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Desde a Crise Financeira Internacional, a União Europeia enfrenta diversos problemas e o projeto europeu tem sido constantemente colocado à prova. A crise dos países do Mediterrâneo e a possibilidade de uma eventual saída da Grécia deram origem ao fantasma da desintegração do Bloco, hoje ameaçado pelo Referendum britânico. As tensões entre a Rússia e a crise na Ucrânia, ainda que atualmente estejam fora das manchetes internacionais, continuam a dificultar as relações com os países vizinho. A crise dos refugiados e a crescente ameaça terrorista, tanto interna como externa, colocaram em evidência as mazelas sociais do continente e os desafios que deve enfrentar nos próximos anos.

A esse panorama é preciso somar um processo silencioso, mas que, aos poucos, começa a eclodir em toda a União: o envelhecimento da população europeia e o desafio de manter o equilíbrio previdenciário e demais contas públicas dos países europeus. O déficit público já ultrapassou 100% do PIB em praticamente todos os países da faixa mediterrânea (países estes que concentram a população mais velha do continente, tais como Espanha, Itália e Portugal) e começa a obrigar os governos a tomarem medidas cada vez mais severas para manterem o controle das contas.

A Europa possuí um reconhecido “estado de bem estar”, caracterizado por diversas políticas sociais e prestações de serviços públicos baseados no keynesianismo, as quais levaram o continente a um elevado grau de especialização, mas que, por outro lado, geraram uma série de assimetrias, tanto entre os países que compõem o Bloco, como na sociedade interna desses países.

Para manter a máquina pública europeia e os padrões de vida é necessário equilibrar as contas públicas. Mas o continente possuí o desafio de não ter população jovem ativa suficiente para preservar os crescentes gastos e nem a geração de empregos necessária para estimular esse ciclo, produzindo a necessidade de gerar leis orçamentarias cada vez mais austeras e reformas tributárias, previdenciárias e laborais em toda a região.

A população Europeia envelhece rapidamente. Os processos migratórios estimulados desde os anos 90 e as políticas de estímulo para o aumento da população – tais como ajudas financeiras para ter filhos, ou as moradias populares – não produziram os efeitos esperados. Os estrangeiros não foram devidamente integrados na sociedade europeia, havendo pontos de tensão em diversos países, bem como o regresso de muitos deles aos seus lugares de origem, durante a crise financeira; as medidas de estímulo não promoveram uma segunda explosão demográfica e a geração de emprego foi comprometida pelos reflexos da crise e pelas próprias assimetrias do Bloco.

A única solução encontrada pela UE foram as reformas. Redução dos serviços públicos, maior tributação, aumento do tempo de contribuição e da idade para aposentadoria, flexibilização dos contratos de trabalho etc. Essas medidas, ainda que temporariamente estejam ajudando a equilibrar o orçamento europeu, geram, por outro lado, o aumento das tensões sociais – tais como as manifestações recentes em Paris, Barcelona ou Madrid – e também promovem a polarização da política e o surgimento de novas forças, ou o fortalecimento de ideologias radicais.

Mas, independente das modificações a curto e meio prazo, o desafio Europeu se projeta para as próximas gerações e a região deve buscar fórmulas para dar continuidade ao projeto europeu sem sacrificar a população europeia.

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Imagem (Fonte):

https://static.euronews.com/articles/333835/1200x630_333835_manifestacion-y-disturbios-en-pari.jpg?1464279193

Wesley S.T Guerra - Colaborador Voluntário Sênior

Atua como consultor internacional na área de Paradiplomacia para o Escritório Exterior de Comércio e Investimentos do Governo da Catalunha. Formado em Negociações e Marketing Internacional pelo Centro de Promoção Econômica de Barcelona, Bacharel em Administração pela Universidade Católica de Brasília, especialista pós-graduado em Ciências Políticas e Relações Internacionais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP, MBA em Novas Parcerias Globais pelo Instituto Latinoamericano para o Desenvolvimento da Educação, Ciência e Cultura e mestrando em Polítcias Sociais em Migrações na Universidad de La Coruña (España). Fundador do thinktank NEMRI – Núcleo de Estudos Multidisciplinar das Relações Internacionais. Especialista em paradiplomacia, acordos de cooperação e transferência acadêmica e tecnológica, smartcities e desenvolvimento econômico e social. Morou na Espanha, Itália, França e Suíça.

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