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Na última semana, a cidade de Arkhangelsk, na Rússia, sediou o Fórum Internacional do Ártico, o qual teve como tema deste ano (2017): “O homem no Ártico em alusão ao ideário russo de inclusão dos povos indígenas no processo de desenvolvimento local”. Com o objetivo de incentivar a economia na região ártica, o Governo russo tem apostado na construção de infraestrutura de transportes, tanto para auxiliar a indústria de petróleo e gás, quanto para fomentar o setor do turismo e a logística do país.

A Rota do Mar do Norte é um grande foco da atenção de Moscou, que visa dar ênfase às possibilidades econômicas, mediante à facilitação da navegação e os suportes de informação, com o objetivo de ampliar o tráfego de mercadorias, o qual obteve um crescimento de aproximadamente 40% em 2016 e um fluxo de 7,5 milhões de toneladas. Os russos buscam investir no monitoramento por satélite e na construção da ferrovia latitudinal do norte, que ligará a Sibéria Ocidental ao Mar Báltico, e será de grande valia na concorrência com a China, a qual possui o projeto de ativar a sua Rota da Seda como estratégia de mercado.

O Ártico russo concentra importância substancial para o país porque nele existe a maior parte das reservas de óleo e gás da Rússia, que, segundo Artur Chilingarov, o representante especial do Presidente russo e vice-presidente do comitê organizador do Fórum, contém “90% das reservas de hidrocarbonetos recuperáveis, tem extraído 90% de gás natural e concentra 80% das reservas comprovadas da Rússia”, sem mencionar as possibilidades de extração de níquel, cobalto e cobre, abundantes na região.

No âmbito das questões geopolíticas e ambientais, a Rússia detém um histórico de cooperação internacional na área e incentiva a pesquisa conjunta em regiões polares, a exemplo da Iniciativa de Parceira Polar Internacional (MPPI), criada no interior da Organização das Nações Unidas (ONU), com o objetivo de enfatizar o desenvolvimento sustentável. Além disso, possui plenos direitos de exploração de suas zonas econômicas exclusivas e de sua plataforma continental, consoante a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, de 1982, de forma que o país atua dentro dos limites estabelecidos e não vislumbra a possibilidade de belicismos, acrescentando-se que, na questão da exploração da região, a relação da Rússia com os 4 principais países do Ártico (Estados Unidos, Canadá, Noruega e Dinamarca) fluem sem grandes problemas.

Consoante os analistas, é correta e estratégica a iniciativa russa de desenvolver uma região com apenas 2 milhões de habitantes, auferindo progresso econômico-financeiro. Isso tem obtido avaliações positivas, à medida que a Rússia recebe a visita de delegações estrangeiras, algo que permite verificar a ênfase dada na cooperação internacional e traz a expectativa de atração de investidores, bem como de fornecedores para a implementação de seus projetos. Todavia considera-se negativa a possível despreocupação com os fatores do aquecimento global, algo observado com a ausência do discurso de combate ao efeito estufa durante o Fórum.

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Imagem 1 Cidade de Arkhangelsk, Rússia” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/39/Arkhangelsk%2C_Russia.jpg (Copiar e colar para ter acesso a imagem)

Imagem 2 Oblast de Arkhangelsk” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/e/eb/Arkhangelsk_in_Russia_%28%2BNenets_hatched%29.svg/640px-Arkhangelsk_in_Russia_%28%2BNenets_hatched%29.svg.png (Copiar e colar para ter acesso a imagem)

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Bruno Veillard - Colaborador Voluntário Júnior

Mestrando pelo Programa de Pós-graduação em Sociologia e Política (PPG-SP), e Bacharel em Relações Internacionais pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro vinculado a Universidade Cândido Mendes (IUPERJ/UCAM). Atua na produção de notas analíticas e análises conjunturais na área de política internacional com ênfase nos países Nórdico-Bálticos e Rússia.

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