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A discussão a respeito da privacidade online tomou grande força no mundo pós-Snowden, quando a privacidade passou a ser uma preocupação maior, tanto para os usuários quanto para as empresas. No entanto, esse aumento da busca pela privacidade e uso da criptografia representa um forte oponente para a coleta de dados em massa, realizada pela Agência de Segurança Nacional norte-americana, a NSA.

Nesta segunda-feira, dia 11 de julho, o site The Merkle, especializado em privacidade e cripto-moedas, reportou que jornalistas, ativistas e usuários de sites e softwares ligados a privacidade são classificados como “extremistas pela NSA. O cerco da Agência à programas de privacidade online é corroborado pela afirmação de umas das desenvolvedoras do Tor Project, Isis Agora Lovecruft, segundo a qual agentes do FBI a intimidaram e pressionaram a ceder informações a respeito do funcionamento plataforma, de forma que a mesma teve que se mudar para a Alemanha.

O Tor Project é um software que rebate e criptografa as informações dos usuários, através de diferentes nós na rede – cada computador conectado à rede Tor representa um desses nós, dessa forma, o endereço de IP e as informações contidas na transmissão de dados são embaralhadas com as outras e, então, rebatidas através de diferentes endereços de IP no mundo, para promover o anonimato dos usuários. No entanto, o cerco à usuários do Tor vêm se fechando com a recém decisão nos EUA de que um juiz federal poderá emitir mandados à quem estiver utilizando o Tor e, pela própria natureza do programa, contribuindo com o anonimato de outros usuários.

No entanto, a questão da privacidade online tomou mais força após todo o embate Apple versus FBI, a respeito do acesso às informações criptografadas no celular de um dos terroristas responsáveis pelo atentado em San Bernardino, em dezembro do ano passado, além da adoção da criptografia em aplicativos como o WhatsApp. Porém, o que levanta problemas do ponto de vista das relações internacionais são as constantes tentativas da NSA, um órgão do Governo norte-americano, tentar monitorar pessoas, instituições e empresas que não estão sob sua jurisdição.

O fato de a maioria das empresas de Internet estarem em território estadunidense e, portanto, sujeitas às suas Leis não deve permitir que os usuários não americanos dos serviços dessas empresas também estejam sujeitos à essas Leis. O próprio argumento da Apple, quando se negou a ajudar o FBI a desbloquear o iPhone do atirador de San Bernardino, é de que “o FBI pode usar palavras diferentes para descrever esta ferramenta, mas não se engane: Criar uma versão do iOS que ignora a segurança desta forma seria inegavelmente criar uma porta dos fundos. E enquanto o governo pode argumentar que a sua utilização seria limitado a este caso, não há nenhuma maneira de garantir tal controle”. Logo, o FBI teria uma porta dos fundos à todos os iPhones, independente do país em que eles estão sendo usados. Outros desafios às relações internacionais decorre da vigilância da NSA sobre servidores da rede Tor que não estão localizados em território norte-americano, portanto não estão sob a sua jurisdição.

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Imagem (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Tor_(rede_de_anonimato)#/media/File:Tor-logo-2011-flat.svg

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Breno Pauli Medeiros - Colaborador Voluntário Júnior

Mestrando em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME). Formado em Licenciatura e Bacharelado em Geografia pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Desenvolve pesquisa sobre o Ciberespaço, monitoramento, espionagem cibernética e suas implicações para as relações internacionais. Concluiu a graduação em 2015, com a monografia “A Lógica Reticular da Internet, sua Governança e os Desafios à Soberania dos Estados Nacionais”. Ex bolsista de iniciação científica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), período no qual trabalhou no Museu Nacional. Possui trabalhos acadêmicos publicados na área de Geo-História e Geopolítica.

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