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O futuro da política islandesa, após a renúncia do ex- primeiro-ministro Sigmundur Gunnlaugsson

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A Islândia é um país nórdico, com uma população de 327.400 habitantes, cujo quantitativo a classifica entre os menores do mundo, e, apesar de seu pequeno número de cidadãos, os mesmos desfrutam de um alto padrão de vida, o qual refletiu a faixa de 0,899 no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), em 2014. Em 2015, o país obteve o equivalente a 15,075 bilhões de euros de Produto Interno Bruto (PIB), o que representa um crescimento anual de 4,0%.

A sociedade islandesa pode ter a aparência de perfeição e transparecer semelhança de paraíso, porém, este entendimento é errôneo, à medida que se observa seu contexto político e a relação eleitoral. A força popular alcançou vitória, em 2011, com a adoção de uma nova Constituição, que garantiu acesso a mecanismos mais transparentes de consulta e participação, e o país conseguiu resolver os prejuízos da crise financeira de 2008, por meio de reestruturações econômicas e prisões. Desta forma, evitaram-se medidas austeras e permitiu-se à economia um crescimento exponencial, enquanto, na Europa, vivia-se uma recessão.

Atualmente, a Islândia se encontra novamente no centro de uma problemática, não financeira, mas de natureza ética, pois o escândalo que envolveu o ex-primeiro-ministro, Sigmundur Gunnlaugsson, no caso do Panamá Papers, provocou um abalo político nacional que culminou com sua renúncia, após protestos de 20.000 pessoas e a posse de 10 novos Ministros.

A pressão popular é grande e o futuro político do país apresenta incertezas por causa da crise de confiança eleitoral, cujo clamor recente pedia a antecipação de eleições. A professora e filósofa islandesa da Universidade Estadual de São Francisco, nos Estados Unidos, Kristjana Sveinsdóttir, declara: “A grande questão é qual o valor da honestidade? A demanda dos eleitores islandeses sobre a melhoria de práticas comerciais éticas e honestas foi ouvida alta e clara nos últimos dias, embora não tenha sido escutada pelo governo.

Segundo os analistas, entende-se que o baixo contingente de nacionais na Islândia configura um potencial de incremento no âmbito de políticas públicas e na valorização de ganhos maiores no tocante à Democracia, entretanto, o eleitor islandês sente-se insatisfeito com a situação política que o país apresenta, sobretudo após as dificuldades que enfrentou nos tempos da crise financeira de 2008. O futuro político do país permanece uma incógnita e a expectativa recai sobre as eleições presidenciais de 2016, que poderá tonar-se alvo de otimismo e de renascimento.

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ImagemImagem  Stjórnarráðið. Sede do poder executivo islandês” (Fonte):

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/3/3f/Iceland-Reykjavik-Stjornarrad-1.jpg

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Leituras Adicionais:

[1] Confirmado: o PrimeiroMinistro da Islândia renuncia de fato” (Acesso 07.04.2016):

http://icelandmag.visir.is/article/confirmed-icelands-prime-minister-indeed-resigning

[2] Política islandesa, em 2016 é o valor da honestidade?” (Acesso 08.04.2016)

http://kvennabladid.is/2016/04/06/islensk-stjornmal-2016-hvers-virdi-er-heidarleikinn/

Bruno Veillard - Colaborador Voluntário Júnior

Mestrando pelo Programa de Pós-graduação em Sociologia e Política (PPG-SP), e Bacharel em Relações Internacionais pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro vinculado a Universidade Cândido Mendes (IUPERJ/UCAM). Atua na produção de notas analíticas e análises conjunturais na área de política internacional com ênfase nos países Nórdico-Bálticos e Rússia.

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