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[:pt]O crescimento do setor de tecnologia financeira (Fintechs) na China[:]

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A digitalização dos serviços financeiros é uma tendência em forte crescimento no cenário econômico global. As fintechs são empresas ou instituições que utilizam a internet e a inovação de modo a prover serviços financeiros e de controle de risco, que sejam mais acessíveis e mais eficientes do que os serviços bancários tradicionais, utilizando tecnologias como Big Data, modelos de risco, computação em nuvem, serviços blockchain, entre outros.

O crescimento deste setor na Ásia, sobretudo na China, tem sido notável. As fintechs asiáticas foram capazes de angariar mais do que o dobro dos recursos para financiamento do que as fintechs da América do Norte no primeiro semestre deste ano (2016), alcançando o montante de US$ 9,6 bilhões, em comparação com os US$ 4,6 bilhões reunidos na América do Norte. Deve-se ressaltar que, no ano de 2010, a capacidade de obtenção de recursos de fintechs da América do Norte equivalia a 15 vezes o total do que as suas contrapartes asiáticas eram capazes de oferecer.

A China vem apresentando uma trajetória rumo à digitalização de sua economia, sendo que, até o ano de 2030, a digitalização poderá representar um crescimento acumulado de US$ 1,8 trilhão para o Produto Interno Bruto (PIB) do país. Os fatores que explicam o cenário de rápido desenvolvimento de suas fintechs incluem: o estímulo do Banco do Povo da China (órgão equivalente ao Banco Central), que mantêm uma regulamentação favorável a essas empresas; a existência de uma demanda latente por crédito, que tende a se tornar mais acessível através de meios digitais; e a grande lucratividade do setor bancário tradicional, que possibilitou o capital para iniciativas de investimento na área de tecnologia. 

O Instituto Mckinsey publicou recentemente um relatório em que afirma que a transição da China para um modelo econômico baseado mais fortemente no consumo de sua população deverá aumentar a demanda por serviços financeiros móveis e serviços de gestão de patrimônio. Além disso, outras tendências apontadas para a economia chinesa nos próximos anos incluem a maior diversificação nos produtos financeiros ofertados e a possibilidade de obter serviços customizados e personalizados.

As fintechs apresentam desafios para os formuladores de políticas públicas, por exemplo no que diz respeito à dificuldade de regulação que possa ser imposta aos provedores de serviços, devido à grande mobilidade aportada pela internet. A regulação do setor é importante, visando evitar a emergência de bolhas especulativas que possam acarretar em crises financeiras. As fintechs não precisam mais de servidores para funcionar, podendo atuar mediante a centralização dos seus dados na nuvem. Operações desta natureza já são realizadas atualmente na China por grandes empresas como Alibaba, Huawei e IBM, por exemplo. Como apontam especialistas, as fintechs provavelmente não acabarão com o sistema bancário tradicional, mas deverão aportar mudanças, desafios e potencialidades, tanto do ponto de vista do planejamento político para o desenvolvimento, quanto do ponto de vista dos investidores e dos agentes econômicos.

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Imagem (Fonte):

https://i.vimeocdn.com/video/498469360_1280x720.jpg

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Ricardo Kotz - Colaborador Voluntário

Mestrando no programa de Pós Graduação em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), atuando na linha de Economia Política Internacional. Possui especialização em Estratégia e Relações Internacionais Contemporâneas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Graduado em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA). Agente consular junto ao Consulado Honorário da França em Porto Alegre, atuando paralelamente no escritório RGF Propriedade Intelectual, no período de 2013-2015.

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