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Na nova cena política de Washington o curso das diretrizes de governabilidade promovidas pelo presidente Donald Trump tem instaurado um cotidiano de tensão dentro e fora das fronteiras estadunidenses. Na última semana, com o anúncio feito sobre o aumento do orçamento militar, criaram-se mais pontos preocupantes para a reflexão sobre como se dará a administração republicana nesse ciclo presidencial, iniciado com mudanças nas prerrogativas sociais, políticas, econômicas, diplomáticas e, agora, militares.

Nesse novo movimento, os Estados Unidos se preparam para um dos maiores rearmamentos de sua história, algo em torno de 9% em relação ao último orçamento, ou US$ 54 bilhões a mais no montante que já estava em US$ 596 bilhões.

De acordo com o anúncio feito pelo Presidente, na última segunda-feira, dia 27 de fevereiro, esse crescimento histórico deverá ser compensado por meio de um plano geral de redução de outras despesas em diversas agências governamentais, salvo dois itens que poderiam instar desaprovação popular e dificuldades de aprovação na Câmara dos Representantes e no Senado: as pensões e a assistência à saúde (Obamacare).

Ainda sobre o anúncio, o Presidente republicano acredita que a escalada militar reflete não apenas uma forma de reafirmar o patriotismo, algo que permeia seu discurso de “fazer a América grande novamente”, mas o vincula à prosperidade econômica, haja vista que os equipamentos militares a serem construídos serão feitos com mão de obra norte-americana.

Um contraponto à expansão militar surgiu após o anúncio presidencial, através da crítica de 120 Generais e Almirantes aposentados, entre os quais o diretor da Central Intelligence Agency (CIA, na sigla em inglês) na administração de Barack Obama (2009-2017), David Petraeus, além do ex-chefe das Forças Armadas, George Casey. Na carta elaborada pelos antigos altos comandantes para os líderes do Congresso foram destacados os riscos em reduzir o Orçamento do Departamento de Estado, no que tange aos programas de ajuda externa, tais como os que são feitos pela United States Agency for International Development (USAID, na sigla em inglês).

Segundo ainda os mesmos Generais, o serviço diplomático e suas Agências de Cooperação são necessários no auxílio da promoção da ordem e da paz e funcionam como ferramentas de prevenção a conflitos, bem como diminuem a necessidade de envio de tropas para terrenos hostis.

De acordo com especialistas consultados, Mick Mulvaney, Diretor do Escritório de Administração e Orçamento, que está a cargo de realizar a reestruturação orçamentária do Presidente Trump, pretende reduzir drasticamente o orçamento da Agência de Proteção Ambiental (Environmental Protection Agency – EPA, na sigla em inglês) para, assim, alocar parte dos recursos no Departamento de Defesa (DoD, na sigla em inglês). Outro órgão governamental que deverá ser atingido é o próprio Departamento de Estado, que, com as ajudas externas já mencionadas acima, representa aproximadamente 1% do Orçamento Federal, que inclui dentre os inúmeros projetos aqueles que envolvem políticas de Segurança Nacional.

Com a nova proposta orçamentária almejada pelo Presidente republicano, os gastos militares totais dos Estados Unidos passariam a ser superior a US$ 600 bilhões, três vezes mais que o valor gasto pela China em defesa, hoje alçado em, aproximadamente, US$ 215 bilhões, bem como superior a todos os gastos somados de outros nove países, conforme análise do Stockholm International Peace Research Institute (SIPRI, na sigla em inglês): China, Arábia Saudita, Rússia, Reino Unido, Índia, França, Japão, Alemanha e Coréia do Sul. Em complemento, o percentual em defesa gasto pelos EUA em 2015 foi 54% de todo o gasto discricionários federais. Comparativamente, outros gastos importantes representam fatias muito inferiores. A título de exemplo, os gastos com educação representaram 6% do total; os com o Seguro Social e Assistência ao trabalhador corresponderam a apenas 3%; os realizados para o setor de Transporte, representaram apenas 2% do total; e os gastos com Saúde foram apenas 6% do montante.

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Imagem 1Desfile durante a cerimônia de aposentadoria do Presidente do EstadoMaior Conjunto, General Henry H. Shelton, em Fort Myer, Virgínia, em 2 de outubro de 2001” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/United_States_Armed_Forces#/media/File:Jointcolors.jpg

Imagem 2Soldado do Primeiro Batalhão Ranger em exercício em Fort Bragg, Carolina do Norte” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/United_States_Army#/media/File:Ranger_MOUT_exercise.jpg

Imagem 3Rangers durante operação em Nahr-e Saraj, Afeganistão” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/United_States_Army#/media/File:Flickr_-_DVIDSHUB_-_Operation_in_Nahr-e_Saraj_(Image_5_of_7).jpg

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Victor José Portella Checchia - Colaborador Voluntário

Bacharel em Relações Internacionais (2009) pela Faculdades de Campinas (FACAMP), Especialista em Direito Internacional pela Escola Paulista de Direito (EPD) e Especialista em Política Internacional pelo CEIRI (Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais). Atuou em duas grandes multinacionais do setor de tecnologia e na área de Cooperação Internacional na Prefeitura Municipal de Campinas com captação de recursos externos, desenvolvimento de projetos na área econômica e comercial e buscando oportunidades de negócios para o município. Atualmente é Consultor de Novos Negócios na Avanth International em Campinas/SP. Escreve semanalmente sobre América do Norte com foco nos Estados Unidos.

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