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[:pt]O desenvolvimento na África Subsaariana: uma epopeia em marcha, ou um sonho (INTRODUÇÃO)[:]

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As fronteiras aparecem como uma das principais invenções humanas, com capacidade infinita de alterar o espaço. Ainda que próximas uma à outra em termos de espaço, tratam-se de regiões separadas por uma linha invisível, imersas em tempos distintos, cujo passado, presente e futuro distinguem-se profundamente. Em outras palavras, constituem-se as fronteiras como o território da penumbra, da transição e da incerteza.

A história humana é povoada de fronteiras: “nós” e “eles”, os pronomes tão empregados quando o assunto trata das divisões humanas, são utilizados, em última instância, com o propósito da distinção. Tal distinção fora sustentada nos mais variados tipos de significantes que possam existir: no idioma, na religião dominante, nas condições naturais, nos sistemas políticos vigentes, entre tantos outros fatores. As fronteiras eram, com isso, territórios de transição linguística, de sincretismo ou zonas de transição de biomas.

Desde o fim da Segunda Guerra Mundial, no entanto, há um outro significado para este processo de distinção e que ocupa posição de protagonista na vida social contemporânea: o desenvolvimento. Ideia categorizada em “níveis de desenvolvimento”, o atual mapa mundial traz consigo não somente as fronteiras geográficas políticas, mas também uma tênue fronteira entre o mundo “desenvolvido” e o “não desenvolvido”: de um lado, o conforto e elevado padrão de vida das nações norte-americanas, europeias e japonesa, que avançam inclusive para uma cultura pós-materialista, depois de uma acumulação infindável; do outro, a vulnerabilidade social e a reduzida expectativa de vida entre os habitantes de algumas nações subsaarianas, latinas e asiáticas. Deste lado, a luta pela vida balança como um pêndulo entre a angústia e a esperança, entre um mix de indicadores sociais e econômicos promissores e negativos. No meio de ambos os polos está a “fronteira do desenvolvimento”, onde situam-se os chamados “países emergentes”.

Nas nações “não desenvolvidas” predomina a incerteza quanto ao futuro: seria o processo de cruzar a fronteira do desenvolvimento, juntando-se às nações já fixadas do outro lado do rio, uma epopeia em marcha ou uma verdadeira ânsia quixotesca? E quanto aos países que se distanciam extremamente dessa fronteira, prostrados bem longe dos indicadores socioeconômicos auferidos nas nações “desenvolvidas”, há esperança de que um caminhar adiante seja possível?

Longe de esperarmos responder a estas perguntas em sua totalidade, nesta série de quatro artigos que se desenrolarão no mês de março, propomos uma leitura nova sobre a temática do desenvolvimento. Como se constrói o discurso do desenvolvimento, Como se pensa o desenvolvimento entre os formuladores de políticas públicas e quais têm sido os principais entraves para a consecução do desenvolvimento: são essas as perguntas que nos propomos a responder. Para tanto, nos focaremos na conjuntura Subsaariana e na ideia de “desenvolvimento” transcorrida nessa região.

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Imagem 1 Pobreza Urbana” (FonteCommons Wikimedia):

https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Urban_Poverty.jpg

Imagem 2 Mapa Mundi com Classificação de Países em Desenvolvimento” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Pa%C3%ADs_em_desenvolvimento

Imagem 3 Uma pequena cerca separa a densamente povoada Tijuana, no México (à direita) de San Diego, nos Estados Unidos, no setor da Patrulha Fronteiriça. Um segundo muro está sendo construído até o Oceano Pacífico” (Fonte):

https://pt.wikipedia.org/wiki/Fronteira_Estados_Unidos-México#/media/File:Border_Mexico_USA.jpg

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Pedro Frizo - Colaborador Voluntário

Economista pela ESALQ-USP, é atualmente mestrando em Sociologia pelo Programa de Pós- Graduação do IFCH-UFRGS. Foi pesquisador do Programa de Mudanças Climáticas do Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM). Atualmente desenvolve pesquisas na área de Sociologia Econômica, Economia Política e Sociologia do Desenvolvimento. Escreve no CEIRI Newspaper sobre economia e política africana, como foco em Angola, Etiópia e Moçambique

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