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O envelhecimento da população chinesa e tendências para a demografia global

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Um novo relatório publicado pela empresa de consultoria Deloitte, em dezembro (2017), trata da demografia na Ásia, produzindo análises e previsões em relação aos mercados de trabalho da região. Salienta-se que a China poderá apresentar o envelhecimento de uma porcentagem substancial de sua população economicamente ativa nas próximas décadas. Paralelamente a isto, a Índia verá o crescimento do número dos seus nacionais que se encontram em idade de trabalho.

Gênero e distribuição demográfica na pirâmide etária na China, segundo o censo de 2010

O documento ressalta que a Índia deverá ter um incremento de 115 milhões de pessoas em idade economicamente ativa na próxima década, enquanto a China e o Japão verão uma queda nesse mesmo recorte populacional na escala de 21 milhões e 5 milhões de pessoas, respectivamente. Outros países da Ásia, tais como Filipinas e Indonésia, apresentarão igualmente o crescimento de sua população de jovens na próxima década.

A China possui cerca de 150 milhões de pessoas com mais de 65 anos e o crescimento deste substrato populacional é em parte creditado, no relatório, à política do filho único. No momento, o Governo Central já determinou o fim desta política. Entretanto, após mais de 35 anos de vigência (1979-2015) os seus efeitos continuarão a ser sentidos. Outras perspectivas afirmam que o envelhecimento populacional é um fato social advindo do desenvolvimento econômico e do decorrente aumento da expectativa e qualidade de vida.

No longo prazo, os países que enfrentam o problema do envelhecimento dos seus trabalhadores poderão focar em políticas de aumento da produtividade, recepção de imigrantes e igualdade de gênero, estimulando maior integração das mulheres ao mercado de trabalho. O setor de saúde deverá apresentar um grande crescimento em sua demanda. Mesmo após todas estas considerações, é preciso salientar: a demografia não determina necessariamente o destino de uma nação.

Tendências de risco por país

Avanços tecnológicos poderão mitigar os efeitos do recuo demográfico sobre a dinâmica das economias asiáticas. Adicionalmente, com a mudança no padrão econômico chinês e um maior direcionamento para os setores de tecnologia, serviços e bens de consumo, é possível que a população em idade mais avançada continue sendo capaz de contribuir para o desenvolvimento do país. Estruturas institucionais sólidas e políticas públicas adequadas são essenciais para poder navegar por estas mudanças demográficas sem produzir tensões sociais, aumento da desigualdade ou enfrentar problemas de desemprego.

Globalmente, a demografia traz previsões interessantes. A população economicamente ativa da Índia deverá passar de 885 milhões de pessoas em 2015 para mais de um bilhão de pessoas em 2037. Similarmente, a população global deverá chegar ao pico de 10 bilhões de pessoas no ano de 2050. A África será muito representativa e importante neste movimento. Espera-se um aumento da população africana na ordem 1,3 bilhão de pessoas até 2050.

Por fim, a nova onda no crescimento econômico global deverá ser impulsionada pelo dinamismo da Índia e por uma economia chinesa altamente tecnológica. Estas projeções trazem potencialidades para empresas de diversos setores. Alguns especialistas têm afirmado que ambos os países terão de ser capazes de conduzir reformas e adaptações, em cujos processos a participação do Estado deverá ser essencial para que estas possam se consolidar.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Idosos de origem asiática” (Fonte):

https://www.goodfreephotos.com/albums/people/old-asian-people-in-a-crowd.jpg

Imagem 2 Gênero e distribuição demográfica na pirâmide etária na China, segundo o censo de 2010” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/1/1a/China_Sex_By_Age_2010_census.png

Imagem 3 Tendências de risco por país” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/7/7d/Annual_Trend_in_Euromoney_Country_Risk%2C_March_2000_-_March_2011.svg/2000px-Annual_Trend_in_Euromoney_Country_Risk%2C_March_2000_-_March_2011.svg.png

Ricardo Kotz - Colaborador Voluntário

Mestrando no programa de Pós Graduação em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), atuando na linha de Economia Política Internacional. Possui especialização em Estratégia e Relações Internacionais Contemporâneas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Graduado em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Pampa (UNIPAMPA). Agente consular junto ao Consulado Honorário da França em Porto Alegre, atuando paralelamente no escritório RGF Propriedade Intelectual, no período de 2013-2015.

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