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A última semana foi de pouco consenso entre os países produtores de petróleo. Na última quarta, 26 de novembro, representantes do México, Venezuela, Rússia e Arábia Saudita se encontraram em Viena (Áustria) a fim de estabelecer um recorte em suas produções para estabilizar a queda do barril de petróleo, sem sucesso[1]. E na quinta, 27 de novembro, na Conferência da Organização dos Países Produtores de Petróleo (OPEP), apesar da preocupação com a diminuição dos preços do barril e as implicações desta para Estados emergentes, conservou-se a cota de produção em 30 milhões de barris diários[2].

O aumento da produção de petróleo nos Estados Unidos (EUA), que utiliza a técnica de fraturamento hidráulico para exploração. O chamado fracking é o grande responsável pela queda do valor do barril, mas também apresenta a “oportunidade dos EUA serem o novo fiel da balança entre os produtores[3], como afirma Miswin Malesh, analista de commodities do Barclays[3]. Outros analistas também apontam que o crescimento da produção americana, em que o maior país importador se torne o maior país exportador, muda as regras até então estabelecidas e regidas pelos membros da OPEP.

Equador e Venezuela são dois dos membros da OPEP atingidos pela medida que visa manter o preço suficientemente baixo para reduzir o crescimento da produção americana. Mas outros Estados na América Latina como México, Brasil e Equador que possuem um custo maior de extração, e são menos competitivos em relação aos meios de exploração utilizados nos Estados Árabes[4], são também atingidos. Devido as empresas estatais utilizarem a renda dessa commodities em investimentos estratégicos como infraestrutura e programas sociais, a economia e o investimento em novas técnicas podem sofrer perdas. Exploração como as que ocorrem em águas profundas, como o pré-sal brasileiro, demandam um alto custo e com o preço do barril a 80 dólares podem não ser tão lucrativos.

Nicolás Maduro, presidente venezuelano, informou nesta sexta a criação da “Comisión presidencial para la racionalización y reducción del gasto público[5] prevendo realizar cortes públicos, mas garantindo que projetos sociais não serão afetados, independente da queda do preço do petróleo:  “Este año cierra con malas noticias del cierre petrolero, pero les garantizo trabajadores de mi patria, que el año 2015 vamos a mantener las inversiones en las misiones, grandes misiones y en todos los derechos sociales de nuestro pueblo, con precios petroleros hasta donde lleguen[5].

Para Francisco Xavier Rivadeneira Sarzosa, ministro de comércio exterior do Equador, está se chegando a uma “situación difícil[6], pois é o “el primer año que éste déficit (Balanza de Pagos) no es compensado por el petróleo. Y Siria y el retorno de Irán al mercado influyen[6].

Já o Brasil, por meio da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), parece não ter sido afetado pela queda dos preços, ou pela manutenção da OPEP por informar que não há perdas, seja em infraestrutura e investimentos, quanto em lucro. Como afirmou Magda Chambriard: “Não tem nenhum projeto do pré-sal que eu conheço que não resista a 72 dólares… ou que não resista a 60 dólares. Pode cair, ainda tem um bom espaço para cair[7].

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Imagem (Fonte):

http://im.investorschronicle.co.uk/rw/FT%20Publications/IC/Images/Generic%20Photos/M-R/Oil_Dollar_452x339_040413.jpg

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.eluniversal.com.mx/finanzas-cartera/2014/fracasa-encuentro-para-estabilizar-precio-del-crudo-1057183.html

[2] Ver:

http://www.eluniversal.com.mx/finanzas-cartera/2014/falla-nuevo-intento-por-parar-caida-de-petroprecios-1057809.html

[3] Ver:

http://www.valor.com.br/internacional/3797530/petroleo-ve-nova-era-com-briga-entre-opep-e-produtores-dos-eua

[4] Ver:

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2014/11/1555135-petroleo-cai-ao-menor-valor-desde-a-crise-mundial-de-2009.shtml

[5] Ver:

http://www.eluniversal.com/nacional-y-politica/141128/maduro-preve-recortes-en-el-gasto-publico-para-2015-por-baja-del-petro

[6] Ver:

http://www.eluniverso.com/opinion/2013/12/13/nota/1908996/depende-petroleo

[7] Ver:

http://br.reuters.com/article/businessNews/idBRKCN0JC22620141128

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Ver TambémQuem ganha e quem perde com o preço do Petróleo” (BBC Brasil):

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/10/141014_petroleo_perde_ganha_pai

Monah Marins Pereira Carneiro

Mestranda pelo Programa de Pós-Graduação em Estudos Marítimos (PPGEM) da Escola de Guerra Naval (EGN-CEPE*).É pesquisadora do Laboratório de Simulações e Cenários (LSC) da mesma Instituição onde desenvolve pesquisa em Cenários para a Defesa, na área de Biossegurança. Bacharel em Relações Internacionais pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ-UCAM), onde atua como membro executivo do Grupo de Análise de Prevenção de Conflitos Internacionais (GAPCon), desde 2010. É bolsista pela Fundação EZUTE.

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