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Novos confrontos entre soldados e manifestantes curdos na Turquia

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Nesta terça-feira, 19 de agosto, uma pessoa foi morta e outras duas ficaram feridas como resultado dos confrontos entre manifestantes e forças de segurança no sudeste da Turquia[1]. Os combates tiveram início quando um grupo de manifestantes tentou impedir que as forças de segurança, apoiadas por helicópteros militares, executassem uma decisão judicial para retirar a estátua de Mahsum Korkmaz, um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), erguida na província de Diyarbakir, no sudeste do país[1]

O Partido é considerado ilegal pelo Governo turco e, no domingo, o Gabinete do Governador de Diyarbakir havia entrado com uma ação para exigir uma investigação sobre “aqueles responsáveis ​​pela criação da estátua[2]. Um dia depois, o tribunal local exigiu sua demolição. A obra, erguida na última sexta-feira, 15 de agosto, foi inaugurada em um cemitério, em 16 de agosto do ano passado (2013), em homenagem aos membros do PKK, marcando o 30º aniversário da primeira batalha armada de militantes do PKK contra as forças turcas nos distritos de Hakkari’s Şemdinli e Siirt’s Eruh,em 1984. Seu líder Korkmaz, cujo codinome era Egîd, foi morto pelas forças de segurança turcas em 1986[3][4][5].

Um grupo de manifestantes reunido nas imediações da estátua teria aberto fogo, atirando pedras e fogos de artifício nos oficiais. As forças de segurança revidaram e foi quando Mehdi Taskin, manifestante de 24 anos, foi morto, supostamente baleado na cabeça. Outro manifestante está em estado crítico com quatro ferimentos à bala, disse a Associação Turca para Direitos Humanos[1].

O comunicado oficial no site do Estado-Maior turco declarou que “As unidades militares reagiram imediatamente ao forte grupo terrorista de 200-250 membros, que realizou um ataque armado durante a demolição da estátua[6]. O grupo teria feito uso de lança-foguetes, rifles e explosivos caseiros[1]. Ainda de acordo com as fontes oficiais, o soldado turco Uğur Ünal, de 27 anos, também morreu depois de receber um tiro acidental em meio à operação[3].

As forças de segurança deixaram o local após a remoção da estátua. O General do Estado-Maior declarou que vários orifícios de balas foram encontrados nos veículos militares, bem como seis buracos de bala em dois helicópteros militares[2]. Ao mesmo tempo, a União das Comunidades do Curdistão (KCK), braço político dos militantes curdos, emitiu uma declaração pedindo ao Partido AK,no poder, para “parar de brincar com fogo e acabar com seu ataque ao povo curdo[1].

O PKK, considerado um grupo terrorista pela Turquia, União Europeia e Estados Unidos, travou uma insurgência de três décadas para pressionar por maiores direitos aos curdos. Mas as hostilidades em grande parte vêm diminuindo desde o cessar-fogo firmado com o Governo, em março de 2013[1]. Os guerrilheiros do PKK têm, entretanto, assistido às pressas os militantes curdos de Peshmerga, no norte do Iraque, lutando contra o avanço dos militantes do Estado Islâmico – inclusive ao lado dos EUA, que realizam ataques aéreos em apoio às forças curdas[1].

A Turquia iniciou as negociações de paz com o líder preso do PKK, Abdullah Ocalan,em 2012 e, em 10 de junhopassado, o Parlamento aprovou pela primeira vez um aparato jurídico para o processo, passo importante para acabar com a insurgência e para manutenção do cessar-fogo. A iniciativa visa acabar com um problema de longa data para a Turquia, o do terrorismo, que já custou mais de 40.000 vidas e obstruiu o desenvolvimento das cidades majoritariamente curdas do sudeste do país[5].

O presidente Tayyip Erdogan apostou capital político considerável nos esforços de paz, ampliando os direitos culturais e linguísticos aos curdos, mesmo arriscando alienar algumas de suas próprias bases nacionalistas de apoio[1]. Os curdos representam cerca de um quinto da população da Turquia e seu apoio pode aumentar as chances de Erdogan fortalecer seus poderes na Presidência[1].

Em setembro do ano passado (2013), o Governo anunciou um “pacote de democratização”, que trouxe direitos políticos mais amplos, educação na língua materna e penalidades mais duras para o discurso do ódio[5]. Mas a suspeita mútua entre as comunidades curdas e as forças de segurança ainda é alta em algumas partes do sudeste – região que tem sido, na prática, uma zona militarizada desde os anos 1990[1].

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Imagem Confrontos eclodem em Lice depois que as forças de segurança removeram a estátua do fundador do PKK” (Fonte Crédito: AA):

http://www.hurriyetdailynews.com/one-killed-in-clashes-during-operation-to-remove-controversial-statue-of-pkk-founder.aspx?PageID=238&NID=70608&NewsCatID=341

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.reuters.com/article/2014/08/19/us-turkey-kurds-idUSKBN0GJ0U520140819

[2] Ver:

http://www.hurriyetdailynews.com/one-killed-in-clashes-during-operation-to-remove-controversial-statue-of-pkk-founder.aspx?PageID=238&NID=70608&NewsCatID=341

[3] Ver:

http://www.aa.com.tr/en/turkey/375946–turkish-soldier-dies-from-accidental-wound

[4] Ver:

http://www.neurope.eu/article/one-killed-clash-over-statue-demolition-turkey

[5] Ver:

http://www.aa.com.tr/en/turkey/375893–pkk-diverts-attention-from-kurds-real-needs-burkay

[6] Ver:

http://www.aa.com.tr/en/turkey/375577–one-killed-over-demolition-of-pkk-statue-in-turkey

Natalia Nahas Carneiro Maia Calfat - Colaboradora Voluntária

Doutoranda e mestre pelo programa de Ciência Política da USP e diretora de Relações Internacionais do Icarabe, Instituto da Cultura Árabe. Possui bacharelado em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo e pós-graduação em Política e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). É integrante do Grupo de Trabalho sobre Oriente Médio e Mundo Muçulmano na Universidade de São Paulo (GT OMMM).

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