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Em dezembro de 2016, o ministro de defesa francês Jean-Yves Le Drian revelou uma nova ramificação das Forças Armadas francesas batizada de “Quarto Exército”, a qual atuará em conjunto com a Força Aérea, Marinha e Exército. No entanto, o domínio de responsabilidade do Quarto Exército será o espaço cibernético, palco que vem sendo utilizado com crescente frequência por atores estatais e não estatais.

O Exército Cibernético francês consiste em 3.200 soldados, mais 4.400 reservistas. Um avanço significativo comparado a 6 anos atrás, quando a defesa cibernética da França era realizada por apenas 100 soldados. O investimento inicial será de 1 bilhão de euros até 2019, uma vantagem considerável em relação aos sistemas de armas, exércitos e treinamento das Forças Armadas tradicionais, que são muito mais caras de se obter e manter.

Os esforços em Defesa Cibernética por parte da França acompanham a tendência de países em preparar e afiar os seus arsenais cibernéticos, como são os casos da Alemanha, previamente comentado aqui; dos Estados Unidos, com o U.S. Cyber Command (USCYBERCOM); da Rússia, que já confirmou a existência de seu exército cibernético; do Brasil, que atribuiu ao Exército Brasileiro essa atividade e criou o Centro de Defesa Cibernética; entre outros.

A tendência a desenvolver capacidades defensivas no ciberespaço ficou clara na declaração do Ministro da Defesa francês ao revelar o Quarto Exército: “As ameaças vão crescer. A frequência e sofisticação dos ataques está aumentando sem interrupção. (…). O próximo desafio na defesa cibernética não será apenas detectar os ataques, mas continuar nossas operações militares em meio a um ataque cibernético, enquanto usamos o ciberespaço para lançar nossas próprias operações de contador”.

Recentemente, a França foi alvo de ações que conseguiram extrair e divulgar mais de 14Gbs de informações contendo e-mails e documentos, compondo 70.000 arquivos a respeito do então candidato e atual presidente eleito Emmanuel Macron. Segundo responsáveis pela sua campanha, Macron foi alvo de uma “operação de hacking maciça e coordenada”. Os documentos foram divulgados na última sexta feira, dia 5 de maio, com menos de 48 horas antes do resultado final das eleições francesas.

Segundo membros do partido de Macron, os documentos consistiam em um misto de materiais verdadeiros e falsos, e os esforços dos atacantes tinham o intuito de “criar confusão e desinformação”. Ainda não se sabe quem foi o responsável pelos ataques, mas, evidentemente, eles não foram bem-sucedidos, pois não impediram a eleição de Macron.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Ministro de Defesa francês, JeanYves Le Drian” (Fonte By Claude TruongNgoc / Wikimedia Commonsccbysa3.0, CC BYSA 3.0):

https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=36934392

Imagem 2 Logo da Réserve Citoyenne Cyberdéfense” (Fonte):

https://fr.wikipedia.org/wiki/Commandement_opérationnel_de_cyberdéfense

Imagem 3 Emmanuel Macron” (Fonte By Claude TruongNgoc / Wikimedia Commonsccbysa3.0, CC BYSA 3.0):

https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=39834126

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Breno Pauli Medeiros - Colaborador Voluntário Júnior

Mestrando em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME). Formado em Licenciatura e Bacharelado em Geografia pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Desenvolve pesquisa sobre o Ciberespaço, monitoramento, espionagem cibernética e suas implicações para as relações internacionais. Concluiu a graduação em 2015, com a monografia “A Lógica Reticular da Internet, sua Governança e os Desafios à Soberania dos Estados Nacionais”. Ex bolsista de iniciação científica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), período no qual trabalhou no Museu Nacional. Possui trabalhos acadêmicos publicados na área de Geo-História e Geopolítica.

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