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Uma das promessas da tecnologia de moedas virtuais e em especial da Bitcoin é o seu aspecto descentralizado, privado e sem a intervenção de uma Instituição, Banco ou Governo gestor, como ocorre com as tradicionais moedas. As transações que utilizam moedas virtuais são historiadas em um livro de registros, público, conhecido como Blockchain, que atribui identificadores anônimos aos indivíduos que realizaram as transações. Seguindo essa lógica, a Bitcoin e as moedas virtuais de maneira geral são um recurso financeiro que garante grande privacidade aos seus usuários, de maneira legal e sem a intervenção de órgãos e/ou entidades que não sejam o comprador e vendedor.

Cabeçalho dos documentos publicados

No entanto, documentos datados de 2013, publicados e analisados pelo site “The Intercept, em março deste ano (2018), mostram as práticas da Agência de Segurança Nacional Norte-Americana (NSA)* para rastrear os usuários de Bitcoin. Aproveitando o esforço de monitoramento e obtenção de dados e informações em massa de indivíduos dentro e fora dos Estados Unidos, a NSA usou uma parte de suas capacidades para monitorar tais usuários.

Nos documentos obtidos, a NSA considerava alvos de “Bitcoin como uma prioridade nº1” e suas práticas iam além da consulta às transações registradas no Blockchain, consistindo, de acordo com a reportagem publicada pelo The Intercept, na coleta de dados dos computadores dos usuários, algumas senhas, atividade online, endereços de internet, registros de rede e até mesmo um identificador de dispositivos chamado de endereço MAC**. Os documentos identificam esses dados como “Alvos Bitcoin.”

Insígnia da NSA

Eles também sugerem que a NSA utilizava o sistema de buscas XKEYSCORE, produzido por ela, e servia como uma ferramenta de busca similar ao Google para as vastas quantidades de dados obtidos pela Agência. O sistema XKeyscore também auxiliava na junção de dados dos usuários com outras informações previamente obtidas, resultando em um retrato mais completo deles.

O rastreamento era feito por meio de uma rede de parcerias da NSA com empresas, conhecido como “OAKSTAR”, que permitia o monitoramento e coleta de dados diretamente nos cabos de fibra ótica. A partir daí um subprograma do OAKSTAR, com o nome de “MONEYROCKET”, era utilizado especificamente para alvos de Bitcoin, no Oriente Médio, na Europa, na América do Sul e na Ásia. A NSA não se posicionou em relação à reportagem.

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Notas:

* Que é a Agência destinada à segurança da comunicação, cripotanálise e inteligência de sinais (SIGINT).

** Corresponde à um identificador único associado ao receptor ou placa de rede.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Sede da NSA em Fort Meade, Maryland, EUA” (FonteNational Security Agency):

https://www.nsa.gov/resources/everyone/digital-media-center/image-galleries/places/

Domínio público, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=16450

Imagem 2Cabeçalho dos documentos publicados” (Fonte):

https://theintercept.com/document/2018/03/20/pages-from-oakstar-weekly-2013-03-08/

Imagem 3Insígnia da NSA” (Fonte):

https://www.nsa.gov/about/cryptologic-heritage/center-cryptologic-history/insignia/

Breno Pauli Medeiros - Colaborador Voluntário Júnior

Mestrando em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME). Formado em Licenciatura e Bacharelado em Geografia pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Desenvolve pesquisa sobre o Ciberespaço, monitoramento, espionagem cibernética e suas implicações para as relações internacionais. Concluiu a graduação em 2015, com a monografia “A Lógica Reticular da Internet, sua Governança e os Desafios à Soberania dos Estados Nacionais”. Ex bolsista de iniciação científica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), período no qual trabalhou no Museu Nacional. Possui trabalhos acadêmicos publicados na área de Geo-História e Geopolítica.

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