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O ataque do Talibã Paquistanês que deixou 145 mortos em Escola Militar

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Pelo menos 145 pessoas, 132 delas sendo crianças, foram mortas no ataque de combatentes do Talibã paquistanês, o Tehrik-e-Taliban Pakistan (TTP), a uma escola de gerência militar em Peshawar, no noroeste do Paquistão[1][2]. Conforme divulgado, explosões e tiros soaram quando sete homens armados atacaram a escola pública do Exército na terça-feira, 16 de dezembro, em uma das ações mais sangrentas da história do país. Dez funcionários e sete militantes também foram mortos na operação[1].

O ataque desencadeou choque e indignação ao redor de todo o mundo. O primeiro-ministro paquistanês Nawaz Sharif descreveu-o como uma “tragédia nacional”, chamando os mortos de “meus filhos[1]. Líderes mundiais manifestaram repúdio à ação. Mesmo o Taliban Afegão criticou o ataque, chamando-o de “anti-islâmico[3].

Em aparente resposta à opinião pública, Nawaz Sharif levantou a proibição da pena de morte e se comprometeu a acabar com o terrorismo em seu país. Sharif disse que irá “continuar a guerra contra o terrorismo até que o último terrorista seja eliminado[4]. A moratória sobre a aplicação da pena de morte estava em vigor desde 2008, mas o ataque de terça-feira, que provocou condenação doméstica e internacional, parece ter pressionado o Governo a tentar suprimir a sensação de impunidade que muitos paquistaneses têm sobre grupos terroristas[4]. Sharif declarou um período de três dias de luto oficial em virtude do ataque de militantes[4], o qual pode ter sido o mais mortífero na história do Paquistão.

O Talibã disse que o alvo eram os filhos de famílias de militares, em retaliação à campanha anti-Talebã do Paquistão no Waziristão do Norte e em Khyber[5][6]. Desde junho de 2014, a pedido dos Estados Unidos, o Paquistão tem travado uma grande ofensiva na região, em conjunto com a retomada dos ataques aéreos via drones norte-americanos[2]. O TTP afirmou que muitos de seus familiares haviam sido mortos na operação Zarb-e-Azb do Exército Paquistanês em curso contra o TTP e seus aliados na região tribal e que o ataque contra a escola teria ocorrido em vingança à essas mortes. “Muitos membros do TTP perderam seus familiares e eles disseram que querem infligir dor[1], afirmou o repórter Kamal Hyder da Al Jazeera, em Peshawar. Hyder explicou que muitas famílias civis colocam seus filhos em escolas militares, devido ao padrão educacional relativamente mais elevado, de modo que pessoas comuns foram também atingidas[1][5].

Especialistas afirmam que a ofensiva do Waziristão do Norte no último verão dispersou militantes e afrouxou seu controle sobre parte do cinturão tribal. Contudo, os combates deslocaram mais de um milhão de civis em fuga, em um país já repleto de deslocados internos. Adicionalmente, muitas células militantes aparentemente teriam apenas se mudado para distritos vizinhos, ou do outro lado da fronteira com o Afeganistão[5]. De acordo com fontes oficiais, os contínuos bombardeios e operações terrestres do Exército nas regiões do Waziristão e de Kyhber  nos últimos seis meses já causaram mais de 1.100 mortes[6].

Militares paquistaneses realizaram mais ações aéreas na fronteira com o Afeganistão na noite de terça-feira, em resposta ao ataque à escola[7]. Os militantes do Talibã paquistanês, que luta para impor a lei islâmica estrita no Paquistão, abrigam-se nas montanhas vigiando a fronteira entre o Paquistão e o Afeganistão[7]. Eles estão aliados ao Taliban afegão, a Al Qaeda e a outros combatentes estrangeiros, e o Paquistão há muito acusa o Afeganistão de não fazer o suficiente para acabar com suas bases. Este, por sua vez, acusa o Paquistão de permitir que grupos militantes como o Taliban afegão e a rede Haqqani operem livremente em seu território[7].

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Imagem Cadeiras reviradas e sangue manchando o chão do auditório da Escola Pública do Exército, um dia depois que homens armados do Talebã atacaram a escola em Peshawar, no Paquistão. O país está em luto e  se preparou para funerais em massa na quarta-feira, 17 de dezembro. São  mais de 140 pessoas, a maioria delas crianças, mortas num dos ataques mais mortais e horríveis em anos, segundo autoridades” (Fonte Foto AP / B.K. Bangash)

http://wavy.com/2014/12/17/pakistan-school-devastation-where-148-were-slain/

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.aljazeera.com/news/asia/2014/12/fighters-attack-army-run-school-pakistan-20141216742794184.html

Ver também:

http://www.democracynow.org/2014/12/17/headlines#12172

[2] Ver:

http://www.democracynow.org/2014/12/16/headlines#12161

[3] Ver:

http://www.bbc.com/news/world-asia-30517904

[4] Ver:

http://link.foreignpolicy.com/view/525440b6c16bcfa46f6fced8236ou.8d6/09fe2e28

Ver também:

http://www.theguardian.com/world/2014/dec/17/pakistan-school-massacre-taliban-nawaz-sharif-lift-death-penalty-ban

[5] Ver:

http://www.worldaffairsjournal.org/content/pakistani-taliban-attack-peshawar-school-leaves-145-dead

[6] Ver:

http://operamundi.uol.com.br/conteudo/noticias/38854/Exercito+paquistanes+toma+controle+de+escola+onde+talibas+mataram+pelo+menos+cem.shtml?utm_source=akna&utm_medium=email&utm_campaign=Boletim_OM_161214

[7] Ver:

http://www.reuters.com/article/2014/12/17/us-pakistan-school-idUSKBN0JU0JO20141217

 

Natalia Nahas Carneiro Maia Calfat - Colaboradora Voluntária

Doutoranda e mestre pelo programa de Ciência Política da USP e diretora de Relações Internacionais do Icarabe, Instituto da Cultura Árabe. Possui bacharelado em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo e pós-graduação em Política e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP). É integrante do Grupo de Trabalho sobre Oriente Médio e Mundo Muçulmano na Universidade de São Paulo (GT OMMM).

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