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A semana em política externa promovida pela Casa Branca apresentou um incremento fundamental nas Relações Exteriores da administração Trump, ao realizar uma série de ações: o fortalecimento dos laços comerciais e geopolíticos com a Arábia Saudita; a busca pelo restabelecimento da tradicional aliança com Israel; a sinalização de um compromisso com a paz entre palestinos e judeus; além da produção de esforços para reequilibrar a parceria militar transatlântica com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN, ou NATO, na sigla em inglês), bem como com a União Europeia, estes últimos protagonistas de discursos críticos de Trump ao longo de sua campanha eleitoral, frente ao papel de ambos.

Ao destacar o primeiro encontro com líderes da OTAN em Bruxelas, no último dia 25 de maio, quinta-feira passada, o presidente Donald J. Trump procurou desmitificar seus entendimentos críticos quanto ao papel da Organização e exaltar os valores fundamentais na manutenção do status quo e da ordem internacional.

Concomitantemente aos esforços da administração estadunidense em apresentar um posicionamento brando e cooperativo com a Aliança Militar ocidental, a postura dos aliados ao longo da cúpula reverberou incertezas e dúvidas globais sobre a confiabilidade das garantias de segurança expressadas pelos Estados Unidos.

Presidente Donald Trump com o Rei Salman, em Riad. Fonte: Wikipedia

De acordo com especialistas consultados, o histórico recente envolvendo Trump e a OTAN de elogios e descrença justificam a relutância de europeus quanto ao engajamento de Washington na agenda de segurança da Europa. O foco nos gastos europeus em Defesa, a relutância em criticar a Rússia, afirmações sobre dívidas dos Estados membros com os Estados Unidos, a alegação de que o bloco de segurança é “obsoleto”, seguido pela afirmação de que sua administração salvou a Aliança ao mudar o foco para a luta contra o terrorismo, fornecem elementos para a Europa olhar a nova administração na Casa Branca com reticências.

No curso da cúpula na sede da OTAN, em Bruxelas, analistas europeus, norte-americanos e diplomatas de diversos países evocam que os princípios fundadores da organização, em 1949, ainda devem ser do interesse dos EUA para que o continente europeu não seja dominado ou desestabilizado por qualquer ator preponderante.

Nesse sentido, segundo os observadores consultados, a estabilidade internacional sob a égide do direito internacional, deve pautar os esforços de aprofundamento da cooperação multilateral, sob a justificativa de que o poderio econômico EUA-Europa ainda é o maior em termos reais e, por conseguinte, a proteção e a segurança econômica e nacional dos EUA dependem da estabilidade na Europa.

O Tratado do Atlântico Norte foi assinado pelo presidente Harry Truman em Washington, em 4 de abril de 1949, e ratificado em agosto do mesmo ano. Fonte: Wikipedia

Em complemento aos entendimentos apresentados quanto a estabilidade sistêmica em tempos recentes, é possível que seja adotada uma abordagem semelhante àquela vista na fundação da aliança, em 1949, ou seja: Construção de defesas comuns com a Europa e promoção de ações civis coordenadas, evitando influência estrangeira. Em termos mais técnicos: aumento da capacidade de monitoramento de submarinos russos de ataque nuclear que acessam o Atlântico Norte, através das águas entre Islândia, Reino Unido, Dinamarca e Noruega; aumento do patrulhamento marítimo com navios de superfície e submarinos; ampliação do comando aéreo integrado OTAN-EUA; e uso de forças terrestres no extremo leste da Europa Ocidental, a fim de evitar movimentos desestabilizadores por parte de Moscou, tal como já testemunhado na Letônia.

Ao final da Cimeira, o Secretário Geral da aliança militar ocidental, Jens Stoltenberg anunciou compromissos de curto prazo que se alinham às demandas estadunidenses, ao decidir integrar a NATO formalmente na lista de membros da coalizão internacional de combate contra o Estado Islâmico e com a adoção de planos nacionais de Defesa que cumpram a meta comum de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) em gastos com Defesa.

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Imagem 1Ministros de Defesa e Ministros das Relações Exteriores dos Membros da OTAN, reunidos na sede da organização em Bruxelas” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Organiza%C3%A7%C3%A3o_do_Tratado_do_Atl%C3%A2ntico_Norte#/media/File:NATO_Ministers_of_Defense_and_of_Foreign_Affairs_meet_at_NATO_headquarters_in_Brussels_2010.jpg

Imagem 2Presidente Donald Trump com o Rei Salman, em Riad” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/Salman_of_Saudi_Arabia#/media/File:President_Trump%27s_Trip_Abroad_(34784284095).jpg

Imagem 3O Tratado do Atlântico Norte foi assinado pelo presidente Harry Truman em Washington, em 4 de abril de 1949, e ratificado em agosto do mesmo ano” (Fonte):

https://en.wikipedia.org/wiki/NATO#/media/File:Truman_signing_North_Atlantic_Treaty.jpg

Victor José Portella Checchia - Colaborador Voluntário

Bacharel em Relações Internacionais (2009) pela Faculdades de Campinas (FACAMP), Especialista em Direito Internacional pela Escola Paulista de Direito (EPD) e Especialista em Política Internacional pelo CEIRI (Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais). Atuou em duas grandes multinacionais do setor de tecnologia e na área de Cooperação Internacional na Prefeitura Municipal de Campinas com captação de recursos externos, desenvolvimento de projetos na área econômica e comercial e buscando oportunidades de negócios para o município. Atualmente é Consultor de Novos Negócios na Avanth International em Campinas/SP. Escreve semanalmente sobre América do Norte com foco nos Estados Unidos.

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1 Comments

  1. Tiago Jorgens 29 de Maio de 2017

    Na visita a Arabia Saudita o presidente Trump focou na área comercial com negócio de U$ 110 bilhões em armas com os sauditas, em relação a OTAN os europeus tem que ficarem desconfiados com Trump, pois ao que tudo indica os americanos tem relações ainda não explicadas com os russos desde antes da eleição para presidente dos EUA.

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