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Novos centros de Cooperação China-Lusófonos em andamento

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Na China serão construídos mais três novos centros para a cooperação entre Beijing e os países de língua portuguesa, um projeto que será necessário para manter ativa a atual relação entre chineses e países lusófonos e projetar novos horizontes para a mesma. Macau será a cede destes novos centros de cooperação e todos os envolvidos já dão prioridade para a contratação de profissionais bilíngues.

Atualmente, a China é o maior parceiro comercial de todos os países de língua portuguesa existente no globo. O aumento dos investimentos chineses na Europa (via Portugal), na África (através de Moçambique e Angola) e nas Américas (via Brasil), já deixa desenhado quais são os objetivos chineses. Desejam estreitar relacionamento por meio da cooperação, com o intuito de alcançar metas comerciais e diplomáticas nestas regiões. Para atingir tal intento, se vê necessária a ampliação da rede de agências e escritórios para dar continuidade aos atuais projetos e para a criação de novos.

Durante a “Quarta Conferência Ministerial do Fórum Macau”, o vice-primeiro-ministro chinês Wang Yang anunciou a criação destas novas instalações em Macau.  Hoje, o Fórum conta com a participação de Angola, Brasil, “Cabo Verde”, “Guiné-Bissau”, Moçambique, Portugal, “Timor Leste”, como principais países lusófonos, que mantém constantes intercâmbios comerciais com os chineses.

O evento contou com a presença de importantes autoridades destes Estados, como o vice-presidente do Brasil, Michel Temer; o vice-primeiro-ministro de Portugal, Paulo Portas, e o primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Rui Duarte Barros. As autoridades tiveram seus espaços para diálogos bilaterais com os representantes chineses e felicitaram Yang e a China pela iniciativa.

A ação animou os angolanos que durante o decurso de um jantar comemorativo do 38º aniversário da independência de Angola, o cônsul-geral do país, Pedro da Silva Feijó Sobrinho, felicitou o projeto e já está investindo em alternativas para melhorar essas relações dentro de seu próprio país.

Afirmou: “Macau como plataforma trouxe uma instituição que é o Fórum e o que faltava [a esta entidade] era que dinamizasse o sector dos serviços (…). Estes centros incluirão convenções e exposições, distribuição alimentar e serviços comerciais para as pequenas e médias empresas dos países de língua portuguesa, entendendo nós que Angola encontrará neles uma base técnica, logística, de distribuição, de armazenamento, para a partir daí divulgar os seus produtos no continente chinês[1].

A China desenvolve muitos projetos bilaterais com alguns destes países, como, por  exemplo, o Brasil, onde ambos utilizam suas moedas locais para as suas transações comerciais, substituindo o dólar norte-americano. O país também iniciou a criação do “Fundo de Cooperação China-CPLP” e outros projetos para aumentar os investimentos em projetos mútuos.

A partir da última Conferência, a prioridade passou para a questão da comunicação especializada entre chineses e lusófonos. Desde 1961, foi criada  a licenciatura de língua portuguesa dentro daUniversidade de Estudos Estrangeiros de Beijing”, principal escola de idiomas em toda a China, instituição que nos últimos 50 anos, teve mais de 400 profissionais formados, sendo que estes atuam em áreas da diplomacia, no setor comercial, no cultural e na área educacional.

Com as novas prioridades chinesas, outros institutos de especialização de língua chinesa e portuguesa podem ganhar fôlego, como é o caso dos institutos Confúcio instalados nos países lusófonos, dos “Institutos Camões” na China, além do incentivo ao intercâmbio técnico realizado entre as universidades destas nações, como é o exemplo da “Universidade São Paulo” (USP) com o “Centro de Estudos Estrangeiros de Beijing”.

Todo esse incentivo dos chineses é compreensível quando se entende um pouco de sua cultura tradicional, pois, para eles, quando se está fora de seu país a prioridade é se adaptar a cultura estrangeira (partindo da comunicação no idioma local) e respeitar as culturas locais.

Observando as manobras dos diplomatas, comerciantes e das entidades especializadas nos países lusófonos, entendemos que o objetivo principal da China está em criar elos, mecanismo próprios para comunicar-se e negociar, sem utilizar de meios alternativos cambiais ou de comunicação para a realização do mesmo. Ou seja, objetivam excluir a língua inglesa em suas relações.

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ImagemPedro da Silva Feijó Sobrinho, o cônsul-geral de Angola” (Fonte): Macauhub

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.macauhub.com.mo/pt/2013/11/18/relacionamento-entre-a-china-e-os-paises-de-lingua-portuguesa-precisa-de-pessoas-bilingues/

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Ver também:

http://news.xinhuanet.com/english/china/2013-11/05/c_125649885.htm

Ver também:

http://www.forumchinaplp.org.mo/pt/announce.php?id=1928

Ver também:

http://www.portunes-online.com/index.php/Beijing

Ver também:

http://www.instituto-camoes.pt/index.php?Itemid=729&option=com_moofaq&view=category&id=768

Fabricio Bomjardim - Analista CEIRI - MTB: 0067912SP

Bacharel em Relações Internacionais (2009) e técnico em Negociações Internacionais (2007) pela Universidade Anhembi Morumbi (UAM). Atua na área de Política Econômica com foco nos países do sudeste e leste asiático, sendo referência em questões relacionadas a China. Atualmente é membro da Júnior Chamber International Brasil-China, promovendo as relações sócio-culturais sino-brasileiras em São Paulo e Articulista da Revista da Câmara de Comércio BRICS. Também atuou como Consultor de Câmbio no Grupo Confidence.

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