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Novos ataques terroristas em Moçambique freiam expansão econômica

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Novos ataques acossaram a província de Cabo Delgado, na região nordeste de Moçambique, divisa com a Tanzânia. Segundo fontes locais, 12 pessoas foram mortas e outras 14 foram feridas por terroristas islâmicos pertencentes à Al-Shabaab – grupo de mesmo nome, porém sem relação ao grupo somali.

Este é mais um de uma série de atentados ocorridos na região desde outubro do ano passado (2017). Na ocasião, dois policiais foram mortos em Mocimboa da Praia naquele que viria a ser o primeiro ataque jihadista da história de Moçambique. Desde então, forças armadas e terroristas têm entrado em constante conflito, totalizando 40 mortes e o aprisionamento de mais de 300 muçulmanos suspeitos de envolvimento.

Uma visão do Sudeste da ‘Troll A Platform

De acordo com analistas, a Al-Shabaab é formada por moçambicanos e tanzanianos, majoritariamente, tendo como principal objetivo a constituição de um califado na região. Acredita-se que este grupo tenha laços também com unidades terroristas localizadas no Quênia, na Somália e na Região dos Grandes Lagos, onde receberam treinamento para a concepção e realização dos ataques, bem como a aquisição de armamentos.

Cabo Delgado tem ocupado papel coadjuvante no conjunto de políticas públicas do Estado moçambicano nos últimos 20 anos, não usufruindo dos principais avanços econômicos e sociais que as demais regiões do país presenciaram. Neste sentido, muito se pode discutir sobre como a emergência de práticas terroristas está associada às deterioradas condições de vida da população local. No entanto, esta conjuntura socioeconômica poderá ser alterada nos próximos anos.

As recentes descobertas de gás natural posicionam a região como o epicentro das mudanças estruturais que empresários e autoridades esperam para Moçambique para os próximos anos. Estima-se que a capacidade total de exploração das minas descobertas seja capaz de alçar o país ao patamar de terceiro maior produtor mundial dessa commodity – fato que, de acordo com fontes especializadas, aumentaria em sete vezes o tamanho do Produto Interno Bruto (PIB) nacional. Com isso, o interesse de consolidar a exploração ocupa papel central no planejamento estratégico do governo de Filipe Nyusi.

Embora economicamente atrativa, a produção de gás natural encontra suas barreiras mediante os crescentes ataques nas adjacências de Palma, capital da província de Cabo Delgado. Não à toa, forças armadas foram mobilizadas desde o final de 2017 para a região, a fim de pacificá-la, reduzir o número de ataques a civis e estabilizá-la para então levar a cabo a exploração da tão almejada commodity. Entretanto, a estratégia ainda não pareceu ter surtido efeito, à medida que crescem os incidentes terroristas e número de vítimas.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Os soldados da Força de Defesa Nacional Africana subiram uma colina durante um ataque simulado conjunto entre EUA e África do Sul, no dia 26 de julho, como parte do exercício Shared Accord 2011. AS11 é uma missão bilateral de treinamento militar e assistência civil realizada anualmente em toda a África” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:South_African_National_Defense_Force_soldiers_on_their_way.jpg

Imagem 2Uma visão do Sudeste da Troll A Platform” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Troll_A_platform#/media/File:Troll_A_Platform.jpg

Pedro Frizo - Colaborador Voluntário

Economista pela ESALQ-USP, é atualmente mestrando em Sociologia pelo Programa de Pós- Graduação do IFCH-UFRGS. Foi pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM). Atualmente desenvolve pesquisas na área de Sociologia Econômica, Economia Política e Sociologia do Desenvolvimento. Escreve no CEIRI Newspaper sobre economia e política africana, como foco em Angola, Etiópia e Moçambique

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