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O exercício de desinformação sobre a real condição de Hugo Chávez

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Chávez e o então Presidente da Argentina Néstor Kirchner discutindo projeto de integração energética e comércio para a América do Sul. Encontro em 21 de novembro de 2005, na VenezuelaA questão da saúde do presidente venezuelano Hugo Chávez está revelando para o mundo uma fase de “Guerra Psicológica” na Venezuela, antes do combate político que está sendo previsto para ocorrer nos próximos meses, quando se acredita que haverá a luta real entre os governistas e a Oposição, mas também entre os partidários do mandatário, que, embora tenham apresentado para a sociedade venezuelana um acordo em torno da continuidade do projeto chavista, têm mostrado discordâncias e dado indícios de que há uma disputa interna pela herança política do Presidente.  

Desde que retornou ao país, as informações são de que se encontra em fase de recuperação, concentrando esforços em sua saúde, mas que vem mantendo o trabalho administrativo do Governo, despachando com os Ministros e demais autoridades. O Vice-Presidente, Nicolás Maduro informou explicitamente que o mandatário continua no comando, de forma que não há qualquer problema acerca da governabilidade venezuelana.

Afirmou em entrevista ao canal de TV estatal que ele “está dando ordens e trabalhando por seu povo. (…). Ele pode dar ordens porque é o chefe da revolução e porque estamos absolutamente subordinados à sua liderança[1]. No entanto, indiretamente admitiu que a situação é bem pior do que vem declarando, já que, pela declaração, Chávez tem dificuldades para comunicar-se, uma vez que, para se manifestar, ele o faz “escrevendo e por outras formas que ele inventou. Você sabe que o presidente Chávez é muito criativo e suas mãos não estão atadas quando é preciso comunicar ordens, orientações e preocupações[2].

A nova batalha de informações, que inclusive levou a estas manifestações de Maduro, começou no último dia 27 de fevereiro, quarta-feira, quando ex-embaixador do Panamá naOrganização dos Estados Americanos” (OEA), Guillermo Coches,  colocou em seu Twitter que “O presidente Chávez está morto há quatro dias. Ele estava com morte cerebral desde 30 ou 31 de dezembro. Seus filhos decidiram desconectar [os aparelhos][1]. (…) “O mais provável é que o presidente foi desligado há 4 dias dos aparelhos de manutenção da vida[3].

A informação se espalhou pelo mundo e incomodou o Governo venezuelano que se viu obrigado a responder à declaração e a acusar Coches por meio do site da rede de TV estatal venezuelana, declarando que “o advogado panamenho parece gostar de ser o centro das atenções ao divulgar constantes mentiras[1], aproveitando para responsabilizá-lo pela divulgação de foto errada de Chávez entubado que foi publicada no jornal “El País”, o qual depois se desculpou pelo equívoco.

O diplomata panamenho, por sua vez, treplicou pelo Twiter, primeiro, desafiando: “Desafio o governo não a me questionar – isso ele faz a todo o instante -, mas a mostrar Chávez à Venezuela e ao mundo. Não poderão fazer isso[1]. Depois, questionando e provocando: “Seis horas após a notícia sobre a morte de Chávez [ter sido divulgada], ainda não o mostraram vivo. Será que farão isso?[1].

Analistas destacam que estão sendo apresentadas duas formas de abordagem sobre esta questão: a primeira, que Chávez está morto, embora não se saiba desde quando, e a segunda, que ele está em estado terminal, ou inconsciente, e os familiares e seus partidários estão esperando o momento certo de desligar os aparelhos. A resposta governamental, que serve para as duas abordagens, é que o Presidente está se recuperando e mantém as atividades, mas não adianta apresentar provas sobre isso, pois, quaisquer que sejam, elas não serão aceitas pelos opositores. Maduro declarou: “os traidores jamais vão acreditar em nada que se diga ao povo sobre a saúde de Chávez[4].

Além disso, usam como justificativa para as mudanças do Presidente, tal qual a atual em que ele foi transferido para a residência presidencial na ilha “La Orchila”, como sendo apenas para dar continuidade à última etapa de tratamento, em que há o processo quimioterápico.

Ou seja, o mandatário não aparece para evitar seu desgaste e a fase terminal a que todos se referem diz respeito ao tratamento complementar (significando que ele poderá voltar ao exercício pleno do cargo em futuro breve) e não a uma possível piora de seu estado de saúde, graças há várias razões, dentre elas a especulada descoberta de novo tumor, agora em seu pulmão esquerdo [5].

Os observadores, no entanto, acreditam que a situação está grave, havendo grande probabilidade de que Chávez realmente já esteja morto, pois a recusa em apresentá-lo ao povo não se justifica apenas pelos cuidados que sua situação exigem. Além disso, que as informações sobre novos tumores podem estar sendo aceitas pelo Governo como forma de amenizar a atitude de manter a população desinformada do real estado de saúde, ou morte do Presidente, criando um amortecedor para quando ela tiver de ser anunciada.

Ou seja, com o argumento do novo tumor eles não serão acusados pelo povo de terem mentido, perdendo a credibilidade de setor expressivo dos chavistas, que terão de escolher aquele que será o seu herdeiro definitivo e manter a fé nos princípios da política adotada pelos bolivarianos.

Em síntese, a pergunta se volta para as razões do adiamento da apresentação dos fatos reais, caso se confirme que Chávez esteja morto, e, dentre as respostas possíveis, três começam a ganhar força: (1) que estão buscando formas de contornar a Constituição para evitar qualquer risco de perda do poder; (2) que estão definindo estratégia para não permitir uma vitória da Oposição, no caso de se verem obrigados a realizar nova eleição 30 dias após um anúncio de afastamento definitivo do Presidente (neste caso, independe de estar ou não morto, mas apenas incapaz de governar), usando de quaisquer meios psicológicos, dentre eles, a consolidação da do Presidente como mártir, em afirmações como a de que “O nosso comandante está doente porque deu a sua vida por aqueles nunca tiveram nada[6]  e (3) estão tentando resolver as cisões dentro do chavismo acerca de quem será o seu seguidor, independente da escolha de Chávez. Em qualquer hipótese, os analistas acreditam que haverá situação de desordem e violência, não descartando a possibilidade de um “Golpe de Estado”.

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Imagem (Fonte):

http://en.wikipedia.org/wiki/Hugo_Chávez

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://acritica.uol.com.br/noticias/Diplomata-panamenho-afirma-Hugo-Chavez-morto_0_874112593.html

Ver também:

http://portuguese.ruvr.ru/2013_02_28/Chavez-teve-morte-cerebral-disse-ex-embaixador-do-Panam/

[2] Ver:

http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2013-03-02/chavez-passa-por-sessoes-de-quimioterapia-diz-vice-da-venezuela.html

[3] Ver:

http://portuguese.ruvr.ru/2013_02_28/MRE-venezuelano-Ch-vez-est-vivo/

[4] Ver:

http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-03-01/chavez-“segue-lutando-pela-vida”-diz-vice-presidente-da-venezuela

[5] Ver:

http://acritica.uol.com.br/noticias/Manaus-Amazonas-Amazonia-Jornal-espanhol-Hugo-Chavez-descobrir_0_874712560.html

[6] Ver:

http://www.publico.pt/mundo/noticia/vicepresidente-diz-que-chavez-esta-a-lutar-pela-sua-vida-1586246

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Ver também:

http://www.epochtimes.com.br/situacao-de-hugo-chavez-e-critica/

Ver também:

http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=631985&tm=7&layout=121&visual=49

Ver também:

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2013/03/cunhado-desmente-boatos-sobre-morte-de-hugo-chavez-na-venezuela.html

Ver também:

http://www.ptjornal.com/2013030114408/geral/mundo/hugo-chavez-trava-uma-grande-batalha-pela-sua-vida-refere-vice-venezuelano.html

Ver também:

http://portuguese.ruvr.ru/2013_03_01/Governo-da-Venezuela-considera-rid-culos-rumores-sobre-estado-cr-tico-de-Ch-vez/

Ver também:

http://odia.ig.com.br/portal/mundo/hugo-chávez-descobre-outro-tumor-diz-jornal-1.555201

Ver também:

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2013/03/familiares-ministros-e-seguidores-se-reunem-para-rezar-por-chavez.html

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Marcelo Suano - Analista CEIRI - MTB: 16479RS

É Fundador do CEIRI NEWSPAPER. Doutor e Mestre em Ciência Política pela Universidade em São Paulo e Bacharel em Filosofia pela USP, tendo se dedicado à Filosofia da Ciência. É Sócio-Fundador do CEIRI. Foi professor universitário por mais de 15 anos, tendo ministrado aulas de várias disciplinas de humanas, especialmente da área de Relações Internacionais. Exerceu cargos de professor, assessor de diretoria, coordenador de cursos e de projetos, e diretor de cursos em várias Faculdades. Foi fundador do Grupo de Estudos de Paz da PUC/RS, do qual foi pesquisador até o final de 2006. É palestrante da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG-RS), tendo exercido também os cargos de Diretor de Cursos e Diretor do CEPE/CEPEG da ADESG de Porto Alegre. Foi Articulista do Broadcast da Agência Estado e do AE Mercado (Política Internacional), tendo dado assessoria para várias redes de jornal e TV pelo Brasil, destacando-se as atuações semanais realizadas a BAND/RS, na RBS/RS e TVCOM (Globo); na Guaíba (Record), Rádioweb; Cultura RS; dentre vários jornais, revistas e Tvs pelo Brasil. Trabalhou com assessoria e consultoria no Congresso Nacional entre 2011 e 2017. É autor de livros sobre o Pensamento Militar Brasileiro, de artigos em Teoria das Relações Internacionais e em Política Internacional. Ministra cursos e palestra pelo Brasil e no exterior sobre temas das relações internacionais e sobre o sistema político brasileiro.

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