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O Conflito nas relações diplomáticas do Catar

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O dia 5 de junho de 2017 iniciou uma semana de alterações e movimentações diplomáticas no Oriente Médio. Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos e Egito anunciaram o corte nas relações diplomáticas e a suspensão de tráfego aéreo e terrestre com o Catar. O fechamento da única fronteira com a Arábia Saudita faz com que faltem suprimentos e alimentos ao país devido a dependência de importações.

A situação de isolamento do Catar afeta a sua economia, logo a população. O país é líder na exportação de gás natural e possui boa inserção no mundo ocidental, tendo, inclusive, sido escolhido para sediar a Copa do Mundo de 2022. Além disso, tem em seu território uma base militar dos EUA.

Com a suspensão de relações, cidadãos dos demais países do Golfo pérsico (Arábia Saudita, Bahrein e Emirados Árabes Unidos) estão impedidos de se deslocarem ao Catar e o mesmo vale para os nacionais do país que têm duas semanas para retornar ao território catariano.

Os Estados vizinhos definiram seu posicionamento argumentando que existem laços entre as políticas regionais do Catar e o fomento ao extremismo e ao terrorismo no Oriente Médio. Essa é uma nova fase na escalada da disputa sobre o suporte a grupos políticos islamistas que também possuem laços com o Irã, o qual admite sua conexão com alguns movimentos, como a Irmandade Muçulmada e o Hamas, porém nega incentivos a ações terroristas. Supostamente, o Catar também teria auxiliado demais grupos assistidos pelo Irã, como o Hezbollah, através de pagamentos pelo resgate de reféns no Iraque.

Mapa dos Países Membros do Conselho de Cooperação do Golfo

A resposta oficial do Governo catariano mostra a “surpresa” e “descontentamento” com a decisão dos países, relembrando que é membro do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) e está comprometido com os regimentos estabelecidos pela Carta da organização. A decisão dos três de seis membros do Conselho foi definida como “ilegítima”. A Organização das Nações Unidas ainda reiterou que não constam na lista oficial de organizações terroristas sancionadas pela ONU as instituições consideradas como terroristas pelos países do Conselho e pelo Egito, para justificarem sua decisão.

Em contrapartida à ação do grupo de países do Conselho, a Turquia e o Irã abriram seu espaço aéreo para o Catar e ofereceram ajuda com a falta de alimentos. O Parlamento turco também aprovou legislação que disponibiliza o envio de tropas para sua base militar no território catariano[1]. Por sua vez, o Ministro de Defesa de Israel, Avigdor Lieberman, deu seu voto de confiança às medidas. O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enviou mensagens pelo Twitter e se pronunciou oficialmente, acusando o Catar de patrocinar o terrorismo e associou sua recente visita ao Oriente Médio aos desdobramentos nas relações diplomáticas na região. Com o avanço da crise, mais Estados começam a se posicionar frente à situação, tanto através de pedidos de cooperação como com posicionamentos a favor, ou contra à decisão.

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Notas:

[1] A deliberação da medida já ocorria desde maio, com apoio dos partidos de situação e oposição.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Montagem dos principais símbolos de Doha” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Doha#

Imagem 2Mapa dos Países Membros do Conselho de Cooperação do Golfo”  (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Conselho_de_Cooperação_do_Golfo#/media/File:Persian_Gulf_Arab_States_english.PNG

Gabriel Mota - Colaborador Voluntário

Gabriel Mota Silveira é formado em Relações Internacionais. É mestrando do programa de pós-graduação em Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PPGRI/PUC-MG), com linha de pesquisa em Insituições, Conflitos e Negociações Internacionais. É pós-graduado em Relações Governamentais e Políticas Públicas pelo Centro Universitário de Brasília (UniCEUB), e discente associado ao Centro Brasileiro de Estudos Constitucionais do Instituto CEUB de Pesquisa e Desenvolvimento (CBEC-ICPD). Entusiasta do estudo do Terrorismo Transnacional e Insituições Internacionais. Já prestou serviço ao Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, trabalhou na Embaixada do Reino Unido em Brasília e no Ministério das Relações Exteriores do Brasil. Atua hoje junto à Assessoria de Relações Internacionais da Secretaria de Estado de Governo de Minas Gerais.

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