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O Grupo de Lima: um novo ente político sul-americano

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Na semana em que todas as atenções estavam voltadas para o jogo de futebol entre Peru e Argentina, ocorrido em Buenos Aires, partida que seria decisiva para a classificação da seleção nacional peruana para a Copa da Rússia em 2018, os governos de Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Honduras, México, Panamá, Paraguai e Peru, o chamado Grupo de Lima, exigiram do Governo da Venezuela que as eleições para governadores do próximo dia 15 de outubro de 2017 aconteçam em respeito à Constituição do país. Ou seja, com transparência, imparcialidade, objetividade e a garantia de livre participação dos candidatos. Os 12 países conclamaram o povo venezuelano a exercer seu direito de voto, sem interferências.

Pedro Pablo Kuczynski e seu Gabinete Ministerial

O Grupo de Lima fez a sua segunda reunião em Nova Iorque em 20 de setembro de 2017. Deste encontro surgiu uma declaração na qual reafirmam o “compromisso de redobrar esforços para alcançar uma solução pacífica e negociada para a crise que enfrenta a Venezuela”, e lamentam o que consideram uma “ruptura da ordem democrática na Venezuela, já que seu Governo viola as normas constitucionais, a vontade do povo e os valores interamericanos, reprime a dissidência política, mantém presos políticos e viola os direitos humanos e as liberdades fundamentais das pessoas”.

O Grupo de Lima tem sido um ente político na América do Sul de oposição à administração Nicolás Maduro. Para quem ainda insiste em discutir a importância da UNASUL como um fórum político da região, é preciso dizer que atualmente ela se encontra escanteada e o grupo que está assumindo esta posição é o Grupo de Lima. Ele é composto por países que possuem diretrizes governamentais que estão voltadas para uma agenda econômica reformista, visando à supressão das políticas de caráter social e distributivo.

As eleições de governadores na Venezuela serão realizadas no dia 15 de outubro e a campanha dos candidatos terminará no próximo dia 12 de outubro de 2017. Estão convocados a participarem destas eleições 18.094.065 eleitores que deverão votar em 23 dos 24 estados do país, exceto no distrito da capital que possui um regime especial de governo. Esta eleição vem sendo adiada desde o mês de dezembro de 2016 e ocorrerá por decisão da Assembleia Nacional Constituinte.

Este é mais um capítulo da tutela que o Grupo de Lima tem tentado exercer em relação às ações de Nicolás Maduro frente ao Governo da Venezuela. Este grupo de países já tinha se oposto à nova Constituinte da Venezuela que tomou posse em agosto de 2017 e agora exerce uma vigilância sobre o processo eleitoral do próximo dia 15 de outubro de 2017.

Neste momento, no site da União das Nações Sul Americanas não se encontra qualquer notícia ou referência às eleições ou em relação à Assembleia Constituinte venezuelana, inclusive, a instituição se encontra sem Secretário Geral desde 31 de janeiro de 2017. Assim, o Grupo de Lima vem assumindo o vácuo deixado por esta entidade multilateral.

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Fontes das Imagens:

Imagem 1 Ilustração representativa das nações sulamericanas” (Fonte):

https://twitter.com/unasur/status/904808576174235649

Imagem 2: “Pedro Pablo Kuczynski e seu Gabinete Ministerial” (Fonte):

https://twitter.com/ppkamigo/status/910178828022030337

Samuel de Jesus - Colaborador Voluntário

É doutor em Ciências Sociais pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais da Faculdade de Ciências e letras da UNESP - Araraquara - SP. É Mestre em História desde o ano de 2003 pelo programa de Pós - Graduação em História da UNESP de Franca/SP, atuando principalmente nos seguintes temas: História, política, democracia, militarismo, segurança, defesa e Relações Internacionais. Membro do Grupo de Pesquisas sobre História Política e Estratégia - GEHPE-UFMS e do Núcleo de Pesquisas sobre o Pacífico e Amazônia - NPPA (FCLAr UNESP). É professor de História da América da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul - UFMS - campus de Coxim/MS

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1 Comments

  1. Gabriel 9 de outubro de 2017

    (…) o chamado Grupo de Lima, exigiram do Governo da Venezuela que as eleições para governadores do próximo dia 15 de outubro de 2017 aconteçam em respeito à Constituição do país. Ou seja, com transparência, imparcialidade, objetividade e a garantia de livre participação dos candidatos.(…) – Vindo de governos golpistas como Honduras, Paraguai e Brasil, o que diriam da votação reprimida na Cataluña?!

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