LOADING

Type to search

O Estado Islâmico na visão dos Pré-Candidatos estadunidenses à Presidência

Share

As primárias bipartidárias nos Estados Unidos atingiram momento importante quanto à definição dos candidatos para o sufrágio presidencial de novembro próximo. A última semana demonstrou que, pelo Partido Republicano, a nomeação de Donald Trump ficou mais próxima, após John Kasich decidir pela suspensão sua campanha e por Ted Cruz optar por renunciar a sua candidatura. Desse modo, a definição de quem serão os dois presidenciáveis depende da confirmação da nomeação de Hillary Clinton, que lidera as pesquisas pelo Partido Democrata. Entretanto, analistas acreditam que Bernie Sanders possui ímpeto em manter sua campanha por mais tempo.

O protagonismo dos últimos três candidatos evidencia também o antagonismo no planejamento governamental futuro. Em política externa, por exemplo, um dos debates em voga remete ao papel do Estado Islâmico (EI, ou ISIS – Islamic State of Iraq and Al-Sham, na terminologia considerada adequada) nos desequilíbrios em segurança internacional e por quais meios será possível por fim à ameaça que tem gerado reflexos em todo o sistema internacional.

O próximo Presidente americano terá de enfrentar condições difíceis a nível diplomático que devem incluir forças terrestres em apoio aos curdos e sobre o destino do Presidente sírio Bashar Al Assad. Nesse sentido, as mudanças podem ocorrer inclusive sobre prolongamento, ou não das incursões aéreas, da venda de armas para insurgentes considerados moderados na oposição, quanto ao treinamento e aconselhamento militar e participação das forças de operações especiais.

Na atual administração, do presidente Barack Obama, a coalizão internacional gerou frustração, principalmente de países árabes, em especial sunitas que, direcionados para o conflito Arábia Saudita versus rebeldes xiitas Houthi no Iêmen, pouco se envolveram além da retórica, fato confirmado pelo Pentágono que contabilizou mais de dez mil bombardeios no Iraque e na Síria, três quartos deles pelas forças norte-americanas a partir de fevereiro deste ano (2016).

Em relação aos candidatos, a começar por Hillary Clinton sua proposta no que tange ao Estado Islâmico é aprofundar os mecanismos de apoio com os aliados, diplomáticos e militares, através de três elementos: derrotar o ISIS na Síria e no Iraque; interromper e desmantelar a infraestrutura terrorista crescente que facilita o fluxo de combatentes, financiamento, propaganda; investir em planos de defesas para os aliados. Em relação a forças em solo, Clinton apoia a decisão de Obama, descartando essa iniciativa e deixando a cargo dos regionais a tarefa de lutar em terra, porém não rejeita forças especiais para “acompanhar” os militares iraquianos e rebeldes sírios, além de salientar a necessidade de criação de uma zona de exclusão aérea para proporcionar o deslocamento de refugiados.

O opositor democrata, Bernie Sanders, que sempre destacou de forma crítica a ação militar dos EUA no Oriente Médio, tendo se votado contra a invasão ao Iraque, em 2003, bem como da Guerra do Golfo, em 1991, entende que a derrocada do Estado Islâmico virá apenas pelo esforço unificado entre os Estados Unidos e seus aliados, principalmente líderes da região, Arábia Saudita e Turquia, na mesma proporção, mas descarta tropas em terra, por entender em um colapso do qual será difícil de sair.

Por outra via, Donald Trump direciona a política externa a repactuar iniciativas beligerantes e isolacionistas. Em novembro de 2015, após os atentados de Paris, o pré-candidato republicano alegou que poderia, uma vez Presidente, intensificar os ataques ao autoproclamado Estado Islâmico e restringir a capacidade do grupo de usar a internet como ferramenta de recrutamento. Sobre seu posicionamento quanto ao envio de tropas, mostra-se o oposto ao dois candidatos democratas. Acredita que um efetivo de 20 a 30 mil homens pode reverter o quadro de degradação das regiões sírias e iraquianas. No tocante aos refugiados, pleiteia o estabelecimento de áreas seguras para os refugiados em trânsito.

Com os três quadros demonstrando possibilidades distintas, há, porém, em comum, apenas prerrogativas de envolvimento direto, ou indireto.

Parte dos analistas internacionais acredita em outra tese para a política externa do Oriente Médio do futuro novo Presidente estadunidense. Desde a Guerra Fria, o establishment de Washington defendia a sustentação e a contenção do Médio Oriente. A elite norte-americana e a opinião pública convergiam na mesma interpretação, cujos objetivos eram a preservação ao acesso do petróleo da região, garantir a segurança de Israel e frustrar as tentativas de influência soviética e, mesmo após esse período bipolar do sistema internacional, a presença dos Estados Unidos ainda contribuiu para inúmeras ações.

Hoje, um consenso bipartidário sustenta objetivos de “abandonar” o Oriente Médio definitivamente, focando a política externa para outras regiões e com propósitos mais alinhados à matriz de desenvolvimento econômico e à reformulação do sistema financeiro. Os períodos de guerra deixaram uma nação cansada e com traumas e a elite irá direcionar o pensamento da opinião pública para essa nova vertente política.

———————————————————————————————–

Imagem (Fonte):

http://www.cfr.org/publication/image-resizer.php?id=14811&preset=bkg_tcp_1160

Victor José Portella Checchia - Colaborador Voluntário

Bacharel em Relações Internacionais (2009) pela Faculdades de Campinas (FACAMP), Especialista em Direito Internacional pela Escola Paulista de Direito (EPD) e Especialista em Política Internacional pelo CEIRI (Centro de Estratégia, Inteligência e Relações Internacionais). Atuou em duas grandes multinacionais do setor de tecnologia e na área de Cooperação Internacional na Prefeitura Municipal de Campinas com captação de recursos externos, desenvolvimento de projetos na área econômica e comercial e buscando oportunidades de negócios para o município. Atualmente é Consultor de Novos Negócios na Avanth International em Campinas/SP. Escreve semanalmente sobre América do Norte com foco nos Estados Unidos.

  • 1

Deixe uma resposta