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O Hamas anuncia o fim do Governo de Unidade com o al-Fatah

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Em abril, o Hamas e o al-Fatah chegaram a um acordo para a formação do Governo de Unidade na Palestina, que começou a vigorar em junho. Nesse primeiro tratado entre as duas facções políticas palestinas, foi estabelecido um prazo de duração de seis meses que expirou terça-feira, 2 de dezembro. Porém, aquele que deveria ser um pacto capaz de superar as profundas divisões existentes entre o Hamas e o al-Fatah, desde 2007, que culminou em uma breve guerra civil, não cumpriu com esse objetivo[1]. No último domingo, 30 de novembro, o Hamas anunciou o fim do acordo e o seu fracasso.

O porta-voz do Hamas, Sami Abu Zuhri, em conferência de imprensa na cidade de Gaza, comunicou que o acordo com o al-Fatah terminou, mas também afirmou que haverá negociações sobre um futuro Governo de Unidade Nacional, pois, segundo ele, o Hamasnão está interessado em incitamento, mas em procurar manter a unidade nacional[2]. O Hamas admitiu que a primeira tentativa de união nacional fracassou por não ter sido capaz de resolver os problemas da Faixa de Gaza, tendo responsabilizado o al-Fatah pela falta de “vontade política” em assumir as responsabilidades, de ter ignorado as crises sofridas pelo território e, também, de não demonstrar interesse em prosseguir com a reconciliação. Um dos líderes do Hamas, Musa Abu Marzouq, afirmou que: “sempre que falamos com o primeiro-ministro Rami Hamdallah [sobre a necessidade de ir em frente com a reconciliação entre o Hamas e o al-Fatah], ele diz que esta é uma decisão política que deve ser tomada por Abbas[3].

As dificuldades de entendimento entre o movimento islâmico Hamas e o al-Fatah, em parte, são consequência da clivagem existente entre os dois partidos e pela falta de confiança entre ambas as partes. A situação é tensa entre estes atores, o que tem prejudicado a reconstrução de Gaza no pós-guerra com Israel[4]. No presente, não há perspectivas de que estas tensões sejam reduzidas em virtude dos últimos acontecimentos. Líderes do al-Fatah em Gaza foram alvos de atentados e tiveram as suas casas atingidas por explosões[5]. Este fato fez com que o Presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, responsabilizasse o Hamas, que prontamente negou as acusações e condenou os atentados. Isto levou Abbas a cancelar um comício em comemoração ao 10.º aniversário da morte do líder palestino, Yasser Arafat. Em coletiva de imprensa, Zakaria al-Agha, líder do al-Fatah, justificou o cancelamento do evento em face da impossibilidade de garantir a segurança, tendo declarado: “advertimos contra possíveis repercussões na situação interna palestina devido a esta posição e responsabilizamos o Hamas por qualquer impacte negativo[6]. O Hamas, que se mostrou surpreendido com o cancelamento do evento, afirmou que não é o responsável pelos serviços de segurança em Gaza, porque esta é uma responsabilidade do Governo de consenso nacional[7].

Na verdade, não se sabe quem é o responsável pela segurança em Gaza, pois nenhuma das partes assumiu publicamente esse compromisso. A crise parece se agravar entre o movimento islâmico e o al-Fatah na medida em que novos elementos surgiram para dificultar as futuras negociações para um Governo de Unidade mais forte, como pretende o Hamas. Recentemente, Mahmoud Abbas acusou Israel e o Hamas de estabelecerem negociações secretas e de terem chegado a um acordo sobre a Cisjordânia. Em entrevista realizada no último sábado a uma estação de TV egípcia, Abbas disse que Israel ofereceu ao Hamas o controle sobre 50% da Cisjordânia e que o restante do território será negociado no decorrer de 15 anos[8]. Até o momento, não há confirmação quanto à veracidade dessas negociações, mas não foi feita nenhuma declaração para negar esse acordo. Neste contexto, prevalecem as divergências que colocam em risco um novo acordo entre o Hamas e o al-Fatah, na medida em que aumentam as hipóteses de se agravar a situação interna da Palestina, uma vez que, politicamente, prevalecem os objetivos díspares entre os dois principais atores políticos do território.        

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ImagemKhaled Meshal e Mahmoud Abbas, respectivamente líderes do Hamas e do al-Fatah, agora desavindos” (Fonte):

http://static.diario.latercera.com/201112/1430976.jpg

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Fontes consultadas:

[1] Ver:

http://www.reuters.com/article/2014/11/09/us-mideast-palestinians-factions-idUSKCN0IT0OJ20141109

[2] Ver:

http://www.jpost.com/Arab-Israeli-Conflict/Hamas-rejects-Abbas-claim-that-it-colluded-with-Israel-and-says-unity-government-is-over-383264

[3] Ver:

http://www.turkishweekly.net/news/176217/hamas-calls-for-forming-39-strong-39-palestinian-unity-govt.html

[4] Ver:

http://www.reuters.com/article/2014/11/09/us-mideast-palestinians-factions-idUSKCN0IT0OJ20141109

[5] Ver:

http://english.ahram.org.eg/News/115659.aspx

[6] Ver:

http://www.reuters.com/article/2014/11/09/us-mideast-palestinians-factions-idUSKCN0IT0OJ20141109

[7] Ver:

http://www.maannews.net/eng/ViewDetails.aspx?ID=741747

[8] Ver:

http://www.jpost.com/Arab-Israeli-Conflict/Hamas-rejects-Abbas-claim-that-it-colluded-with-Israel-and-says-unity-government-is-over-383264

Marli Barros Dias - Colaboradora Voluntária Sênior

Possui graduação em Filosofia (bacharelado e licenciatura) pela Universidade Federal do Paraná (1999), com revalidação pela Universidade de Évora (2007), e mestrado em Sociologia (Poder e Sistemas Políticos) pela Universidade de Évora (2010). É doutoranda em Teoria Jurídico-Política e Relações Internacionais (Universidade de Évora). É professora da Faculdade São Braz (Curitiba), pesquisadora especialista do CEFi – Centro de Estudos de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), e pareceirista do CEIRI Newspaper (São Paulo).

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