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O crescimento das reservas de ouro da Rússia

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Entre 1946 e 1971, o padrão dólar-ouro predominou, com as transações comerciais internacionais sendo feitas com a moeda norte-americana lastreada em ouro, o qual era garantido pelo Governo dos Estados Unidos (EUA). Entretanto, isso foi alterado e, atualmente, segue-se o padrão dólar, o qual é baseado unicamente na confiança da força econômica dos EUA.

Crescimento das reservas de ouro da Federação Russa desde 2001 de acordo com o Trading Economics

Não obstante, mesmo que agora o dólar não seja fundamentado no ouro, isso não significa que não haja mais reservas dele. Assim, desde o início dos anos 2000, a Rússia e a China vêm aumentando consideravelmente seus estoques desse metal precioso. Em relação à Federação Russa, houve um aumento de 500% em relação à 2000 e, segundo o Conselho Mundial de Ouro, os russos são os maiores compradores oficiais e os terceiros maiores extratores desse metal do mundo.

O objetivo, segundo especulações de vários especialistas da área, é que esses dois países não desejam, futuramente, estar submetidos às oscilações do cenário econômico global. Ao tentarem retornar a um padrão ouro, ambas nações estariam criando, supostamente, uma defesa às mudanças econômicas e geopolíticas que poderiam vir a afetá-las.

Em vista disso, destaca-se que no início deste ano (2018), em fevereiro, a Rússia acumulou um total de 1.857 toneladas de ouro, valor esse que superou o montante armazenado pela China, de 1.843 toneladas. A Federação Russa, então, ultrapassou os chineses no ranking mundial, passando a ser a sexta maior acumuladora de ouro do mundo, segundo o Conselho Mundial de Ouro.

RankingPaíses e Instituição InternacionalToneladasPorcentagem (%) do ouro em relação ao total de reservas estrangeiras que o país detém
1Estados Unidos (EUA)8.133,575,0%
2Alemanha3.373,670,4%
3Fundo Monetário Internacional (FMI)*2.814,0
4Itália2.451,868,0%
5França2.436,066,2%
6Rússia1.880,517,6%
7China1.842,62,4%
8Suíça1.040,05,3%
9Japão765,22,6%
10Holanda612,567,1%

Nota-se o grande esforço dessas nações em aumentar seus estoques desse metal precioso. Evidencia-se, também, que o Banco Central Russo fechou um acordo de cooperação bilateral de comércio de ouro com a China, plano esse que tem o propósito de se iniciar ainda em 2018. Além disso, estão em curso discussões no âmbito do BRICS** quanto a essa questão, estando aberta a possibilidade do estabelecimento de um sistema de comércio do metal apenas entre esses países.

Toda essa movimentação coloca em alerta os especialistas de economia mundial sobre a possibilidade de tal procedimento vir a afetar o dólar. Não se sabe ao certo se o ouro eventualmente voltará a ter um papel importante ou se a moeda internacional se alterará.

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Notas:

* De acordo com o Conselho Mundial de Ouro, o balanço do FMI não permite o cálculo de participação em relação ao total de suas reservas estrangeiras, por isso não há esse valor na tabela.

** O BRICS é um fórum de discussão internacional composto por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, os principais países que se encaixam na definição de economias emergentes ou em desenvolvimento.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Barras de Ouro” (Fonte):

https://commons.wikimedia.org/w/index.php?search=gold+bars&title=Special:Search&go=Go&searchToken=a80304793h66p94i9hr2vtfm0#/media/File:400-oz-Gold-Bars-AB-01.jpg

Imagem 2 Crescimento das reservas de ouro da Federação Russa desde 2001 de acordo com o Trading Economics” (Fonte):

https://tradingeconomics.com/russia/gold-reserves/forecast

Imagem 3 O ranking mundial daqueles com estoques de ouro” (Fonte):

https://www.gold.org/download/file/4723/world_official_gold_holdings_as_of_april2018_ifs.xlsx

Isabela Joia - Colaboradora Voluntária

Bacharela em Relações Internacionais pelas Faculdades de Campinas (FACAMP) e atual graduanda em Ciências Econômicas pela mesma instituição. Participou da Newsletter do Centro de Estudos de Relações Internacionais (CERI) da FACAMP como redatora e corretora de artigos. Fez sua tese de conclusão de curso sobre as relações diplomáticas entre a Rússia e os Estados Unidos no pós Guerra Fria. Tem grande paixão pela escrita e por assuntos relacionados à Segurança Internacional e Diplomacia.

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