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[:pt]O Aumento das Tensões entre a Arábia Saudita e o Irã[:]

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A Arábia Saudita e o Irã vivem um momento de crescente tensão, que ultrapassa o campo diplomático e acelera a oposição entre ambos os países através da guerra por procuração nos conflitos armados da Síria, do Iraque e do Iêmen. A República Islâmica acusa a Arábia Saudita de oferecer apoio a grupos de combatentes nas áreas em confronto e a partidos políticos antagônicos no Iraque e no Líbano. No entanto, Riade nega tais fatos. A progressiva inquietação que atinge o Reino Saudita e o Irã, hoje, corresponde aos descontentamentos construídos ao longo da História e que, na atualidade, ganharam força, gerando novas ameaças.

De acordo com informações, os dois países caminham em direção a uma situação que poderá colocar em risco o Oriente Médio. A insatisfação iraniana em relação à Arábia Saudita elevou-se desde a execução, em 2 de janeiro de 2016, do xeique xiita Nimr alNimr, pelos sauditas, acusado do crime de terrorismo. Em represália à morte dele, a Embaixada da Arábia Saudita em Teerã foi invadida, o que levou Riade a romper as relações diplomáticas com os iranianos. A partir de então, subiu o nível de tensão entre os dois países.

O Irã, desde 1979, ano da Revolução Xiita, vem enfrentando internamente problemas com a minoria curda. Esta situação, segundo analistas, propicia a formação da aliança dos curdos com os inimigos do Irã. Neste contexto, o Irã afirma que a Arábia Saudita está financiando grupos armados curdos. Porém, assim como os sauditas, estes grupos discordam de tal afirmação. No início de agosto, o Governo iraniano “executou 20 prisioneiros curdos supostamente islâmicos”, o que favoreceu o aumento das tensões entre o Governo e a região curda do país.

As dificuldades que os iranianos têm enfrentado com os curdos no seu território servem para Teerã justificar o argumento de que os sauditas estão envolvidos com a oposição curda. Neste sentido, os problemas internos que há anos se arrastam à espera de uma solução, associados às mudanças geopolíticas do Oriente Médio, evidenciam cada vez mais as dificuldades domésticas de cada país e a possível intromissão de oponentes externos, o que contribuiu para a deterioração dos vínculos regionais. Há informações que sustentam a hipótese de que o conflito que está varrendo o Oriente Médio é, na verdade, a “Guerra Fria de nossa era”. Isto realça as hostilidades locais e clarifica a confrontação entre antigos rivais, como é o caso da Arábia Saudita e do Irã, que têm como meta estabelecer a hegemonia regional.

As duas vertentes do Islã, a sunita e a xiita, representadas pela Arábia Saudita e o Irã, são presenças marcantes em conflitos, tais como os da Síria, do Iraque e do Iêmen, e ambas se confrontam na tentativa de demarcar posição e exercer influência nas áreas sob o seu domínio. Hoje, também se questiona a paz frágil que reina no Líbano e no Bahrein, mas que pode colapsar a qualquer momento em virtude do sectarismo, encabeçado por sauditas e iranianos.

O envolvimento da Arábia Saudita e do Irã nos conflitos regionais revela como as duas partes estão ansiosas em estabelecer o domínio no Oriente Médio. Por conseguinte, aumentam as inquietações entre Riade e Teerã de modo a intensificar as rivalidades e colocar a região sob o risco total, ante a evolução da guerra por procuração para uma guerra, de tipo convencional, que poderá arrastar diferentes oponentes através das alianças entretanto estabelecidas.

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ImagemVersos do Alcorão. O Alcorão é a Constituição oficial da Arábia Saudita e a fonte primária da lei, no país” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Saudi_Arabia#/media/File:Iqra.jpg

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Marli Barros Dias - Colaboradora Voluntária Sênior

Possui graduação em Filosofia (bacharelado e licenciatura) pela Universidade Federal do Paraná (1999), com revalidação pela Universidade de Évora (2007), e mestrado em Sociologia (Poder e Sistemas Políticos) pela Universidade de Évora (2010). É doutoranda em Teoria Jurídico-Política e Relações Internacionais (Universidade de Évora). É professora da Faculdade São Braz (Curitiba), pesquisadora especialista do CEFi – Centro de Estudos de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), e pareceirista do CEIRI Newspaper (São Paulo).

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