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O cenário atual da crise política na Macedônia

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A política da macedônia vem passando por períodos turbulentos desde o final das guerras de dissolução da Iugoslávia. O mais recente caso de crise política foi iniciado no ano de 2015, quando o então Primeiro-Ministro, Nikola Gruevski, acabou sendo pego em um escândalo de grampos telefônicos. As evidências sugerem que conversas foram gravadas com o auxílio dos serviços de inteligência nacionais, beneficiando Gruevski (do partido VMRO DPMNE) e seus aliados políticos, totalizando cerca de vinte mil pessoas grampeadas – incluindo políticos, jornalistas e líderes religiosos.

Em meio aos processos de delações e averiguação do caso, protestos irromperam na capital Skopjie e em diferentes cidades do país – muitos deles, capitaneados por membros oposicionistas, como Zoran Zaev (sendo um dos principais delatores do caso).

Quando alguns desses protestos se tornaram violentos, uma comissão liderada pela União Europeia interveio para a primeira tentativa de mediação da crise. O resultado dessas mediações culminou nos Acordos de Pržino, assinados em julho de 2015. A principal disposição se deu em um arranjo de novas eleições parlamentares, inicialmente marcadas para este mês, junho de 2016. Em paralelo, a UE instituiu a nomeação de um Procurador Especial para a investigação das evidências dos casos dos grampos telefônicos.

Em janeiro deste ano (2016), a crise custou o cargo de Gruevski, que renunciou nos termos do acordo firmado com a União Europeia, visando a consolidação de um novo Governo. No último mês de abril, o Presidente macedônio, Gjorge Ivanov, apesar das investigações terem iniciado há mais de um ano, utilizou de sua autoridade para perdoar todos aqueles que estavam sob investigação da procuradoria especial instaurada pelo Bloco Europeu. Cinquenta e seis políticos foram parcialmente inocentados das investigações, em uma medida que Ivanov justificou para a solução da crise política. A decisão foi motivo de protestos, novamente, que irromperam nas ruas da capital nacional, pedindo a queda do Presidente juntamente com o corpo de governo. A lista de pessoas perdoadas continha nomes do partido de Gruevski e cidadãos com fortes laços com a elite política do país.

No mês de maio, durante a conferência da OTAN, o Secretário-Geral da Organização, Jens Stoltenberg, salientou que: “a porta da OTAN está sempre aberta (à Macedônia), contudo é crucial que os líderes do país discutam os problemas sobre a égide da lei”. De maneira clara, a Organização não se mostrou satisfeita com o desenrolar da crise e as recentes medidas de Ivanov. Com uma recente manobra, Ivanov retirou o perdão de 22 pessoas da lista, sucumbindo às pressões da opinião pública e das entidades internacionais.

Voltando às implicações dos Acordos mediados pela União Europeia, as eleições que estavam marcadas para junho foram postergadas por tempo indeterminado, pois ocorreu o boicote dos partidos majoritários, devido à renegociação de cargos ministeriais, além da falta de perspectivas de apaziguamento da crise.

Ainda no mês de maio, a própria UE alertara, por meio da Comissão Europeia, que, “nas atuais circunstâncias, qualquer governo resultante de eleições onde os três principais partidos políticos (dos quatro) não estão participando não será um parceiro credível para a comunidade internacional”. A situação de turbulência política na ex-república iugoslava ainda não aparenta ter clarificado um caminho de saída, deixando um mal-estar político que, eventualmente, poderá transcender fronteiras.

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Imagem (Fonte):

http://www.e-ir.info/wp-content/uploads/2015/07/Image-by-European-Peoples-Party-700×394.jpg

Matheus Felten Fröhlich - Colaborador Voluntário Júnior

Mestrando em Ciências Sociais pela PUC-RS. Bacharel em Relações Internacionais (2014), pelo Centro Universitário Univates de Lajeado - RS, realizou estudos em Segurança Internacional na Högskolan i Halmstad em Halmstad, Suécia (2013). Áreas de interesse em pesquisa são em Política Internacional, Segurança Internacional, Península Balcânica e etnias nas Relações Internacionais.'

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