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Em março de 2014, o Sultanato de Omã e a República Islâmica do Irã firmaram um acordo inicial para a construção de um gasoduto submarino de, aproximadamente, 400 km de comprimento, que cruzará a fronteira marítima entre os dois países, através do Estreito de Ormuz, e conduzirá o gás natural produzido no Irã para Omã. O duto contará com duas seções distintas: uma terrestre de 200 km entre na província de Hormozgan, no sul do Estado iraniano, e uma offshore de 200 km até o Porto de Sohar, em Omã. O acordo do projeto segue um Memorando de Entendimento assinado em 2009 por ambas as partes e servirá como elo para expandir o comércio bilateral entre os dois países, principalmente no que diz respeito ao setor energético.

O plano original consiste em que cerca de um terço do gás transferido para Omã venha a ser convertido em Gás Natural Liquefeito (GNL), fazendo do país árabe um hub para a exportação do gás iraniano para fora da região, e os outros dois terços terão como destino o abastecimento da demanda interna omani. A principal empresa cotada para operacionalizar a construção do gasoduto, estimado em 1,5 bilhão de dólares, é a companhia sul-coreana Korea Gas Corporation (KOGAS), que, aliás, já oferece serviços a países do Oriente Médio, como o Catar e o Iraque. Inicialmente, a previsão para a conclusão do empreendimento era para 2017, porém existe a possibilidade deste prazo ser postergado.

Os laços políticos e comerciais entre Teerã e Muscat têm incomodado alguns países árabes da margem oeste do Golfo Pérsico, em especial a Arábia Saudita, que tem demonstrado insatisfação com a presença iraniana em um Estado-membro do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), considerada sua zona de influência regional. Vale ressaltar que sauditas e iranianos não mantém relações diplomáticas desde a execução do clérigo saudita xiita Nimr Baqr al-Nimr, em janeiro de 2016. Todavia, independentemente da desconfiança de Riad, a atual parceria estratégica entre Irã e Omã remonta ao início da década de 1970, quando o Xá Mohammad Reza Pahlavi providenciou suporte armado para estabilizar a situação interna omani após o país se tornar independente da Grã-Bretanha, assegurando o governo do sultão Qaboos bin Said al-Said.  

Pode-se concluir que o Acordo gera ganhos compartilhados para as duas partes, principalmente para o Irã, pois o projeto do gasoduto submarino possui um importante significado estratégico e pode representar o primeiro movimento do país em direção ao mercado global de GNL – almejando conquistar grandes consumidores do Leste Asiático e da Europa – desde o levantamento das sanções internacionais em 2015.

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Imagem (Fonte – Google Maps):

https://www.google.com.br/maps/place/Strait+of+Hormuz/@26.6074909,55.8564657,9z/data=!3m1!4b1!4m5!3m4!1s0x3ef7184c25840e51:0x3d7b86ccdd367e5a!8m2!3d26.5944754!4d56.4719928

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André Figueiredo Nunes - Colaborador Voluntário Júnior

Graduado em Relações Internacionais pelo Centro Universitário da Cidade (UniverCidade) e mestre em História Comparada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Desde 2013 pesquisador de geopolítica pelo Laboratório de Simulações e Cenários (LSC) da Escola de Guerra Naval da Marinha do Brasil (EGN/MB), onde escreve sobre temas relacionados ao Oriente Médio para o Boletim Geocorrente. Principais ramos de atuação: Relações Internacionais, História, Geopolítica do Petróleo e do Oriente Médio.

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