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Intelectuais chineses questionam a legitimidade do Japão sobre Okinawa

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Okinawa e as Ilhas Diaoyu-SenkakuNuma altura em que os governos dos “Estados Unidos” e do Japão concordaram em pôr em prática um plano que visa reduzir até ao ano de 2022 o número de bases e militares americanos junto as Ilhas de Okinawa (os cerca de 25.000 soldados americanos ocupam cerca de 19% do território), na imprensa estatal da China vozes da opinião pública há dias questionaram a legitimidade do Japão sobre não apenas Okinawa como também por toda a cadeia de Ryukyu, que engloba outras ilhas, agudizando, desta forma, a crise entre os dois gigantes asiáticos. Deve-se destacar que as disputadas ilhas Diaoyu/Senkaku entre a China e o Japão estão sob jurisdição da prefeitura de Okinawa, anexadas após a derrota da China no “Primeiro Conflito Sino-Japonês” (1894-1895)[1].

Tornando mais complexa a situação, há ainda vozes que concebem ser Okinawa parte de Taiwan[2]. Os chineses evocam razões históricas. De fato, o reino de Ryukyu desde o século XIV era tributário dos imperadores chineses e, a partir dos princípios do século XVII, passou também a ser vassalo de senhores feudais japoneses, sendo anexado em 1879 pelo centralizado Estado Meiji” (Japão Moderno).

No caso da presença de militares norte-americanos em Okiwana, ela data desde o tempo da “Segunda Guerra Mundial”, permanecendo mesmo depois da entrega formal de Okinawa ao Japão, em 1972. A situação tem causado descontentamento da população nativa que, além da manifestação em causa, também clama por autonomia em relação a Tóquio e certos jornalistas na China querem que o seu governo promova a independência das ilhas Ryukyu[3].    

Complementando as reivindicações publicadas recentemente, os intelectuais chineses sempre puseram em causa a legitimidade do Japão sobre Okinawa. Por exemplo, em 2012, por diversas ocasiões, nacionalistas chineses clamaram que, de acordo com os termos estabelecidos pelos aliados, o Japão deveria devolver todos os territórios arrancados à China desde os finais do século XIX, incluindo as Ilhas Diaoyu, tanto quanto ser obrigado a pagar indenização aos países que invadiu e ocupou[4].

Em resposta às reivindicações da classe intelectual chinesa, o Governo japonês formalmente apresentou os seus protestos junto do embaixador da China naquele país, mas Pequim recusou as acusações defendendo que o posicionamento dos acadêmicos sobre as ilhas Diaoyu e as respectivas questões históricas são uma indicação da importância que os chineses de uma forma geral dão a estes assuntos[5].  

Apesar do Governo chinês não ter ainda feito uma ligação direta entre Okinawa e Diaoyu, há, no entanto, analistas que especulam que o objetivo é forçar Tóquio a negociar com Pequim sobre a posse das ilhas desabitadas, que se supõe que tenham importantes reservas de recursos energéticos no subsolo e marinhos ao seu redor, no lugar de Okinawa que conta com cerca de 1,4 milhões de habitantes.

Em contraposição, alguns observadores também identificam que a interpretação da China sobre a História não se adéqua ao século XXI. Exemplificam fazendo analogia com o passado da Roma Antiga, o qual poderia levar ao entendimento de que grande parte da Europa de hoje estaria sob domínio da Itália[6].  

Concretamente, a posição de Okinawa é estratégica. O Japão já anunciou que pretende instalar interceptores de mísseis, especialmente no prosseguimento das ameaças bombásticas do regime daCoreia do Norte” em atacar a vizinha “Coreia do Sul” e as bases norte-americanas no Japão[7]. Igualmente, é ao redor de Okinawa que pescadores chineses são frequentemente presos pelas autoridades japonesas pela pesca ilegal na região[8]. 

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Imagem (Fonte):

http://jornal.ceiri.com.br/wp-content/uploads/2013/05/lee_photo_a2.jpg

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.aljazeera.com/news/asia-pacific/2013/04/201345182432413856.html

[2] Ver:

http://www.bbc.co.uk/news/world-asia-china-22536069

[3] Ver:

http://www.defence.pk/forums/world-affairs/197620-chinese-nationalists-eye-okinawa.html

[4] Ver:

http://jsw.newpacificinstitute.org/?p=10398

[5] Ver:

http://www.scmp.com/news/china/article/1233649/japan-protests-china-over-okinawa-claim?login=1

[6] Ver:

http://blogs.wsj.com/japanrealtime/2013/05/09/peoples-daily-commentary-challenges-japans-claim-on-okinawa/

[7] Ver:

http://www.globaltimes.cn/content/774549.shtml#.UZRslbX-HIf

[8] Ver:

http://www.globaltimes.cn/content/766154.shtml

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Ver também:

http://thediplomat.com/flashpoints-blog/2013/05/10/a-new-chapter-in-senkakudiaoyu-islands-drama/

Ver também:

http://en.wikipedia.org/wiki/History_of_the_Ryukyu_Islands

Ver também:

http://www.guardian.co.uk/world/2013/may/14/china-japan-okinawa-sovereignty-ryukyu

 

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Jorge Nijal (Moçambique) - Colaborador Voluntário

De Nacionalidade Moçambicana, é mestrando em História do Mundo no Instituto de Estudos Africanos da Universidade Normal de Zhejiang, na China. Graduado em História pela Universidade Eduardo Mondlane em Maputo (2007). Possui experiência na docência de disciplinas de História Geral e da África Austral. Interesses: História de Moçambique, relações China-Moçambique, política externa chinesa no nordeste e sudeste da Ásia, relações China-África, cultura cibernética popular na China. Fala Português, Inglês, Francês e conhecimento razoável de chinês.

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