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Nesta última quarta-feira, 17 de dezembro, após meio século de relações conturbadas e (quase) nenhum diálogo, os Estados Unidos (EUA) retomaram as relações diplomáticas com Cuba e afirmaram em entrevista nacional da Casa Branca que a política de isolamento imposta pelos EUA a Cuba fracassou: “Vamos acabar com a abordagem ultrapassada que durante décadas falhou no avanço dos nossos interesses, e começaremos a normalizar as relações entre os dois países” (“We will end an outdated approach that for decades has failed to advanced our interests and instead we will begin to normalize relations between our two countries”)[1].

A declaração dos dois presidentes, Barack Obama e Raúl Castro, que discursaram simultaneamente na televisão sobre a aproximação entre os Estados, trouxe surpresa a alguns analistas, apesar de um acordo estar sendo negociado secretamente durante 18 meses, tanto com apoio canadense, quanto com apoio e encorajamento do Papa Francisco, que organizou a reunião final no Vaticano[1]. Apesar do embargo econômico não poder ser suspenso sem a aprovação do Congresso americano, as restrições poderão ser reduzidas. As relações diplomáticas, como a reabertura da Embaixada Americana, o diálogo entre representantes dos Estados, e a facilitação de transferência financeira entre cubanos que vivem nos EUA para familiares em Cuba, são algumas das medidas a serem tomadas em poucos meses.

O anúncio levantou debates e discordâncias nos EUA e entre os presidentes sul- americanos reunidos na Argentina por conta de uma Reunião Ordinária do Conselho do Mercado Comum do Sul, o MERCOSUL.

Nos EUA, tanto representantes do partido Democrata, do qual o presidente Barack Obama faz parte, quanto do Partido Republicano teceram críticas ao acordo. O senador Robert Menendes, democrata de Nova Jersey, advertiu que a troca de prisioneiros, parte do acordo com Cuba, define “Um precedente extremamente perigoso” (“an extremely dangerous precedent”)[2]. Já o senador Bob Corker, republicano do Tennessee, apontou que “Iremos examinar atentamente as implicações destas importantes mudanças políticas no Congresso” (“We will be closely examining the implications of these major policy changes in the next Congress”)[2]*.

Entre os representantes sul-americanos, Nicolas Maduro elogiou a “valentia[3][4] do presidente Barack Obama. O presidente colombiano, Juan Manuel Santos, mencionou a “audácia e coragem[3][4] dos governos: “É uma grande notícia para a região e para o mundo, é um passo fundamental para a normalização das relações entre os dois países que vai repercutir muito positivamente em todo o hemisfério[3][4].

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* Em 2001, cinco cubanos foram presos em Miami, EUA, por espionagem. Em 2009, o americano Alan Gross foi detido em Cuba por espionagem e incentivo a manifestações. Nesse acordo, os presos cubanos serão libertados pela liberação de Alan Gross.

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Imagem (Fonte):

http://www.thecubanhistory.com/wp-content/uploads/2014/11/cuba-estados-unidos-cuentas-pendientes.jpg

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[1] Ver:

http://www.nytimes.com/2014/12/18/world/americas/us-cuba-relations.html?_r=0

[2] Ver:

http://www.nytimes.com/2014/12/18/us/us-cuba-diplomatic-relations-agreement-shakes-up-politics.html

[3] Ver:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/12/141217_livepage_eua_cuba

[4] Ver:

http://www.diarioextra.com/Noticia/detalle/248628/eeuu-y-cuba-normalizaran-relaciones-medio-siglo-despues-de-su-ruptura

Monah Marins Pereira Carneiro

Mestranda pelo Programa de Pós-Graduação em Estudos Marítimos (PPGEM) da Escola de Guerra Naval (EGN-CEPE*).É pesquisadora do Laboratório de Simulações e Cenários (LSC) da mesma Instituição onde desenvolve pesquisa em Cenários para a Defesa, na área de Biossegurança. Bacharel em Relações Internacionais pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ-UCAM), onde atua como membro executivo do Grupo de Análise de Prevenção de Conflitos Internacionais (GAPCon), desde 2010. É bolsista pela Fundação EZUTE.

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