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O Acordo Nuclear com o Irã e o Escudo Antimísseis na Europa

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O “Irã Nuclear” tem sido discutido na sociedade internacional de maneira intensa ao longo dessas duas primeiras décadas do século XXI, quase sempre girando em torno da temática de segurança, em que as potências nucleares temem a possível capacidade destrutiva de uma bomba atômica iraniana. Esse temor também tem abonado a polêmica instalação do escudo antimísseis no leste europeu por parte do Estados Unidos, pelo menos essa era a justificativa possível até o Acordo Internacional acertado entre Irã e as potências do G5+1, grupo formado por Estados Unidos, GrãBretanha, França, Rússia, China, mais Alemanha.

Para especialistas, esse Acordo trará a redução no avanço do Projeto Nuclear Iraniano em provavelmente uma década e, em troca, haverá a retirada das sanções e embargos econômicos que foram impostos até hoje por essas potências. Algo importante de se ressaltar é o comprometimento do Irã em colaborar com organizações internacionais anti-proliferação de armas nucleares, autorizando a entrada de inspetores nas suas usinas.

Essa abertura iraniana para cooperação colocou analistas internacionais em dúvida a respeito da continuidade ou não da instalação do Escudo Antimísseis no leste europeu por parte do Estados Unidos, pois a sua principal prerrogativa de defesa contra o Irã passou a não se demonstrar mais válida.

A Porta-Voz da OTAN, Oana Lungescu, declarou à agência de notícias Sputnik logo após o anúncio do Acordo que “a proliferação de mísseis balísticos intercontinentais continua aumentando, o acordo iraniano não altera esse fato em particular[1]. Tal declaração coloca o escudo de mísseis na Europa em uma perspectiva diferente da indicada inicialmente, pois o que já se apresentava como uma polêmica com a Rússia, vai adquirindo um direcionamento mais evidente nesse sentido.

Conforme apontam especialistas, a tendência de manutenção da implantação do escudo antimísseis no leste europeu pelos Estados Unidos tem a potencialidade de comprometer o planejamento aeroespacial de defesa russo em curto e médio prazo, o que, para autoridades do Kremlin é justificava para um posicionamento contra a continuação dessa instalação. Outro fator de risco estratégico para Rússia é o aumento de unidades militares dos Estados Unidos no leste europeu, sendo possível para muitos analistas interpretar tal ato como uma demonstração de força estadunidense frente à Rússia.

Mesmo que seja possível interpretar as ações norte-americanas no leste europeu como uma contingência direta à Rússia, precisa-se destacar que a análise da PortaVoz da OTAN é válida, quando se observa a atual conjectura da Coreia do Norte, que aumenta a intransigência em sua política externa, assim como membros da sociedade internacional que têm declarado alcançar a tecnologia de mísseis balísticos intercontinentais, como são os casos do Paquistão[2] e da própria Coreia do Norte.

Dessa forma, é possível interpretar que os Estados Unidos tenderão a manter a instalação do escudo antimísseis independente da questão iraniana, justificando-a por uma necessidade estratégica na região, não apenas vinculada a uma questão ligada a Rússia, mas, principalmente, devido à proliferação de mísseis balísticos intercontinentais, que colocam a Europa e o próprio Estados Unidos em risco.

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Imagem (Fonte):

Link do site:

http://en.wikipedia.org/wiki/Missile_defense#/media/File:Radar_RAF_Fylingdales.jpg

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Fontes Consultadas:

[1] Ver NATO missile shield in Europe stays, despite understanding over nuclear Iran fairytale” (Publicado em 4 de abril de 2015):

http://rt.com/news/246709-nato-missile-shield-iran/

[2] Ver Pakistan testfires nuclearcapable ballistic missile” (Publicado em 15 de abril de 2015):

http://www.presstv.ir/Detail/2015/04/15/406434/Pakistan-testfires-nukecapable-missile

Daniel Costa Sampaio - Colaborador Voluntário Júnior

Pósgraduado em Ciência Política (IUPERJ) e Bacharel em Relações Internacionais (UCAM). Experiência profissional em Representação Comercial e atualmente Gerente de Projetos e Novos Negócios na Prefeitura do Rio de Janeiro. No CEIRI Newspaper escreve no grupo Europa desde março de 2013, em que desenvolve publicações com ênfase na Política Externa Russa.

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