto, essa parte do discurso não fez tanto sucesso quanto aquela em que realizou o anúncio de caráter militar. De acordo com Putin, a Rússia está desenvolvendo um novo arsenal atômico, com mísseis balísticos intercontinentais que são capazes de ultrapassar sistemas de defesas, drones que carregam armas nucleares por debaixo d’água e projéteis nucleares supersônicos. Além disso, um novo arranjo de proteção a ataques também está sendo aprimorado, uma resposta evidente à intenção norte-americana de criar um sistema de defesa antimíssil naval de cinco cruzadores e 30 destroieres nos arredores das fronteiras da Rússia.

O pronunciamento de Putin foi interpretado pela mídia ocidental como o começo de uma corrida armamentista e até foi mencionado o possível início de uma nova Guerra Fria. De fato, o armamento apresentado e todo o sistema de defesa destacam o reerguimento da força militar do país. Entretanto, em uma entrevista concedida ao programa Megyn Kelly Today, do canal norte-americano NBC, Vladimir Putin afirmou que essa visão é puramente de caráter propagandista, pois a Rússia está nada mais que equiparando seu programa militar ao resto das nações desenvolvidas belicamente.

Em realidade, ele apontou que, se for para destacar o início de uma corrida armamentista, isso ocorreu em 2002, quando os Estados Unidos da América (EUA), sob o Governo de George W. Bush, retiraram-se do Tratado sobre Mísseis Antibalísticos, o qual limitava o teste de sistemas de defesas antimísseis e estava vigente desde 1972. Desde essa saída do Acordo, os EUA começaram a instalar várias defesas antimísseis na Europa Oriental, como na Romênia e na Polônia. Isso foi configurado como uma ameaça à Rússia, visto que ela nunca foi convidada a participar desse plano e, cada vez mais, os norte-americanos aproximam-se de suas fronteiras ao anexar novos países do Leste Europeu no Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

Outra questão é que a apresentação desse novo arsenal atômico russo veio em um período em que o atual presidente dos EUA, Donald Trump, autorizou o aumento dos gastos estatais para modernizar o armamento nuclear do seu país. Dessa forma, as novas armas russas apresentadas não devem ser avaliadas isoladamente do resto do mundo, visto que muitas outras nações têm seus próprios programas de aprimoramento, mas, também, não se deve subestimar a Rússia. Como o próprio presidente Putin afirmou: “(…) a tentativa (do Ocidente) de conter a Rússia não correu bem, porém, não se tem o interesse de ameaçar e nem de atacar ninguém, não há nenhum tratado internacional sendo violado (…)”. Mas, continuou: “(…) o uso de armas nucleares contra a Rússia e seus aliados, sejam quais forem as forças delas, será considerado um ataque nuclear à Rússia”.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Míssil Russo SS18, o Sarmat, apelidado deSatãpela Organização do Atlântico Norte (OTAN) (Fonte): 

https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=12220573

Imagem 2 O atual presidente da Federação Russa, Vladimir Putin, em entrevista ao canal de TV norteamericano, NBC” (Fonte):

http://en.kremlin.ru/events/president/news/57027/photos

Isabela Joia - Colaboradora Voluntária

Bacharela em Relações Internacionais pelas Faculdades de Campinas (FACAMP) e atual graduanda em Ciências Econômicas pela mesma instituição. Participou da Newsletter do Centro de Estudos de Relações Internacionais (CERI) da FACAMP como redatora e corretora de artigos. Fez sua tese de conclusão de curso sobre as relações diplomáticas entre a Rússia e os Estados Unidos no pós Guerra Fria. Tem grande paixão pela escrita e por assuntos relacionados à Segurança Internacional e Diplomacia.

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