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O Grande Firewall da China e a limitação de acesso aos VPNs

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A China possui um relacionamento único com a Internet. O país funciona dentro de uma “bolha” onde as conexões a servidores e sites estrangeiros são inseridas no conhecido “Grande Firewall da China”, de forma que a população pode fazer uso de apenas uma única intranet disponibilizada ao país, que é acompanhada e regulada. De fato, 8 dos 25 sites mais populares do mundo tem restrições, entre eles Google, Twitter e Facebook, e conforme esses sites se expandem para outras plataformas e se integram a outros serviços a falta de acesso priva a população chinesa de diversas maneiras.

A única forma de acessar os sites com restrições era através de redes privadas virtuais (VPNs, na sigla em inglês). Esse serviço consiste essencialmente no acesso pelo contratante de um servidor estrangeiro e estima-se que 90 milhões de chineses vinham utilizando dele para acessar os serviços e sites além do grande firewall.

Site da Anistia Internacional bloqueado na China

Porém, o Governo chinês, por segurança, pretende encerrar as atividades de provedores de VPNs, cortando o acesso da população à internet como a conhecemos e levando a população a utilizar a intranet chinesa. Essa medida poderá afetar negócios, pesquisas científicas, estudantes e qualquer um que queira utilizar a Internet sem limitações.

Um dos possíveis motivos para o fechamento do cerco as VPNs é o sentimento de insegurança que se espalhou por diversos governos, decorrente da Primavera Árabe, na qual a coordenação através das redes sociais foi fundamental para as manifestações que tomaram conta do mundo árabe, em 2011. O timing parece corroborar com essa hipótese. Conforme o 19º Congresso do Partido Comunista da China se aproxima, o atual Presidente, Xi Jinping, pretende consolidar seu poder e estender seu mandato. Logo, a interrupção dos serviços de VPNs seria um esforço para se resguardar de quaisquer manifestações contrárias ao governante.

Dado o alto nível de sofisticação e constante evolução das tecnologias de VPNs, o encerramento completo das atividades é improvável, tanto de um ponto de vista técnico quanto prático. Porém, com os novos esforços do Governo chinês para encerrar os serviços de VPNs a grande maioria da população seria afetada, atingindo amplos setores socioeconômicos. De forma mais específica, é possível ocorrer que negócios não tenham acesso à clientes, que o setor de tecnologia chinês seja fortemente afetado, que pesquisadores e estudantes não tenham acesso a pesquisas, e assim por diante. Além disso, o acesso só seria permitido àqueles com meios econômicos para adquirir serviços externos, uma parcela mais restrita da população.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1Presidente da China, Xi Jinping” (Fonte):

http://static.kremlin.ru/media/events/photos/big2x/RSxzrRqisgdAD3aKs1Tk8ahgqNW4IEyZ.jpg

Imagem 2Site da Anistia Internacional boqueado na China” (Fonte):

http://greatfirewallofchina.org/index.php?siteurl=amnesty.org

Breno Pauli Medeiros - Colaborador Voluntário Júnior

Mestrando em Ciências Militares pela Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME). Formado em Licenciatura e Bacharelado em Geografia pela Universidade Federal Fluminense (UFF). Desenvolve pesquisa sobre o Ciberespaço, monitoramento, espionagem cibernética e suas implicações para as relações internacionais. Concluiu a graduação em 2015, com a monografia “A Lógica Reticular da Internet, sua Governança e os Desafios à Soberania dos Estados Nacionais”. Ex bolsista de iniciação científica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), período no qual trabalhou no Museu Nacional. Possui trabalhos acadêmicos publicados na área de Geo-História e Geopolítica.

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