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O Hamas nomeia, pela primeira vez, uma mulher como porta-voz

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O Hamas, movimento político islamita que governa a “Faixa de Gaza” desde 2007, nomeou recentemente, pela primeira vez, uma porta-voz feminina para lidar com a imprensa internacional. A nova porta-voz doGoverno do Hamasna Palestina é Israa al-Mudallal, uma jornalista de 23 anos, que fala fluentemente o Inglês. Ela nasceu no Egito, mas foi criada em Gaza e viveu cinco anos em Bradford, no Reino Unido”, onde fez o Ensino Médio noGrange Technology College”. Retornou à Palestina e formou-se em Jornalismo pela “Universidade Islâmica de Gaza”, tendo trabalhado como repórter na TV local e também em um canal por satélite, que transmite sua programação em Inglês[1].

A atitude do Hamas surpreendeu e, ao mesmo tempo, chamou a atenção da imprensa local, regional e internacional. Segundo o movimento, a nomeação de Israa al-Mudallal faz parte da estratégia doGoverno do Hamaspara transmitir uma imagem menos negativa à comunidade internacional[2]. De acordo com a nova porta-voz, ela pretende trabalhar no sentido de “apresentar as questões de modo mais humano[3]. Em entrevista, al-Mudallal fez a seguinte afirmação: “Vou trabalhar para mudar o discurso da mídia e dar uma imagem diferente da Palestina e de Gaza[4].

Israa al-Mudallal não é uma exceção em Gaza, pois há várias profissionais na sua área de atuação. No entanto, é de salientar que al-Mudallal tem uma formação ocidental e ela faz questão de enfatizar que o tempo em que viveu e estudou noReino Unidolhe permitiu uma melhor compreensão de nossa cultura[5]. A nova porta-voz é a segunda mulher a ocupar um cargo no executivo do Hamas. A primeira mulher a ter um lugar de destaque neste Governo foi a viúva de Abdel Aziz al-Rantissi, Jamila Abdallah Taha al-Shanti, que exerceu o cargo de “Ministra de Assuntos da Mulher[6].

A posição tomada pelo Hamas, neste momento, reflete uma mudança de postura que corresponde a uma estratégia política que parece distanciar-se do Islamismo radical. Porém, mais do que uma nova visão a ser apresentada ao Ocidente, esta escolha poderá, também, ter reflexos na política doméstica da Palestina.

A nova estratégia do Hamas poderá contribuir para a diminuição da resistência por parte da população que está descontente com a Fatah e tem resistido à opção pelo Hamas, motivada pela posição religiosa fundamentalista desse movimento. Politicamente, o Hamas pode estar procurando aumentar a sua influência local de Gaza até à Cisjordânia para, externamente, vir a reduzir a imagem radical construída desde a sua fundação, em 1987.

Uma nova direção política começa a ser traçada internamente para a Palestina e a hipótese de algum fenômeno de mudança interna tem que ser considerada. Tudo indica que o Hamas quer se apresentar ao Ocidente de modo mais cordial, o que não significa aproximação, mas sim a tentativa de encontrar menos resistência externa ao tentar ampliar o seu poder na Palestina.

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Imagem (Fonte):

http://rotter.net/User_files/forum/527751e7281e34721.jpg

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Fontes consultadas:

[1] Ver: 

http://www.newsdaily.com/world/67e2a2858881b94337dea98ca852e6d3/conservative-hamas-appoints-first-spokeswoman

[2] Ver:

http://www.haaretz.com/news/middle-east/.premium-1.556249

[3] Ver:

http://www.aljazeera.com/news/middleeast/2013/11/hamas-appoints-first-female-spokesperson-2013111013586831738.html

[4] Ver:

http://droitmusulman.typepad.com/blog/2013/11/israa-al-mudallal-la-premi%C3%A8re-porte-parole-du-hamas.html

[5] Ver:

http://www.jerusalemonline.com/news/middle-east/the-arab-world/hamas-appointed-a-female-spokesperson-for-the-first-time-2208

[6] Ver:

http://www.jerusalemonline.com/news/middle-east/the-arab-world/hamas-appointed-a-female-spokesperson-for-the-first-time-2208

Marli Barros Dias - Colaboradora Voluntária Sênior

Possui graduação em Filosofia (bacharelado e licenciatura) pela Universidade Federal do Paraná (1999), com revalidação pela Universidade de Évora (2007), e mestrado em Sociologia (Poder e Sistemas Políticos) pela Universidade de Évora (2010). É doutoranda em Teoria Jurídico-Política e Relações Internacionais (Universidade de Évora). É professora da Faculdade São Braz (Curitiba), pesquisadora especialista do CEFi – Centro de Estudos de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa (Lisboa), e pareceirista do CEIRI Newspaper (São Paulo).

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