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O grupo extremista Estado Islâmico que, há algum tempo, se expandiu para além da Síria e do Iraque, acaba de incluir a América Latina na rota do terrorismo, sendo o país eleito, o Brasil. Às vésperas dos Jogos Olímpicos, no Rio de Janeiro, as autoridades brasileiras acenderam a luz amarela ante a possibilidade de possíveis ataques. Os riscos são reais e a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), com o auxílio de alguns Serviços de Inteligência estrangeiros, incluindo a CIA, está monitorando um conjunto de pessoas que se comunica em português, através de mensagens instantâneas, por meio do aplicativo Telegram. Em território brasileiro, o grupo é designado por Nashir Português, em referência à Nashir News Agency, uma das agências de notícias do Estado Islâmico. Segundo a ABIN, todo o conteúdo correspondente à ideologia fundamentalista islâmica está sendo traduzido para a língua portuguesa e divulgado por meio daquele aplicativo.

A identificação dos envolvidos no processo de aliciamento não é uma tarefa fácil. Hoje, o Brasil mantém sob vigilância, assim como as autoridades portuguesas, um indivíduo conhecido como Ismail Abdul Jabbar al-Brazili, também denominado “o Brasileiro”. Identificado, em outubro de 2015, pelo Middle East Media Research Institute (MEMRI), al-Brazili é considerado muito ativo na web e é um dos responsáveis por alimentar o canal de propaganda do Estado Islâmico no Brasil, com a divulgação de textos em português, apresentando-se como um facilitador para quem desejar engrossar as fileiras do grupo jihadista. Com várias contas nas redes sociais[1], al-Brazili incita o ódio contra aqueles que considera infiéis e presta reverência ao islamismo radical. Em sua conta no Google+, ele diz ser um lobo solitário. Para além dessas funções, “o Brasileiro” promete vingar o desaparecimento de seu mentor e amigo, o norte-americano Abu Khalid al-Amriki, que morreu em combate na Síria.

O Brasil recebeu a primeira ameaça concreta na sequência dos atentados de Paris, em novembro de 2015. Escrita por Maxime Hauchard, membro do alto escalão do Estado islâmico, a mensagem dizia o seguinte: “Brasil, vocês são o nosso próximo alvo”. No momento, a grande preocupação das autoridades brasileiras são os Jogos Olímpicos, cujo início está a menos de dois meses. Para garantir a proteção de atletas, Chefes de Estado e espectadores de todo o mundo, está programado para durante o evento, um efetivo de Segurança composto por 80.000 agentes, um número que corresponde ao dobro daquilo que se viu nos Jogos Olímpicos de Londres, há quatro anos.

A preocupação da ABIN não está relacionada com atentados sofisticados, mas com a atuação dos lobos solitários. Os ataques, lançados individualmente, não necessitam de muitos recursos e podem ser avassaladores. Neste contexto, os riscos não devem estar centrados apenas nos dias em que decorrerão os Jogos, mas naqueles que antecedem e se sucedem às competições esportivas. Um acontecimento desta natureza poderá desestabilizar a segurança e a sociedade, independentemente do local onde o ato for praticado.

Embora São Paulo e o Rio de Janeiro, as duas metrópoles brasileiras mais conhecidas, de acordo com a lógica terrorista, sejam os alvos prediletos, a atenção deve estar voltada para todo o território nacional, pois não há um lugar totalmente seguro. O aliciamento de novos jihadistas, que coloca a população brasileira sob ameaça e desafia os Serviços de Inteligência a identificar os autores, também chama a atenção, atualmente, pelo fato de al-Brazili estar à procura de tradutores para o espanhol. Esta situação acaba por revelar a intenção de que o Estado Islâmico pretende atingir, diretamente, na América do Sul, os povos hispano-americanos, podendo se estender ao al-Andalus, ou seja, à Península Ibérica. Esta hipótese revela que o propósito dos milicianos do Estado Islâmico, no Brasil, não está ligado apenas à realização dos Jogos da XXXI Olimpíada.

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ImagemBandeira Olímpica” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/a/a7/Olympic_flag.svg/2000px-Olympic_flag.svg.png

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Notas de Rodapé:

[1] A presença de Ismail Abdul Jabbar al-Brazili nas redes sociais tem variado ao longo do tempo em virtude de, na sequência de denúncias tanto privadas, quanto oficiais, suas contas serem eliminadas. À hora do encerramento desta Nota Analítica, al-Brazili mantinha as seguintes contas na web:

Ismail Abdul Jabbar Al-Brazili [Blog]:

https://ismailabduljabbaralbrazili.wordpress.com/

Ismail Abdul Jabbar Al-Brazili [Google+]:

https://plus.google.com/108602906064840351695/posts

Ismail Abdul Jabbar Al-Brazili [Google+]:

https://plus.google.com/116018143616123669821/posts

Ismail Abdul Jabbar Al-Brazili [Google+]:

https://plus.google.com/113930840375631463523/posts

Ismail Abdul Jabbar Al-Brazili [Youtube/canal sem conteúdo]:

https://www.youtube.com/channel/UCi6q9qiTcybfadnwkcuvLsQ

Ismail Abdul Jabbar Al-Brazili [Linkedin]:

https://www.linkedin.com/in/ismail-abdul-jabbar-al-brazili-a3438b108

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Marli Barros Dias - Colaboradora Voluntária Sênior

Possui graduação em Filosofia (bacharelado e licenciatura) pela Universidade Federal do Paraná (1999), com revalidação pela Universidade de Évora (2007), e mestrado em Sociologia (Poder e Sistemas Políticos) pela Universidade de Évora (2010). É doutoranda em Teoria Jurídico-Política e Relações Internacionais (Universidade de Évora). É professora da Faculdade São Braz (Curitiba), pesquisadora especialista do CEFi – Centro de Estudos de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), e pareceirista do CEIRI Newspaper (São Paulo).

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