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O Esporte de Base: A chave para o desenvolvimento de atletas e regiões

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Como parte do trabalho como olheiro para um time profissional da região de Londres, percorro diversas competições de jovens, de sub-7 (para os mais novos) e sub-15 (para os mais velhos). Percebe-se que o sistema inglês de observar jogadores tão jovens para incluí-los em times profissionais pode ser considerada como equivocada, trazendo apenas pressão sobre as crianças, que, apertadas pelos pais e treinadores acabam desgostando-se pelo esporte. Porém, foi possível ver em varias ocasiões, dentre elas a observação que está sendo feita no momento, que ainda é possível perceber muitas crianças se divertindo e aproveitando a atividade.

São destas pequenas ligas regionais, ou até mesmo ligas de bairros, levando-se em consideração que numa cidade como Londres cada bairro adquire a configuração de uma pequena cidade, que saem muitos dos futuros integrantes das categorias de base dos times profissionais da terra da Rainha. É possível admitir que a importância destas ligas e competições é outra: cria-se uma oportunidade para crianças de todas as origens étnicas participarem do mesmo espaço sem descriminações, além de gerar um pouco de dinheiro para a comunidade, através da venda de alimentos e bebidas não alcoólicas.

O Futebol de Base é o apoio do sucesso de diversos países, como a Alemanha, a Holanda e os demais Países Nórdicos, tanto no masculino e quanto no feminino. O sucesso não é medido em números de títulos, mesmo sendo a Alemanha a atual campeã da Copa do Mundo, e sim na quantidade de crianças que participam ativamente em clubes esportivos, sejam eles de futebol ou de qualquer outro esporte.

Na Alemanha, após o fracasso na Copa de 2002, quando era favorita e perdeu para o Brasil na final, houve um investimento enorme por parte da sua Federação Nacional visando renovar as categorias de base de times profissionais e o futebol amador, que necessita, em todas as circunstancias, de um investimento financeiro para que todos continuem participando e atinjam o seu potencial. Esta pequena revolução teve, 12 anos depois, a prova do seu sucesso com a vitória da Seleção Alemã na última Copa do Mundo, ocorrida no Brasil, que tinha jogadores de diversas etnias.

Acredita-se que a aplicação destes conceitos e esta revolução nas categorias de base e no futebol amador fazem-se necessários em um país como o Brasil, onde em cada campo de terra ou mesmo nas ruas existe uma qualidade que muitas vezes é deixada de lado. É importante lembrar que, mesmo que cada país tenha suas próprias características, a falta de organização de Ligas e Campeonatos de jovens fora do eixo profissional é gritante, algo que necessita ser abordado de maneira a desenvolver o futebol fora deste eixo, bem como também em áreas que não fazem parte do radar da Confederação Brasileira de Futebol.

Vários observadores apontam que agora é o momento certo, após o fracasso brasileiro ocorrido durante a Copa do Mundo com a derrota para a Alemanha, da forma como ocorreu, além do investimento multimilionário realizado nos estádios e feito em cidades cujos times profissionais estão fora do grande eixo competitivo.

Considera-se que seria uma maneira de reverter a herança desta Copa do Mundo, podendo, daqui a alguns anos, levar o Brasil a recuperação da condição de campeão. Considera-se que melhorar o Futebol (logo sua administração) e o que tem em torno dele, como a educação, a saúde e o desenvolvimento, só trará benefícios ao Brasil. Nesse sentido, o investimento por parte do Estado e de Empresas que sejam ou não ligadas ao esporte não será visto como desperdício, pois se estaria investindo no futuro da população e da sociedade.

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ImagemDois times da região Sul de Londres durante a competição” (Fonte):

Thomas Farines

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Fontes consultadas:

Reportagem realizada por Thomas Farines, in locu.

Thomas Farines - Colaborador Voluntário Júnior 1

Mestrando em Estudos Políticos do Oriente Médio e do Mediterrâneo no King’s College London. Especialista em História e Política do Oriente Médio e Maghreb. Possui Bacharelado em Historia pela UFSC. Participou de diversos projetos de pesquisa ligados ao CNPQ: A imagem do Outro em relatos de viajantes; Diáspora Africana no Brasil e Movimento Sem Terra. Hoje, além de trabalhar academicamente com Esporte para o Desenvolvimento e para a Paz, é treinador voluntário em um projeto que ensina jovens de bairros desprivilegiados a jogar futebol.

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