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O Estádio de Futebol é um palco de extremismos? O caso do Derby de Tel Aviv

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O Esporte é muitas vezes palco de violências, sejam elas pelos atletas ou pelos espectadores. O Futebol não escapa desta lógica e são noticiados diversos casos de violências verbais e físicas como a que aconteceu na semana passada em Tel Aviv, Israel.

O Estádio de Futebol é o local para onde o torcedor vai para assistir à partida e quando este passa a sua entrada, supostamente, o que não é Futebol fica do lado de fora. Evidentemente que isso é uma visão simplista da entrada no ambiente da partida e, se tudo o que não é Futebol ficasse de fora, não haveria tantos casos de violência.

O fato é que ao entrar no Estádio para ver o time jogar, o torcedor também leva consigo toda sua bagagem cultural e todas as suas frustações. Ficando claro, que tal condição não justifica nenhum ato ilegal, bem como que se deve entender que não são somente pessoas com problemas sociais, como o desemprego, que praticam a violência, pois ela decorre de algo maior e mais amplo do que somente uma questão de classe social.

A luta contra o racismo que está presente no Futebol, por exemplo, é relativamente nova e ainda tem muito caminho pela frente. Existem organizações ligadas a este esporte e as suas instituições que estão na vanguarda desta luta, como é o caso do FARE Network e do Kick It Out que trabalham para retirar do Futebol o racismo e qualquer outro tipo de descriminação[1].

Em relação a este aspecto, o país onde ocorreu o incidente de segunda-feira passada, Israel, é um Estado que é visto por alguns como racista devido a difícil inclusão dos árabes que vivem no país nas diversas esferas sociais, tal como política e economia[2]. Conforme aponta Tamir Sorek em seu livro sobre o Futebol árabe no Estado Israelita, existe uma participação muito grande da população árabe no esporte rei, inclusive com times que obtiveram sucesso na última década[3].

Estes clubes, entretanto, são de cidades árabes em Israel, sendo a maior parte de seus jogadores de origem árabe e, de acordo com suas interpretações, há uma segregação entre estes clubes e os clubes de cidades onde majoritariamente há uma população israelense. Raros foram os jogadores árabes que jogaram pela Seleção Israelense e ainda mais raro foram os que jogaram em times cuja torcida é associada a movimentos extremistas e ao racismo, como é o caso do Beitar Jerusalém, constantemente citado pela mídia[4].     

O acontecimento da semana passada não ocorreu por causa de racismo e sim devido à troca de clube feita pelo jogador que fez o gol de sua atual equipe contra a antiga equipe em que jogava. Esta rivalidade entre clubes da mesma cidade e o momento de tensão vivido na região, no entanto, faz com que diversas vezes torcedores de um país onde uma minoria é oprimida violentamente, ou se considera como tal, acreditem que a violência seria a maneira de resolver o problema.

Diante do fato, observadores apontam que o racismo e as outras diversas maneiras pelas quais os jogadores, torcedores, juízes e outros envolvidos são descriminados só podem ser resolvidas por meio de educação básica, mas também de sanções exemplares para impedir a naturalização destes eventos de violência.

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Glossário (Derby): É o principal embate de uma competição. No caso de uma partida de futebol, onde se encontram dois times que tem uma rivalidade. Como exemplo, Palmeiras e Corinthians jogam o Derby Paulista. A origem da utilização da palavra Derby, mais comum no mundo anglo-saxão, pode provir da Cidade de Derby. (Informações: http://www.derbytelegraph.co.uk/City-s-Shrovetide-match-birth-local-derby-phrase/story-17187254-detail/story.html#axzz2ddonmh62)

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ImagemTorcedor sem camisa é retirado pela polícia enquanto inicia-se uma briga entre jogadores dos dois clubes” (Fonte):

http://www.dailymail.co.uk/sport/football/article-2820058/Referee-sends-Maccabi-Tel-Aviv-star-Eran-Zahavi-kicks-fan-attacked-Israeli-match-abandoned.html

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Fontes Consultadas:

[1] Site das organizações:

Kick it out: http://www.kickitout.org/;

Fare Network: http://www.farenet.org/

[2] Associação para Direitos Civis em Israel sobre o direito das minorias árabes:

http://www.acri.org.il/en/category/arab-citizens-of-israel/arab-minority-rights/

[3] Site pessoal de Tamir Sorek: http://plaza.ufl.edu/tsorek/ e capítulo sobre os torcedores do Maccabi Haifa: http://plaza.ufl.edu/tsorek/articles/Chapter6.pdf

[4] Em 2013, o Presidente do clube contratou dois jogadores muçulmanos. Os torcedores manifestaram a insatisfação com as contratações. Notícia:

http://www.independent.co.uk/news/world/middle-east/its-not-racism-the-muslim-players-just-shouldnt-be-here-beitar-jerusalem-fans-walk-out-over-signing-of-two-muslim-chechen-players-8519748.html

Thomas Farines - Colaborador Voluntário Júnior 1

Mestrando em Estudos Políticos do Oriente Médio e do Mediterrâneo no King’s College London. Especialista em História e Política do Oriente Médio e Maghreb. Possui Bacharelado em Historia pela UFSC. Participou de diversos projetos de pesquisa ligados ao CNPQ: A imagem do Outro em relatos de viajantes; Diáspora Africana no Brasil e Movimento Sem Terra. Hoje, além de trabalhar academicamente com Esporte para o Desenvolvimento e para a Paz, é treinador voluntário em um projeto que ensina jovens de bairros desprivilegiados a jogar futebol.

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