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A relação diplomática entre Brasil e Moçambique obteve um novo episódio com a visita do atual ministro brasileiro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, ao país africano nos dias 11 e 12 de maio. Um grupo de 17 empresários brasileiros de setores como o do agronegócio, da saúde e do comércio acompanharam a autoridade na visita a Moçambique.

Recebido pelo ministro moçambicano dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, Oldemiro Balói, a comitiva do Brasil realizou a viagem com o intuito de aprofundar os laços diplomáticos e comerciais com Moçambique, o principal destino de investimentos brasileiros no continente africano. As relações haviam sido estremecidas após o anúncio do ex-chanceler brasileiro, José Serra, sobre o fechamento de uma série de embaixadas na África e na Ásia, para a contenção de gastos.

Os principais acordos selados entre os ministros estão relacionados ao aprofundamento da cooperação entre os dois Estados estabelecida ao longo de 40 anos de relações entre ambos os países. Na ocasião, dois projetos dentro do Acordo Geral de Cooperação estabelecido receberam atenção especial: o projeto de Fortalecimento da Educação Profissional e Tecnológica de Moçambique e o projeto de Capacitação Técnica em Inspeção e Relações de Trabalho.

Além disso, um acordo na área da Previdência Social foi selado em conjunto com Governo moçambicano. O acordo prevê a possibilidade de que a contribuição do brasileiro radicado em Moçambique também seja contabilizada no sistema de seguridade social brasileiro, permitindo a retirada de benefícios como o da aposentadoria e pensão por morte. O Governo do Brasil prevê o beneficiamento de aproximadamente mil e quinhentos brasileiros radicados em Moçambique. A ratificação final do acordo depende de aprovação no Congresso Nacional Brasileiro.

Para o Brasil, a viagem significa uma reaproximação com um importante parceiro econômico, na tentativa de expandir o mercado consumidor externo frente à expressiva recessão econômica vivenciada no país. Do lado moçambicano, os interesses se voltam a manter a entrada de investimentos em meio a um cenário de debandada de investidores externos após a revelação de dívidas de, aproximadamente, 1,4 bilhão de dólares em abril do ano passado (2016).

A viagem também foi marcada pela inauguração do corredor logístico de Nacala: a linha ferroviária que conecta a mina de carvão controlada pela Vale, em Moatize, ao porto de Nacala, na região nordeste do país. O corredor, cujo investimento total estimado foi de oito bilhões de dólares, constitui-se como um dos principais investimentos realizados por uma companhia brasileira em Moçambique.

Embalados pela construção da ferrovia, conglomerados agrícolas brasileiros, como o Grupo Pinesso, e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) se instalaram na mesma região. Nela, a EMBRAPA desenvolve um dos principais projetos de cooperação do Brasil em Moçambique, o Prosavana, que visa expandir significativamente a produção de alimentos na região, repetindo a experiência ocorrida no cerrado brasileiro na segunda metade do século passado, apesar das expressivas críticas que são feitas por organismos locais, referentes ao deslocamento da população local e aos danos ecológicos com a transformação agrícola projetada.

Com diversos interesses econômicos, o Brasil projeta-se novamente em Moçambique, após um período de arrefecimento devido à crise política. Resta saber se as relações entre dois países do Globo Sul serão marcadas por benefícios mútuos ou por uma repetição do padrão desigual, especialmente no que diz respeito à deterioração dos termos de troca, das relações comerciais Sul e Norte.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Bandeiras de Brasil e República de Moçambique” (Fonte):

http://www.itamaraty.gov.br/pt-BR/ficha-pais/5534-republica-de-mocambique

Imagem 2 Aloysio NunesMinistro das Relações Exteriores do Brasil” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Senador_Aloysio_Nunes_Ferreira_(PSDB-SP)_concede_entrevista_(16863886677).jpg

Imagem 3 Marca da Embrapa” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Empresa_Brasileira_de_Pesquisa_Agropecuária

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Pedro Frizo - Colaborador Voluntário

Economista pela ESALQ-USP, é atualmente mestrando em Sociologia pelo Programa de Pós- Graduação do IFCH-UFRGS. Foi pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM). Atualmente desenvolve pesquisas na área de Sociologia Econômica, Economia Política e Sociologia do Desenvolvimento. Escreve no CEIRI Newspaper sobre economia e política africana, como foco em Angola, Etiópia e Moçambique

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