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O Estado Islâmico avança na Líbia, atacando a Embaixada da Argélia em Trípoli

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No último sábado, 17 de janeiro, a Embaixada da Argélia em Trípoli sofreu um ataque à bomba, ferindo gravemente um segurança e dois cidadãos que passavam pelo local no momento da explosão. O atentado foi reivindicado pelo Estado Islâmico, que assumiu a autoria do evento em mensagem na sua conta do Twitter, apesar de a informação não ter sido confirmada por fonte independente[1]. Segundo um funcionário da representação diplomática, os explosivos foram atirados de um carro em movimento. Contudo, em mensagem publicada no Twitter, o Estado Islâmico deu uma versão diferente, afirmando que os explosivos foram colocados por seus militantes sob a guarita do segurança[2].

O Ministro das Relações Exteriores da Argélia, Ramtane Lamamra, condenou o atentado classificando-o como “um crime contra o Direito Internacional[3]. Devemos salientar que o Estado Islâmico tem vindo a praticar atentados na Líbia, inclusive contra jornalistas e instalações policiais, não demonstrando a intenção de pretender terminar este tipo de atividade. Hoje, especula-se que o atentado contra a Embaixada da Argélia foi uma represália pelo fato de o Governo argelino se ter recusado aceitar que os irmãos Saïd e Cherif Kouachi, de origem argelina, responsáveis pelos assassinatos na sede do jornal Charlie Hebdo, em Paris, fossem enterrados na Argélia[4]

Os danos decorrentes do ataque não foram maiores porque a Embaixada estava vazia. Porém, este episódio confirma a presença do Estado Islâmico na Líbia, o que contribui para o agravamento da situação do país, que é caótica desde a queda e morte de Muammar al-Gaddafi, em 2011. Hoje, a Líbia está sob o domínio de dois Governos rivais e cada um conta com o apoio de milícias diferentes, que separam a nação. O Parlamento, reconhecido internacionalmente, perdeu Trípoli para a milícia islâmica que detém o poder na capital[5].

A ausência de um Governo de unidade e o caos político líbio beneficiam o Estado Islâmico, que tem se aproveitado da situação para consolidar a sua posição no país magrebino. De acordo com uma reportagem da CNN, em novembro de 2014, Derna, uma cidade líbia com aproximadamente 100.000 habitantes, próxima à fronteira com o Egito e a cerca de 200 Km da costa sul da Europa, está sob o domínio do Estado Islâmico[6]. Segundo informações, em Derna, o Estado Islâmico possui 800 combatentes e alguns acampamentos nas proximidades da cidade, sendo que as instalações maiores estão próximas às Montanhas Verdes, onde todos os combatentes da África do Norte são treinados[7].

Segundo Noman Benotman, ex-jihadista líbio atualmente envolvido no combate ao terrorismo, “hoje, Derna é idêntica a Raqqa, a cidade sede do Estado Islâmico na Síria[8], tendo adiantado que “o Estado Islâmico representa uma séria ameaça à Líbia. Eles estão no caminho para a criação de um Emirado Islâmico no leste da Líbia[8]. Neste contexto, a Líbia, mais do que um alvo, é uma realidade para o Estado Islâmico que, estrategicamente, domina uma região que facilita o acesso ao território europeu, localizado a poucos quilômetros de seu enclave líbio.

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ImagemEmbaixada da Argélia em Trípoli, após o atentado de 17 de janeiro de 2015” (Fonte):

http://s2.glbimg.com/uSUYv4zct5iNFbfLSRxLmpQU9ZM=/620×465/s.glbimg.com/jo/g1/f/original/2015/01/17/2015-01-17t131310z_1486878171_gm1eb1h1mu201_rtrmadp_3_libya-security.jpg

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Fontes Consultadas:

[1] Ver:

http://english.al-akhbar.com/content/isis-attacks-algerian-embassy-libya%E2%80%99s-tripoli

[2] Ver:

http://english.al-akhbar.com/content/isis-attacks-algerian-embassy-libya%E2%80%99s-tripoli

[3] Ver:

http://www.news24.com/Africa/News/3-wounded-in-bombing-at-Algerian-Embassy-in-Libya-20150117

[4] Ver:

http://www.libyaherald.com/2015/01/17/algerian-embassy-in-tripoli-in-bomb-attack-jihadists-claim-responsibility/#axzz3PDqSRIQm

[5] Ver:

http://www.news24.com/Africa/News/3-wounded-in-bombing-at-Algerian-Embassy-in-Libya-20150117

[6] Ver:

http://edition.cnn.com/2014/11/18/world/isis-libya/

[7] Ver:

http://edition.cnn.com/2014/11/18/world/isis-libya/

[8] Ver:

http://edition.cnn.com/2014/11/18/world/isis-libya/

Marli Barros Dias - Colaboradora Voluntária Sênior

Possui graduação em Filosofia (bacharelado e licenciatura) pela Universidade Federal do Paraná (1999), com revalidação pela Universidade de Évora (2007), e mestrado em Sociologia (Poder e Sistemas Políticos) pela Universidade de Évora (2010). É doutoranda em Teoria Jurídico-Política e Relações Internacionais (Universidade de Évora). É professora da Faculdade São Braz (Curitiba), pesquisadora especialista do CEFi – Centro de Estudos de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), e pareceirista do CEIRI Newspaper (São Paulo).

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