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[:pt]O Colapso das Condições de Vida em Aleppo[:]

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Aleppo, a maior cidade da Síria, localizada no norte do país, encontra-se em situação caótica após o início dos ataques das forças do regime e dos aliados russos e iranianos para expulsar os rebeldes. Estima-se que mais de 300 civis tenham sido mortos, na parte leste de Aleppo, desde que começaram as ofensivas do Governo em 15 de novembro. A tentativa, por parte do regime de Bashar al-Assad, de retomar o controle da cidade tem provocado a destruição das poucas condições de vida de milhares de pessoas que, neste momento, estão à mercê da própria sorte para sobreviverem e manterem a dignidade humana.

Calcula-se que o regime já recuperou 60% do leste de Aleppo, mas isto não representa qualquer melhoria para a população local, que se encontra sob fortes bombardeamentos. Segundo Stephen O’Brien, chefe humanitário da ONU, desde 26 de novembro, cerca de 25 mil pessoas foram forçadas a fugir de suas casas. A cidade está sitiada, o que gerou o aumento no número de cidadãos em fuga. Hoje, este contingente de fugitivos gira em torno de 80 mil e estão recebendo ajuda para sobreviver. Conforme informou Staffan de Mistura, enviado especial da ONU, nos últimos dias Aleppo já totaliza mais de 400 mil deslocados internos.

A cidade industrial síria está num caos e os seus habitantes perderam o direito até mesmo a uma morte digna. De acordo com fontes, Aleppo está se transformando em um cemitério gigante. Há um ano, o antigo cemitério chegou ao esgotamento e, recentemente, o novo também atingiu a sua capacidade máxima pelo que, devido à presença das tropas sírias que estão bombardeando os civis, não tem como abrir novas covas. Os responsáveis pela recolha e sepultamento dos corpos já não sabem mais o que fazer desde que começaram os confrontos impetrados pelo regime e seus aliados. O necrotério não tem espaço disponível e, tal como declarou Mohammed Abu Jaafar, chefe da autoridade forense de Aleppo, “mesmo que eu considere enterros em massa, não tenho as máquinas para fazer a escavação”. Os corpos estão apodrecendo nas ruas enquanto que o socorro aos feridos está cada vez mais precário, pois as ambulâncias ou foram transformadas em alvos, ou estão sem combustível. Desde julho, quando o leste de Aleppo caiu em poder das forças pró Bashar al-Assad, a situação tem piorado e os suprimentos alimentares estão chegando ao fim. Antes do início das ofensivas terrestres, os ataques aéreos destruíram sete instalações médicas, não havendo mais locais que ofereçam cuidados de terapia intensiva e os hospitais foram evacuados. Após a destruição dos hospitais foram criados postos médicos subterrâneos improvisados, com capacidade para prestar apenas os cuidados básicos de saúde.

Os feridos de Aleppo contam, hoje, com um atendimento deficitário, o que faz com que, para Zakaria Amino, Vice-Chefe do Conselho Local de Aleppo, “cada ferido é um mártir potencial”. Uma enfermeira que trabalha numa das clínicas subterrâneas afirmou que muitos morrem enquanto aguardam atendimento e por falta de sangue, pois o banco de sangue foi atingido durante os ataques aéreos e está fechado. O cenário atual de Aleppo é muito grave e há, ainda, a preocupação de que este quadro possa piorar se os locais de funcionamento dos ambulatórios subterrâneos forem descobertos pelo Governo e encerrados. Como há muitos mortos empilhados nas ruas, isto poderá denunciar a localização dessas clínicas. Segundo Abu Jaafar, “há informantes e colaboradores do regime em todos os lugares”. Neste contexto, Aleppo corre, também, o risco de enfrentar sérios problemas sanitários devido ao fato de haver grande quantidade de cadáveres em estado de putrefação nas ruas. Estas são as circunstâncias atuais que colocaram a cidade à beira de uma catástrofe humanitária. No entanto, não há perspectivas de retrocesso do caos, uma vez que o regime sírio e os seus aliados russos e iranianos não pretendem interromper os ataques.

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ImagemBairro de Taree alBab, Aleppo, após ser bombardeado por um míssil Skud (3 de março de 2013)” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Batalha_de_Alepo#/media/File:Syria-_two_years_of_tragedy_(8557586198).jpg

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Marli Barros Dias - Colaboradora Voluntária Sênior

Possui graduação em Filosofia (bacharelado e licenciatura) pela Universidade Federal do Paraná (1999), com revalidação pela Universidade de Évora (2007), e mestrado em Sociologia (Poder e Sistemas Políticos) pela Universidade de Évora (2010). É doutoranda em Teoria Jurídico-Política e Relações Internacionais (Universidade de Évora). É professora da Faculdade São Braz (Curitiba), pesquisadora especialista do CEFi – Centro de Estudos de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), e pareceirista do CEIRI Newspaper (São Paulo).

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