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Novo ataque a comunidades muçulmanas por radicais budistas em Burma

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Autoridades do vilarejo Pauk Taw Wa”, na região oeste do estado de Rakhine, em Burma (localizado no Sudeste da Ásia, também conhecido como “Myanmar”), confirmaram um novo ataque por parte de radicais Budistas objetivando famílias muçulmanas na região.  De acordo com o noticiado pela mídia internacional[1], o ataque, que vitimou seis pessoas (a maioria queimadas vivas) e destruiu dezenas de casas, ocorreu entre os dias 4 e 5 de outubro de 2013.

Este foi o mais recente episódio de violência sectária no país, desde que estes começaram em meados de 2012. De acordo com especialistas em direitos humanos da “Organização das Nações Unidas” (ONU), até o momento, mais de 200 pessoas já foram mortas e mais de 120.000 foram desalojadas de suas casas em função dos conflitos[2].

Rakhine situa-se junto à fronteira com Bangladesh e os choques entre budistas e a minoria muçulmana tem antecedentes históricos naquele estado. Os Muçulmanos que vivem em Rakhine são conhecidos como Rohingya e não são reconhecidos como uma das etnias oficiais pelo governo central. Por conta disto, os mesmos têm sido sistematicamente discriminados por outros grupos étnicos que se referem a eles como Bengalis por acreditarem que os mesmos descendam de etnias oriundas de Bangladesh.

Os choques entre comunidades Budistas na região de Rakhine estão conectados com um  movimento mais amplo que vem tomando conta do país desde meados de 2012. Desde o ano passado o grupo denominado 969 (o número representa as principais virtudes de Buda) liderado pelo Monge chamado Wirathu, prega o boicote a produtos e serviços prestados por Muçulmanos e ações violentas em caso de qualquer provocação ou desrespeito às crenças Budistas.

Wirathu que chegou a ser capa da revista Time em junho de 2013, foi chamado de  “A Face do Terror Budista pela publicação norte-americana por conta de  seu papel em incitar a violência entre Muçulmanos e Budistas[3]. Desde então, a revista foi banida de circulação no país[4].

O movimento 969 vem ganhando força justamente em um momento que aJunta Militarque governa há mais de vinte anos dá sinais de abertura política e relaxamento das restrições à democracia no país. O processo tem desencadeado uma série de manifestações nacionalistas por parte das diversas etnias que compõem o atual território, que foi colônia britânica de 1824 a 1948.

Analistas indicam que o radicalismo pregado por Wirathu tem oferecido uma válvula de escape também para os sentimentos nacionalistas que sempre estiveram presentes no país mas que vinham sendo reprimidos pelo regime militar[5].

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ImagemO Ministro da Defesa General   Hla Min (centro) fala com moradores do vilarejo Pauk Taw Wa, em Rakhine (Burma). O vilarejo foi atacado deixando dezenas de desabrigados” (Fonte):

http://www.gulf-times.com/asean-philippines/188/details/367746/latest-myanmar-violence-blamed-on-radicals

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Fontes Consultadas:

[1] VerLatest Myanmar violence blamed on radicals”:

http://www.gulf-times.com/asean-philippines/188/details/367746/latest-myanmar-violence-blamed-on-radicals

[2] VerMyanmar authorities must do more to stop spread of violence – UN independent expert”:

http://www.un.org/apps/news/story.asp?NewsID=44521#.UlTz8FCnqHw

[3] VerThe Face of Buddhist Terror”:

http://content.time.com/time/magazine/article/0,9171,2146000,00.html

[4] Ver Myanmar Bans TIME Magazine Issue Over ‘Buddhist Terror’ Cover”:  

http://blogs.wsj.com/searealtime/2013/06/26/myanmar-bans-time-magazine-over-buddhist-terror-cover/

[5] Ver “The Dark Side of Transition: Violence Against Muslims in Myanmar”:

http://www.crisisgroup.org/en/regions/asia/south-east-asia/myanmar/251-the-dark-side-of-transition-violence-against-muslims-in-myanmar.aspx

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Moisés Lopes de Souza - Colaborador Voluntário Sênior

Graduado em Relações Internacionais pelas Faculdades Integradas Rio Branco. Doutorando em Estudos de Ásia-Pácifico no Doctoral Program in Asia-Pacific Studies (IDAS) da National Chengchi University (Taiwan). Pesquisador Associado do Center for Latin America Trade and Economy, Chihlee Institute of Technology.

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1 Comments

  1. Eduardo 14 de dezembro de 2016

    Site maravilhoso o de vocês!

    Responder

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