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Um dos países mais ricos do Oriente Médio, devido à exploração do petróleo, a Arábia Saudita[1] é regida pelo Alcorão, a Constituição oficial do país e a fonte do Direito Civil. O pais é uma Monarquia Absolutista Teocrática, a única do mundo a transformar um texto religioso em político, usando a doutrina islâmica. Dentre as normas existente, a segregação de gêneros é a mais exaltada e predomina em todo o território nacional.

A sociedade saudita demonstra diversas privações de direitos básicos para as mulheres, desde a obrigação do uso do véu ao sair de casa, não poder viajar, trabalhar, estudar, dirigir e até se casar, ao menos que tenha a permissão dos homens de sua família.As mulheres também sofrem com oportunidades de trabalhar limitadas, pois a participação feminina no mercado de trabalho é mínima, parcialmente por causa dos requisitos e tradições de segregação que incentiva as mulheres a focarem em se casar e ter filhos. No entanto, este cenário vem apresentando mudanças.

A Arábia Saudita investe bilhões de dólares para melhorar a educação das mulheres[2], como parte de um incentivo maior para melhor preparar os jovens para o mercado de trabalho, ofertando campus reformados, melhores estruturas e programas de pesquisa e uma pequena expansão no currículo para mulheres. A inspeção no ensino de mulheres na última década tem sido significante. Antigamente, as faculdades para mulheres eram supervisionadas pelo Departamento de Direcionamento Religioso (DDR) e elas ficavam sob o poder direto dos clérigos, mas, em 2002, as faculdades femininas foram transferidas para o Ministério da Educação, que supervisiona o ensino masculino, permitindo uma educação de qualidade para as mulheres. No ano de 2009, foi criada a primeira universidade mista do país, a Universidade Rei Abdullah de Ciência e Tecnologia. Este foi um grande desafio do Rei contra os ultraconservadores (que apoiam parcialmente o Rei) e tornou-se a única instituição onde homens e mulheres assistem às aulas juntos.

A mais recente conquista das mulheres árabes foi aplicada na semana passada, quarta-feira, dia 19, com a abertura do processo de registro eleitoral para votarem nas eleições municipais, que, segundo a Rede AlJazeera[3], é a primeira vez que elas poderão participar como eleitoras e candidatas do processo eleitoral no Reino. Há quatro anos, quando o então rei Abdullah concedeu por decreto o direito ao sufrágio feminino, a decisão foi manchete em todos os jornais do Reino, mas, desde então não houve ocasião para que essa novidade fosse implementada.

De acordo com o jornal Arab News, “A sociedade saudita mudará para sempre[4]. No entanto, as mulheres se mostram menos entusiasmadas, pois, mesmo com o direito de votarem, a realidade é que nem as Câmaras Municipais nem o Conselho Consultivo têm poder verdadeiro. O pleito acontecerá no dia 12 de dezembro, quando dos 1.263 centros de votação, 424 deles serão dedicados exclusivamente às mulheres.

Apesar da vida com restrições e desigualdades, presas pelas Leis de Guarda dos Homens[4]e normas culturais rígidas[5], a permissão do direito de voto às mulheres árabes deve ser considerada como um grande passo, pois aumentará substancialmente a participação política feminina e as mulheres serão devidamente representadas por alguém do mesmo gênero para defender os interesses femininos na Arábia Saudita.

A escritora saudita Afnan Linjawi disse à agência árabe: “Eu não esperava que isso fosse acontecer tão cedo[6]. Afnan comemora a possibilidade de votar pela primeira vez e para ela trata-se de uma vitória de líderes feministas locais, que pressionaram pela iniciativa há anos. Conceder direito de votar é o primeiro ato para reduzir as diferenças de gênero[6] na Arábia Saudita, mas outras iniciativas como poder dirigir e poder tomar decisões devem ser adotadas, pois, como bem disse Aziza Yousef, da Universidade Rei Saud, “as mulheres precisam ser educadas em uma cultura garantidora de direitos, elas podem ter um PhD, mas não saber quais são seus direitos[7].

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Imagem (Fonte):

http://www.aljazeera.com/news/2015/08/saudi-women-vote-municipal-elections-150819132015637.html

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://country-facts.com/pt/country/asia/198-saudi-arabia/1852-saudi-arabia-women-in-saudi-society.html

[2] Ver:

http://g1.globo.com/educacao/noticia/2013/12/na-arabia-saudita-mulheres-so-podem-estudar-se-um-parente-permitir.html

[3] Ver:

http://www.aljazeera.com/news/2015/06/saudi-women-register-vote-150621081535058.html

[4] Ver:

http://www.arabnews.com/saudi-arabia/news/792531

[5] Ver:

http://www.aljazeera.com/news/middleeast/2014/03/saudi-activists-demand-end-male-control-201432132928215484.html

[6] Ver:

http://cnnespanol.cnn.com/2012/08/14/una-ciudad-solo-para-mujeres-en-arabia-saudita/

[7] Ver:

http://www.jornalciencia.com/sociedade/diversos/4403-arabia-saudita-proibe-que-mulheres-tenham-olhos-tentadores-ou-bonitos-e-exige-o-uso-de-roupa-no-rosto

Izabel Sales Afonso - Colaboradora Voluntária Júnior I

Graduada em Direito pela Faculdade de Ciências Humanas de Pernambuco; Jornalista; Pós-graduanda em Política Internacional pela Faculdade Damásio, Pós-graduanda em Comércio Exterior e Negócios Internacionais pela Universidade de Araraquara(UNIARA); Graduada em Direito pela Faculdade de Ciências Humanas de Pernambuco; Jornalista; atua como voluntária no Instituto de Reintegração do Refugiado(ADUS).

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2 Comments

  1. Roberto Borges 30 de dezembro de 2015

    É inconcebível que atualmente ainda exista discriminação com a mulher por causa de justificativa religiosa. Nos desenvolvemos tanto e em certos momentos parece que ainda estamos na pedra lascada. Mulheres e homens são seres humanos e é isto que importa. E os dois são os pilares de qualquer sociedade. A partir do momento que um é visto com desigualdade, a sociedade deixa de funcionar bem. E, mesmo hoje, a mulher é vítima de uma discriminação sem lógica. É bom ver que atitudes como esta estão sendo tomadas mesmo que ainda represente pouco. Mas é mais um passo em busca da igualdade de mulheres e homens.

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  2. Matheus Mousse 17 de maio de 2016

    É uma sacanagem o que fazem com as mulheres de lá. Elas são lindas e adoram os nossos conteúdos. Veja o que elas falaram do nosso cronograma capilar: http://sphaircosmeticos.com.br/blog/dicas/cronogr

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